segunda-feira, 16 de agosto de 2010










Hoje eu tenho muita coisa pra falar, esses dois dias em que passei sem foram muitos emocionantes e tão repletos que tive que dar um tempo para poder digerir, antes de relatar.
Mas antes algumas explicações: algumas pessoas que tem freqüentado o blog andam reclamando que eu to escrevendo muito errado, que tenho salpicado vírgulas pelo texto e até mesmo que to usando muitos palavrões. Tudo bem, entendo as reclamações, mas gostaria também de contar com um pouco mais de paciência de vocês. Às vezes escrevo assim que chego do set, com mil palavras rondando minha mente, com as imagens frescas ainda nas minhas retinas e quero falar, falar e falar, e desse jeito vou inventando idiomas, desvirgulando frases, aÇassinando a gramática (agora foi uma brincadeira hein). Peço licença para errar meus caros leitores. Mas gosto das reclamações, postem seus comentário para eu sentir o feed back. Quanto ao palavrão, sei que ás vezes fica demais, mas outras vezes só um palavrão consegue conter a intensidade necessária da emoção do que quero dizer. Mas vou maneirar.
HOJE FOI MAIS UM DIA DE AULAS DO MESTRE GERO CAMILO. Que facilidade que o cara tem de representar!!! Impressionante, e ter um diretor como o Beto Brant ajuda em muito a performance do ator, uma vez que ele deixa o caminho livre, cria junto, muda a cena, compõe a muitas mãos. Não me canso de elogiar a equipe. Lula Araújo também é um grande parceiro, entende o diretor, embarca na onda, e com sua alegria contagiante vai deixando o set cada vez mais leve. Esse filme é de ator. E pra ser um filme de ator, precisa ter um diretor competente e uma equipe sensível. É o que está acontecendo.
Hoje foi o último dia do Gero Camilo no set. vai ter champanha no final. Tive que sair antes de terminar a diária hoje, não participarei da festinha. Mas já me sinto recompensado. Só de ver o Gero em cena é uma aula prática de como fazer cinema com personalidade. Esse filme ta ficando lindo.
Na seqüências de hoje, Vicktor Laurence, próximo do seu suicídio resolve sacanear com Cauby ao mostrar as fotos nuas de Lavínia roubadas da casa do fotógrafo. No roteiro, a cena aconteceria em seu escritório. Mas nas mãos do Beto...
Como a casa tem uma piscina seca, o Beto decidiu levar a cena pra lá. Pra ficar mais surreal, o Gero havia escrito um texto sobre a Lavínia, o Beto incluiu na cena, e a cena ficou escandalosa. Os dois fumam maconha dentro da piscina seca, enquanto Vicktor declama seu poema para Cauby, daí ele mostra o motivo de sua inspiração Cauby fica puto e preocupado, porque seu “segredo” está sendo descoberto e vai embora, e o Vickto/Gero termina a cena com a frase “Santa é a carne que peca”.
A cena foi exaustivamente ensaiada. Chagamos no set ás 20hs, jantamos, e fomos ao ensaio. 21:30h começaram os ensaios, a cena só começou a ser rodada á 1h. cerca de oito takes depois, a cena terminava com todo o set aplaudindo a performance. Tiramos fotos de equipe e tudo.
O Beto é o tipo de diretor que cuida de cada cena, quer sempre o melhor, não adianta o take meia boca. Cada take tem que ser sofisticado, um olho no trabalho dos atores, outro lho no movimento de câmera. 3:45m de plano seqüências, a cada take terminado o Lula Araújo saia estafado, pedia água e quando todos achavam que ele ia sentar um pouco, ele começa a dançar a dança do sapinho. (daqui a pouco eu conto o que é isso. Não, vou contar logo)
O papai Lulinha, como ele é chamado, se juntou com o maluco do Akira e compuseram algumas músicas. A melhor, na minha opinião, é a Daca do sapinho. A letra é: “Eu tava no meu lugar/ veio uma moça me procurar/ a mamãe disse que isso tudo pode dar/ sapinho/ sapinho/ sapinho/ muitaquitã/ muiraquitã/ muiraquitã/ sapinho”, o Lula dançando isso é de cair no chão de tanto rir. Hoje acordei com essa música na cabeça. Hahahahahaha.
Juntos, os compositores ainda fizeram uma música para lavinha (La vinha ela/ lá vinha ela...) Hilário!. Empolgante! É nesse clima que a gente trabalha. Que tal?.
Voltando ao Gero.
