sábado, 31 de janeiro de 2015

Yogurte


Yogurte.
Meus filhos não acreditam em minhas histórias de pobreza de natal. sabem de nada. Inocentes. kkkk
Não acreditam que a primeira vez que peguei um taxi na vida, eu tinha mais de 18 anos, e era um fusca sem a cadeira do carona. kkkk
Que a primeira vez que vi televisão sentado no sofá da sala, eu tinha uns 10 anos. (antes era pegar janelada na cara na casa do vizinho).
Não acreditam que meu pai comprava sempre um número a mais do sapato para nós, para que ele durasse mais, e até o pé crescer preenchia com jornal a pontinha.
Mas a primeira vez que provei Yogurte, eles se cagam de rir.
Era um dia qualquer de Junho, a molecada estava reunida na rua, como sempre sem ter o que fazer, (só conversando miolagem).
De repente uma fumaça preta sobe aos céus vindo da direção do terminal rodoviário (morávamos duas ruas após o terminal), e uma notícia correu rápido. alguém chegou gritando: O Passarinho tá pegando fogo!
Se tratava do supermercado, que ficava logo atrás do terminal (hoje em dia o banco Bradesco). Como bons moleques de rua, corremos pra ver a desgraça dos outros.
Muita gente rodeava o local, carro de bombeiros, polícia, curiosos, trânsito fechado. Uma correria. Os funcionários se arriscavam para salvar a mercadoria e empilhavam no meio da rua um monte de caixas. O fogo subia alto e tomava rapidamente conta do local. A pobralhada agradecia a desgraça, era os funcionários empilharem as caixas, e a gentalha saia correndo carregando o que desse.
Então, algo brilhou mais que o fogo aos olhos do Robson Chita: Égua tão colocando iogurte na rua! _Que porra é iogurte?, replicou o Boi.
Rapá, apesar de estar quente, o sabor foi inesquecível. Ate hoje sinto o gosto de danone na boca, era Yougurte com "Y", tomamos tanto, que ainda deu pra brincar de guerra de iogurte na praça do Operário.
Cheguei em casa todo sujo, da cabeça aos pés.
A surra daquele dia foi com gosto de morango.

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