sábado, 31 de janeiro de 2015

A COZINHA NOVA


A COZINHA NOVA
Nós mesmos trabalhamos na construção da cozinha nova. Era um acontecimento a chegada de madeira, cimento, areia, barro, telhas... Meu pai organizava os trabalhos e nós suávamos em bicas carregando o material para o quintal, mas era tudo com um prazer impossível de ser descrito.
Enquanto batíamos a massa ou quebrávamos as pedras conversávamos sobre tudo, geralmente ás gargalhadas. Cantávamos, falávamos sobre os nossos times no campeonato, minha mãe trazia sucos e meu pai mantinha a seriedade do trabalho.
Quando ficou pronto, por fim, a cozinha nova, com o banheiro finalmente dentro de casa, pia (e não mais giral) e até fogão novo, minha mãe tava feliz, meu pai tava feliz, meus irmãos estavam felizes, todos nós partilhávamos de uma felicidade muda, contida.
Devagar, e com cuidado para não ser percebido pelo outro, um a um admirava a cozinha nova, sem falar nada, sem demonstrar a felicidade. Era o jeito estranho que nós aprendemos de ser felizes. Calados.
Um lanche delicioso de pão bem quentinho, café e fanta uva e o sol de fim da tarde desenhando o final do telhado por sobre a mesa de tábua corrida, foram as testemunhas da estréia da cozinha, onde muitas histórias viveríamos ainda.

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