Anteontem rodamos a cena em que ele lê sua carta-testamento-crônica. Essa cena arrancou lágrimas da equipe. Vamos começar por aí. 17hs, o Beto ligou pro meu quarto e me convidou para ir ao ensaio. O set só abriria ás 20hs. Ensaiamos um pouco, mas rendeu pouco. O Beto confessou que estava com o raciocínio lento, que tinha dormido muito, e propôs jantar e depois continuarmos o ensaio. Depois do jantar ele esquentou. 21h e recomeçamos o ensaio, o Beto mandou toda a equipe voltar para o hotel, queria tempo, queria paz, queria distensionar. Ficamos a sós com o Gero e o Gustavo na cena. E era assim: o Beto provocava e o Gero ia. Na cena havia uma garrafa de absinto que deveria ser usada na cena, era absinto mesmo. O clima foi subindo. Beto e Gero estavam impossíveis. Na cena deveria ser dito alguns aforismos do Oscar Wide, mas não estavam se encaixando, então o Beto falou “Esse cara é um chato. Vamos esquecer ele. Vai falando o que vier à tua cabeça, Gero”. O que vinha á cabeça do Gero era poesia pura. Uma maluquice. 00h, o Beto mandou ligar para toda a equipe voltar ao set. uma hora de pré-light, e a cena recomeçava. Eram 8:45m de plano seqüências. Pauleira. Perdi as contas dos takes, o Lula suava em bicas, mas valente, pegava o Sted e mandava bala. Enfim, quando a cena ficou pronta, fomos revisar. Ao final, todos estavam com os olhos marejados, até o Gero. Aplausos. Euforia. Fechamos o set. fomos até a base e rolou muita cerveja, brindes. Alegria. Fomos direto ao café da manhã e depois um dia todo de sono.
No sábado rodamos a cena que é passagem para o flash back que contará a história da Lavínia. A cena mostra Caubu andando bêbado pelas ruas escuras, ao passar por uma encruzilhada, um índio de MP3 sai do escuro e cruza com ele, Cauby nem sabe se é alucinação ou não, entra no breu da rua e cortamos para uma rua do Rio de Janeiro, o baixo meretrício para encontrar Lavínia drogada e prostituída.
Cena simples de fazer, mas que o Beto transformou em mais um espetáculo.
Espetáculo de generosidade.
O índio que escolhemos para a cena é um da tribo dos Boraris, Poro. Essa tribo, e mais especificamente esse índio, estão numa luta ferrenha contra uns madeireiros e uma mineradora e mais o Governo Federal. Eles queres a redemarcação de sua terras, querem expulsar os madeireiros que estão destruindo o lugar e a mineradora que está invadindo mesmo suas terras.
A cena estava marcada para acontecer na quinta-feira. Ás 15hs fiquei sabendo que o Poro não viria filmar. Estava em Altamira, numa reunião com o exército, só voltaria a Santarém na sexta. Fiquei em pânico, corri para produzir outro índio. Tinha mais dois em meu casting e mandei por e-mail para o Beto e o Renatão aprovarem. Ás 19hs, nenhuma resposta dos dois. Não sabia o que fazer, o set abriria em uma hora. Então foi falar com o Beto. E ele me deu mais uma aula:
“Desculpa Adrianão, eu não consegui abrir mão do Poro. O cara ta lá, numa puta batalha pelas suas terras. O mínimo que eu posso fazer é colocar o cara no filme. Se ele não pode hoje, a gente derruba a seqüências. Vamos rodar quando ele puder”. Calei. Fiquei pensativo. Atordoado, sou de uma escola de cinema que foda-se o mundo, o plano é mais importante. E de repente, o plano muda por conta de um figurante. Jantei com esse choque. Compreendi. Achei perfeito. O máximo.
Sexta-feira a produção pagou hotel para o Poro se hospedar, sábados fomos rodar a cena, na madrugada, o Poro curtiu, o Beto fez quatro takes até a cena ficar como ele queria.
No início da noturna filmamos a cena de apresentação do Chico Chagas. Quando Cauby anda pelas ruas e encontra Chico Chagas com o carro no prego, e dá uma força a ele começando uma grande amizade.
Armamos a cena em uma rua que estava tendo um aniversário, os 80 anos de Seu Diquito. Como fazer naquela barulheira? Simples. Nos misturamos a eles, fomos lá, parabenizamos o Seu Diquito e fizermos rapidamente um pacto: na hora de rodar, eles desligam o som, em troca eles assistem a cena. “Adoro quando acontece isso. O set aberto. Toda a equipe na frente do vídeo-assiste. Curtindo o que a gente ta fazendo.
Esse é Beto Brant.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Alucinações

Exatamente hoje lembrei que falta um mês para voltar pra casa. tenho saudades de minha casa, da minha baixinha, dos moleques. do meu quintal. ando meio macambuzio, é verdade. talvez o cansaço, talvez a distância mesmo de casa. pode parecer um contracenso, mas eu sou muito caseiro. não no sentido de ficar trancado em casa, mas no sentido de ter pra onde voltar. eu e monalisa temos olhado mais pra nossa casa. ajeitando, colocando coisinhas em seus lugares, imprimindo nossa personalidade na casa, um lugar onde os meninos curtem um bocado.
Para se ter uma idéia da minha loucura, passei dois dias em alter do chão e quando retornei ao hotel, deitei na cama e pensei: finalmente to em casa.
Depois da batalho dos 300 de ontem, o dia de hoje pode ser considerado light. rodamos uma alucinação do Cauby entre um grupo de carimbó. a sequencia é a continuação da de ontem. depois de ver Lavínia com o marido, Cauby vai a casa de seu amigo Vicktor Laurence e toma um porre de absinto, ao andar pelas ruas desertas, ele ouve um som de carimbó vindo ao longe e quando passa por um terreiro vê um grupo de carimbó evoluindo. a cena vai ser trabalhada na finalização para que tudo se confunda entre realidade e alucinação.
Ah, sim. no início da noite, Camila Pitanga apareceu enquanto o grupo ensaiava (de verdade) para uma disputa que vai haver de manhã. advinha o que aconteceu? no inicio tava tranquilo, somente alguns curiosos, mas foi só um flash pipocar que começou o tumulto. o pessoal começou a avançar, e a Camila foi gentilmente convidada a deixar o set.
Depois disso conseguimos limpar o set e deixar somente o grupo de carimbó. rodamos tres takes com Lula Araújo serpenteando com a penélope (câmera) entre as meninas, e que balançado. as meninas são umas diabas, dançam lindamente num balanço que parece a maresia do rio. a cena ficou linda mesmo.
A sequencia e o alvoroço de ontem ainda estava na nossa memória. hoje no café da manhã, a Camila ainda comentava estupefata o que rolou ontem. no início levamos a sério, mas, claro, tudo virou sacanagem em nossos comentários, e cada um contava a sua versão do que tinha visto no tumulto de ontem. demos boas gargalhadas. a melhor veio da própria Camila. "Uma mocinha se aproximou de mim e disse, com convicção: um dia a gente ainda vai contracenar juntas. eu respondi: estou torcendo por isso, amiga. e ela começou a desfazer a cara de convicção e um choro foi transfigurando o rosto dela e ela saiu correndo no meio da praça" sensacional.
No jantar, eu e o beto comentávamos a cena. eu estava preocupado se tinha salvado o plano, e ela me disse que o segundo take foi o melhor. ele me confesou que errou na estratégia, ficou meio agoniado e quase em pânico finalizou a sequencia. só relaxou mesmo hoje a tarde quando revisou o plano e percebeu que um take todo valeu. uma base de 3min de plano. que bom, eu pensei.
foi a primeira vez que vi o beto preocupado com o resultado de uma sequencia rodada.
agora estou só no hotel. na tv um cara com cara de nerd, diz que é artista plástico que pinta baratas. uma sucessão de baratas em close na Tv. em frente a Tv um chocolate mordido pela metade está cheio de formigas. tenho tentado transformar o meu quarto de hotel. preguei papeis na parede, um rolo de negativo, uma foto dos meninos. comprei uma orquídea na feira de artesanato. acho que ela não vai durar muito tempo.
tá tudo estranho hoje
muito estranho.
vou beber.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A batalha dos 300 -part 2



Não, meu amigos. isso não é um show da Joelma, do Kalipso, é só o final da batalha dos 300 de hoje a noite. Camila Pitanga causou histeria em santarém, e foi de uma hora pra outra. como diz a Dira "Tudo vai calma, basta um pra gritar e tudo vra histeria", foi o que a conteceu hoje. o resultado dessa batalha pra mim, foi o pé inchado, claro, muitos socos nas costas, arranhões, o já famoso "sai daí, negão" e algumas pessoas da galera feridas. uma loucura. a guerra que a gente tava esperando. mas isso foi só o final da batalha.
desde as 14hs estava eu e Livea na base do elenco para receber a figuração, que pingava, pingava, pingava. cada pessoa que chegava a gente cadastrava, pegava a assinatura e mantinha-o na base. 15:35h pouco mais de 50 figurantes em nossa base. tudo começava a me preocupar.
Enquanto eu estava no palco com a D. Onete e os musicos do Chico Malta, pelo rádio eu ouvia a Livea mandando contagens novas. "Nós não iamos chegar aos 300", faltava pouco menos de uma hora pra gente começar a rodar e nossa contagem não chegava a cem. o ônibus que a gente mandou para o pessoas co carimbó trazia apenas 60 pessoas das quase 100 que a gente contabilizava. fudeu-se. pensei. mas...
enquanto isso na praça, muitos curiosos se aglomeravam. por varias vezes conversei com as pessoas sobre o que estava acontecendo ali. mas a noticia que a camila pitanga estaria naquela cena se espelhava. e se espalhava. e teve uma hora que tive que confirmar, mas pedi a compreensão de todos "Por favor sem fotos, nem autógrafos, voces todos estao convidados para a festa. vamos curtir".
porra nenhuma. todos me enganaram. disseram: tudo bem, claro, por que não. Me fuderam.
Na hora de rodar, a idéia era colocar nossa figuração proximo à Camila e o Zecarlo para "defende-la do assedio", qual o que. tudo se misturar. a gente tentou segurar o povão e trazer nossa figuração, mas virou uma cagada. todo mundo avançou, misturou tudo, e no primeiro take, todo mundo olhava pra câmera, olha pra ela, todo mundo espremia ela, a câmera não a encotrava naquele mar de cabeças. uma merda
uma grande merda. Eu tava no video-assiste, eo beto olhou pra mim e disse: porque você colocou "aquele cara alto do lado da camila. ta uma merda isso". nem tentei me justificar. peguei o esporro calado, e corri pro lado da camila tentar organizar. Não adiantaria nada eu dizer que a galera avançou. a gente tava rodando na tal "hora mágica", no pôr do sol, e não tinhamos muito tempo de justificativas. tinhamos um tempo determinado pela natureza para fazer valer a cena.
fomos por fuda-se. fui lá, organizei o pessoal, briguei com alguns, tirei as pessoas com maquinas fotograficas escondidas e dixei a Livea, minha assistente, abaixada dolado da camila para ir tirando a galera que ia chegando. a propria camila tambe´m ajudou, posicionando alguns figurantes, com toda a educação e charme.
Rodamos tres takes, o ultimo foi legal. o sol ia se pondo, a luz caindo, o Lula Araujo entao decidiu abusar da luz que tinha e saiu serpenteando no meio do povo, usando todo o negativo, toda a luz que a natureza nos dava, atras da câmera o balé doa assistencia da direção, produção e minha era ridiculo, todo mundo se jogando no chao na hora que o Lula fazia um movimento brusco com o sted e virava em nossa direçao.
enquanto isso, D. Onete arrebentava no palco, mandando ver bacanerrimo.
A Luz caiu totalmente. o ultimo plano dá pra se salvar. camila dispensada.
mas...
houve um erro estratégico.
ao inves dela sair em direção à nossa base, ela acabou ficando espremida em uma das barracas de lanche do outro lado da praça, e a multidao começou a se concentrar ali. como tirar ela de cena?
à força! foi a resposta.
lêdo engano, mas contei com a força do Aldão, o cara da elétrica, paraense também, que saiu abrindo caminho enquanto eu e alguns motoristas iamos tentando fazer um cordao ridiculo atras.
peguei muito soco, arranhos, puxoes, chutes, etc ate chegarmos na base.
ao chegarmos na base, ela entrou e eu fiquei tentando conter as pessoas, que choravam, imploravam pra vê-la, fotografá-la. porra nunca passei por isso. subi e fui ter com ela. ela tava mal, tambem nunca tinha passado por isso, não tava se sentindo bem com a situação. ela achava que estava destratando as pessoas, estava acuada, amuada. assustada. triste.
De repente, o Beto e ela tem a idéia de ir até o palco, onde Chico Malta ainda tocava para agradecer o carinho do publico. "caralho que idéia genial" que merda. la ia eu me fuder de novo.
e foi assim, ela foi para a sacada da base (uma casa altos e baixos) para ser fotografada e atrair o povo para o outro lado da van, que estava estacionada diante da casa, enquanto os policiais faziam um cordao pra ela sair.
ela saiu, em meio aos empurrões histéricos.
paramos a van ao lado do palco ela desceu. mais empurrões, socos, arranhos e ponta-pés. subiu no palco. mais histeria. todos queriam fotografa-las, eu e o pessoal do platô, mais motoristas tentamos conter a multidão, ela pegou o microfone, agradeceu, falou com o povo, em meio à explosões de flashes e tentativas de subir no palco. ela resolveu dançar carimbó ao som do chico malta e puxou algumas pessoas para dançar com ela. fudeu pra nós, todos queriam subir no palco. empurra-purra. a merda da policia só olhava, talvez extasiados com a beleza dela também, e comendo mosca. filhos-da-puta.
por fim, acabou o show particular e à muito custo conseguimos colocá-la dentro da van e mandá-la pro hotel. o pessoal protestou, reclamou, me inquiriu, mas ainda tinhamos mais uma sequencia para rodar, na casa de vicktor laurence. o pessoal foi dispersando. fui sentar em um bar e contabilizar os ematomas do dia. pedi uma cerveja, duas.

ESSE POST BEM QUE PODERIA SE CHAMAR "EU ODEIO CAMILA PITANGA"

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eu receberia... part 4

To Bêbado, antão vou escrever pouco... sei lá.

Hoje vimos o primeiro copião do filme. caralho. ca-ra-lho! todo o astral do beto, do renas, da equipe tá lá. vimos uma cópia telecinada dos tres primeiros dias, sem nenhum tratamento. e tá lindo. sério mesmo. toda a equipe vibrou. a exibição foi no cine Polozzi, toda a equipe tava lá, vibrando a cada cena, aplaudindo. a exibição (12 min) cortado já pela Simone Elias (assistente de direção) foi comemorada. todo mundo saiu de lá excitado. e uma parte foi pro quarto do Renas.
Eu, Beto, renas, camila Pitanga, Gero camilo, ZeCarlos Machado, Bianca Vilar e Gustavo Machado, regatos a muita cerveja comentávamos o resultado do que foi telecinado e discutimos o que virá ainda. no meio da noitada, o Gero Camilo mostrou pra nós o que ele escreveu como uma espécie de carta testamento de seu personagem. caralho! o cara é foda! como o personagem dele é jornalista, e sabe do caso dos dois personagens principais, ele escreve uma crônica sobre o caso dos dois (que será responsável por incriminar de vez Cauby do assassinato do pastor) citando Gauguin, Verlaine, e toda a erudição de seu personagem (que também é dele). advinha o que aconteceu?
O Beto meteu a mão no roteiro e derrubou a cena do cemitério. no roteiro original, o vicktor Laurence se suicida e deixa toda a sua biblioteca para a cidade. em seu enterro, os munícipes falam sobre a importancia daquele dândi. Mas o texto que o Gero leu hoje pra gente é tao mais interessante, fala tão mais do personagem, que o Beto decidiu mudar o roteiro, e, ao invés, de mostrar aquela sequencia lógica do cemitério, o personagem fala sua carta-testamento-crônica para o espectador, direto para a câmera, amarra uma corda no pescoço e... corta.
bem melhor.
muito melhor.
caíram os 30 figurantes que eu estou correndo pra produzir na sequencia de sexta feira. o filme ganhou mais, ficou mais lindo, o personagem do gero ficou mais profundo. o filme pulsa, meua s amigos, pulsa.
du caralho, vão se fuder.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Eu receberia... part 3 - 9-8-2010

A batalha dos 300.

Hoje o dia foi moleza pra mim. Fui destacado para acompanhar a D. Onete a Alter do Chão, desculpa aí. rsrsrsr. D. Onete foi escalada para o filme para fazer uma sequencia de um show que acontece na praça da cidade fictícia que estamos montando (através de recortes de santarém) onde Cauby vê Lavínia junto com o seu Marido, o pastor. morrendo de ciúmes vai a casa da Victor Laurence e toma uma porre.
D. Onete foi escolhida por ser a mulher forte que é. produzi aqui em santarém uns músicos para acompanhá-la, o figuraça do Chico Malta, grande compositor de Alter do Chão. ela chegou a santarém na madrugada de ontem e hoje vim para Alter do Chão acompanhar os ensaios, que continuam amanhã pela manhã, á tarde voltaremos para Santarém e na quarta feira filmaremos a sequencia. sequencia que ficou conhecida por nós como a batalha dos 300.
Batalha porque tive que produzir 300 figurantes para esta sequencia, uma missão nada fácil pois enfrentamos algumas muitas dificuldades. primeiro, por comando do Beto Brant não podemos divulgar na imprensa nada o que faremos por aqui, para não despertar a curiosidade das pessoas. as entrevistas só serão concedidas no meio deste mês. então meu trabalho teve que começar pelo boca a boca. primeiro entre os grupos de teatro da cidade, depois pelos dançarinos de carimbó, depois com os grupos de idosos e depois ainda através dos amigos que fizemos por aqui. foram momentos de tensão. eu e minha equipe passamos desde sexta feira correndo para produzir os 300 figurantes que ainda tinha que ter uma proporção entre homens e mulheres, jovens, adultos, maduros, etc.
E mais um problema foi a pessima impressão que o Thainá 3 esta deixando na cidade. segundo alguns figurantes os caras destratam a galera da cidade. então todo mundo só vai pra figuração se for paga (que nao é o caso dessa festa, a idéia é pagar lanches, comidas tipicas etc por conta da produção). O que é uma pena, pois no filme que estamos fazendo, a proposta dos diretores e manter a digital da cidade. todos os figurantes são muito bem tratados. antes de cada cena, eu e Luciana Batista (asistente de direção) fazemos questão de ar o bom dia e explicar pormenorizadamente qual a sequencia que rolará naquele dia e o porquê deles terem sido escolhidos para fazer tal sequencia.
Mas conseguimos vencer a batalha dos 300. Nosso cadastro de figuração ate a data de hoje ja chega a 385 pessoas. mas a guerra continua, já que eu e minha equipe teremos que organizar essa galera toda. e tudo tendo camila pitanga e gero camilo entre os mortais. toda a equipe está apreensivo por esta sequencia, que é, sem duvida a mais punk de todas. além dessa ainda teremos a camila pitanga andando entre as ruas comercio, uma manifestação no meio do rio arapiuns (serão 3 dias dormindo no barco para a equipe) e uma festa de casamento em itaituba, mas nada se compara a esta sequencia. estamos na torcida que dê tudo certo.
Mas para me garantir tive que desobedecer a direção.
Corri para arranjar stand-ins da camila pitanga, do gustavo machado, do zecarlo machado e do gero camilo. (stand-ins são atores que se parecem com os atores principais e trabalham na marcação de cena, luz etc. para não desgastar os atores principais) O Beto Brant ja havia dito que não queria isso, que sentia como se a gente estivesse enganando as pessoas da cidade. que era deselegante, um lorde. mas ainda assim, para me garantir, fui atras dessas pessoas sem ele saber. Porém ele mesmo já havia sentido o drama que é ter uma atriz com a popularidade da Camila Pitanga nas cenas em que fizemos em um foto no centro da cidade. Mesmo a sequencia sendo interna, uam multidão se espremeu do outro lado da rua para ver a camila. e eles sentiam, sei la como, quando o diretor cortava a câmera e ficavam gritando do outro lado da rua. "ô Camila, cadê você, eu vim aqui só pra te ver". Para acalmar os ânimos a camila teve que ir à rua várias vezes para deixar-se ser fortografada, deixando em polvorosa a produção de set, e, sobretudo, a mim, pois sou o responsável por ela no set. uma espécie de "segurança" como o pessoal da cidade me chama. faço o papel do chato que diz quando chega de tirar foto. o mesmo papel que fiz com a dira paes no ribeirinho do asfalto em belém. chato, logo eu o chato. hahahahah.
Aliás, o Beto tem essa faculdade incrível de respeito às pessoas e mais ainda, de adequar o filme ao que a cidade apresenta. um belo exemplo disso se chama Magnólio.
Magnólio é um cara que encontramos na cidade, ele é o palhaço de um circo incrível, que está ligado a um projeto de uma ong, o Saúde Alegria, que leva assistencia médica a ribeirinhso menos afortunados num navio que tem até U.T.I. o trabalho dele é, através das palhaçadas, ensinar noções de higiene pessoal às crianças. incrível.
E o Magnólio é um cara incrível, primeiro na aparência. ele é branco queimado de sol, tem vitiligo pelo corpo todo, usa um cabelo esbranquiçado pelo tempo e que parece o bozo e tem uma voz que parece que fez traquiostomia.
Quando o Beto conheceu esse cara e conheceu a história dele (o cara fez teatro em sao paulo na década de 70, trabalhou com grandes nomes como Paulo Autran, Ítalo Rossi, e muitos etcêteras, veio parar en satarém por motivos humanitários, viaja o mundo inteiro e é meio bruxo, maconheiro pra caralho também). quando o Beto se aproximou dele, acabou modificando um personagem do roteiro para caber nesse cara.
Chico Chagas é um personagem que aparece no livro do Marçal Aquino como um matador de aluguel, que fica amigo do Cauby, e ,exatamente em nome dessa amizade, não aceita o "trabalho" que oferecem pra ele de matar o Cauby, acaba indo a casa do fotografo para avisá-lo que querem matá-lo e aconselha a ele a sair da cidade. O personagem, no filme, virou um palhaço de circo, o Cauby chega a participar de um dos números dele durante o filme (essa é mais uma sequencia que tive que produzir 200 figurantes crianças. rsrsr)
mas não é du caralho?

domingo, 8 de agosto de 2010

"Eu Receberia... part 2"

Hoje é domingo. só rodaremos à noite, uma madrugada longa pela frente nos espera. Hoje é Dia dos Pais então, pela primeira vez na vida dei importância ao dia, saudades dos meus filhos, falei com eles e caí destruído. e é meio destruídaço que escrevo agora, vão desculpando. ainda hà pouco, no café da manhã, encontrei Akira Goto (diretor de arte) e Lula Araújo (diretor de fotografia) que comentavam a mesma coisa. todos estão com saudades de casa, dos filhos. todos estavam com o coração entristecidos, o Lula falou que chorou logo cedo ao falar com os filhos, "Nem sabia que eu tinha tanta água dentro de mim", falou entre risos e choro ao lembrar da cena que tinha feito no quarto.
Mas assim como todos estão com saudades de casa, todos também estão eufóricos pelo filme q ue estamos fazendo. cada plano é comemorado com entusiasmo. porque também cada plano é estudado nos mínimos detalhes, o Beto não gosta de refletores, bandeiras, essas parafernálias que a gente vê em set, ele gosta da luz natural, opta pela poesia, faz cinema com o coração, com o corpo, entregue. Vê o Beto e Renas no comando do filme é um presente. os caras são sutis, ao falarem com os atores, com a equipe. tudo é partilhado com todos, os caras fazem questão de ir até o maquinista que esta no caminhão e reafirma que o "filma ta ficando lindo. e tem o toque de cada um nele".
Ontem, ao final de um dia rodando sequencias maravilhosas fomos a uma boate, a turma se esbaldou. Cisco Vasques, o maquiador de efeitos e também making of, pegou a guitarra e fez um showzaço de blues com os caras daqui de santarém, depois a Camila Pitanga e Luciana Batista (assistente de direção) ficaram com a direção da pista de dança e assumiram como Djs. foi maravilhoso.
No dia de ontem rodamos as sequencias em que Lavínia se entrega a Cauby. foi um puta plano sequencia. Os dois faziam amor pela primeira vez e piraram dentro da casa, a sequencia começava na cama, como os dois trepando e seguia pela casa toda até o quintal, num banho de mangueira delicioso. aí Decião (Paulo Marrat) aparecia por sobre o muro para brechar, e rolava uma discussão. 5min e 15s de plano, que tal? du caralho. ensaiamos muito para poder rodar.
Um adendo para os atores de Belém, Paulo Marrat mandou muito bem, leve na cena improvisou tranquilo com os atores (essa é a orientação do Beto: Jogo. ninguem nem pega o roteiro no set, os atores jogam o tempo todo e quando está bom fechamos a cena). Nos dia 5 e 6 Paulão estava aqui para rodar as cenas do Chang, um pedófilo dono de um foto onde Cauby encontra Lavínia. foi bacana a cena também. de Belém ainda virá Paulo Santana, para encarnar o Delegado, contraceno bastante com ele, pois juntos o meu personagem (Polozzi, investigador) vamos atras de saber quem matou o Pastor (Zecarlos Machado), marido de Lavínia.
Hoje a noit o Gero Camilo estreia no set, ele faz um jornalista bisbilhoteiro que é o primeiro a saber que Cauby está comendo a Lavínia. o personagem do Gero é maravilhoso, é um dandi que vive por essas bandas, um cara culto com muita leitura, que está escrevendo o livro da sua vida, que de acordo com Beto Brant é "viagem a Andara", do Viente Cecim. o Beto pirou no livro.
Aliás esse é o primeiro personagem que eu vejo o Gero fazer no cinema que respeita realmente quem é o Gero. o Cara é um multitalentoso, poeta, compositor, dramaturgo. o cara é uma sapiencia. acabou de gravar um disco lindo (levo cópias para belém) e conversar com o Gero é se alimentar de informações das mais várias. já era fã dele, imagina agora.
bom por hj é só
bora ver se amanha consigo postar mais
alias hoje a noite chega a santarém a D. Onete que vai fazer um show pra gente no meio da praça. numa sequencia maluca que eu tive que produzir junto com meus assistentes 300 figurantes, vai ser na quarta feira. to em pânico. hahahah.
devo levá-la para alter do chão amanhã para os ensaios com um grupo que a gente formou aqui.
vou nessa. beijos a todos.

sábado, 7 de agosto de 2010

EU RECEBERIA AS PIORES NOTICIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS PART 1.

Enfim começamos a rodar. Claro que logo nas primeiras seqüências a serem rodadas a natureza nos pregou uma peça. Morando há dois meses em Santarém experimentando um calorão do cão, embaixo de um céu azul da porra, hoje, logo hoje, amanheceu chovendo e nossa seqüências que começaria em Alter do Chão com uma fotografia linda, caiu. Corremos para garantir a diária e puxamos as seqüências da tarde para as 10hs da manhã.
e às 10hs da manhã eu entrava em cena na pele do destemido investigados civil, Claudio Polozzi. a cena corria na seccional de santarém, quando Cauby (Gustavo Machado) vai fotografar tres indio presos pela cana dura.
8 takes depois, a sequencia estava pronta. toda em um plano sequencia bacanerrimo.
aliás, Beto Brant e Renato Ciasca gostam de plano sequencia, acreditam que o filme precisa pulsar, pensam no olho do espectador a toda hora, a câmera, uma sted linda (Penelope) vem deslizando em um movimento delicioso nas mãos de Lula Araújo, diretor de fotografia.
O Filme conta a história de um fotografo que esta na região amazônia desenvolvendo um projeto de fotografar as amazônas, quando cruza com Lavínia (Camila Pitanga) e cai de quatro. (quem nao cairia?)
Os dois começam a ter um tórrido romance, mas a mulher é casada com um Pastor de uma igreja evangêlica (Zecarlo Machado), que esta organizando um levante entre os fiés contra uma mineradora que esta atuando na região e fudendo geral a vida dos munícipes.
Claro que a história desse romance vai dar em merda. o Pastor é assassinado e Cauby é acusado, pois toda a cidade ja sabe do ramance dos dois. daí em diante o cara cai em uma curva descendente da porra.
mlheres!!! mulheres!!!
o texto original é do Marçal Aquino, que também assina o roteiro junto com o Beto e o Renato.
Fazer esse filme tem sido um puta do aprendizado, os diretores conseguiram montar uma equipe sensacional, todo mundo tem um astral lá em cima e trabalhamos realmente como equipe.
nos dias 5 e 6 rodamos as cenas mais tórridas de Cauby e Lavinia fazendo amor em sua casa. Nooossaaa só plano lindo.
ja viram que nao dá pra ser realmente um diário isso, ne.
temos saidos do set destruídos.
cansados.
felizes.
os dias tem começado às 5hs.
mas amanhã começamos as noturnas, o set abrirá às 18hs e por isso, a galera organizar uma festa em uma boite da cidade. bagaceira
aliás, estao com os motores ligados
hora de diversão galera
até terça feira.