<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016</id><updated>2011-10-05T12:08:18.132-07:00</updated><title type='text'>Blog do Barroso</title><subtitle type='html'>Os textos a seguir fazem parte do livro: O Tamanho de Deus e outros contos menores, para maiores. 
charge: J. Bosco</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-1843692194761496733</id><published>2010-10-14T12:49:00.000-07:00</published><updated>2010-10-14T12:51:41.129-07:00</updated><title type='text'>Um tigre nunca perde suas listras</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O artigo primeiro do estatuto dos canalhas com princípios está escrito em letras garrafais:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;NEGUE. SEMPRE.! &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A princípio parece somente um conselho para inescrupulosos, mas como tempo se percebe o quanto de valia e de sabedoria tem essa primeira página.&lt;b style=""&gt;&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O estatuto tem uma estrutura livre, ele também vem com pequenos textos comportamentais para canalhas mirins ou neófitos na bagaça. Não é um livro para decorar, é um livro para se andar com ele, um livro de consultas. Lá também está escrito: Nenhuma mulher gosta de perdedores. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Se você esta baixo astral, contando as derrotas, é melhor nem sair à caça, o melhor é ficar em casa lambendo as feridas mesmo. É na caça que os seres humanos experimentam os seus instintos mais básicos e animalescos. Mulheres gostam de macho alfa, aquele que se destaca em “seja-lá-o-que-for”. “Quem não se destaca em nada está relegado aos restos e vive como hienas, se alimentando das sobras da caça dos machos mais ativos”, diz o texto. E no final do artigo diz assim: “se você está por baixo, minta. Invente uma história fantasiosa qualquer, diga que a falta da grana é porque o dinheiro está aplicado ou coisa parecida”. É assim, simples e rasteira as orientações, longe das metáforas e parábolas bíblicas, o livro é direto, como tem que ser. E não serve só para homens, não. Mulheres também se utilizam dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Mulheres são competitivas, se você quer aumentar o seu número de parceiras sexuais, arranje uma parceira fixa. O cheiro da competição é altamente afrodisíaco”. O mesmo artigo serve para mulheres. Seres humanos são competitivos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora, se você encontrar por aí uma mulher que tenha lido O Livro, cuidado. Muito cuidado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era porque naqueles dias eu estava meio para baixo, por isso deixei escapar a Kátia (é, mesmo quem conhece O Livro às vezes comete falhas capitais). Quando ela entrou no bar deu de cara com a minha cara de derrotado e desviou caminho. Kátia era uma mulher linda que eu estava há anos dando em cima e nada. Nesse meio tempo Kátia se casou com um cara apagado que sempre fiz questão de não ser amigo dele. Corria o risco da gente ficar amigos, e comer mulher de amigo é um dos pecados mortais escrito na terceira página do estatuto: crime passível de forca ou apedrejamento em praça pública.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Kátia era daquelas mulheres que a gente encasqueta e sonha mesmo até ter filhos juntos. Dona de um sorriso cativante e um humor ácido e estonteante, eu confesso que ficava bobo toda vez que a gente se encontrava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não queria que a Kátia me visse lambendo feridas em um bar. Bar não é lugar de lamber feridas. Artigo terceiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para completar a avalanche de coisas que não davam certo, arranjei uma namorada. Linda e cruel. Ninfomaníaca e ciumenta. Os primeiros meses foram de tanto sexo que andava fraco por aí, mal sabia eu que isso era um indício de quem tinha lido O Livro. Esta lá na 25ª página. Artigo 52: para não levar contraataque, castiga em casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Márcia era uma mulher desejável. Estávamos juntos ha quase um ano, e as minhas escapadelas precisavam ser cada vez mais precisas. Ela era uma dessas companheiras que faz questão de estar sempre ao lado. Sempre. Mas a qualidade também escondia uma estratégia: o de cão de guarda. Além de todos os meus problemas financeiros, que me impuseram até mesmo a venda do carro e menos idas ao bar, Márcia e Kátia tinham se transformado em um fardo, pesado e maravilhoso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Márcia adorava realizar minhas mais ousadas fantasias sexuais (ela topava me dividir com outra, desde que participasse do bolo). Ela era uma louca na cama, realmente eu não precisava de mais ninguém. Porém ela estava me transformando em uma ovelha, apagando meus instintos de caça, destreinando-me, adestrando-me. Ela tinha lido O Livro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A partir de determinado momento, só aparecíamos juntos nos bares. Eu olhava com água na boca os velhos companheiros de caça em suas estratégias: a posição da cadeira na mesa, os gestos, os olhares aquilinos nas presas que saracoteavam ao lado, as investidas. Chegava até mesmo a me divertir com os botes errados dos amigos, e fazia minha avaliação do erro dos outros silenciosamente, contido, ao lado de Márcia e dos casais amigos sentados em nossa mesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Márcia não permitia nem uma ingênua ida ao banheiro sozinho. Ela se levantava e ia junto, e na porta, enquanto esperávamos me agarrava e me beijava com lascívia. Somente na ida dela ao banheiro eu conseguia pular um pouco de mesa e rir com os amigos, mas era pouco tempo, logo, logo ela estava do lado rindo também. Dava pena de ver tanta mulher bonita pedindo para ser enganada, e eu posando de casado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas um tigre nunca perde suas listras. (conselho postado no 66ª página d’O Livro).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nem Kátia nem o marido tinham lido O Livro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E foi num dia de extremo estresse que ela pipocou no meu msn. Foi só ela dizer um simples “Oi” na tela fria do computador que a transformação começou a se dar em  mim. A cada linha de diálogo sentia meu corpo se transfigurando, minhas listras iam voltando, minhas narinas iam inflando para sentir naquela conversa amena o cheiro bom e doce de carne mal passada. Minhas garras feriam o teclado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A conversa terminou num singelo “tchau, um beijo”. Mas eu sentia que aquele silencio de anos quebrado através do meu monitor, deveria ter um motivo a mais. Kátia não era uma mulher de falar amenidades à toa. Ela sabia o que queria, sempre soube. Só errou em casar com aquele otário. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo 8º: para caças ariscas, busque ficar íntimo sem ser amiguinho. Use de sinceridade visceral. Ouça mais do que fale. Ganhe confiança. Se ela não ceder, Gelo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tive que consultar O Livro, pois os dias se passavam e todas as noites à mesma hora eu e ela nos encontrávamos no computador. Quando Márcia estava em casa, eu tinha que usar de alguns artifícios para estar diante do monitor na hora marcada, e me punha a trazer trabalho para casa. Márcia desfilava só de calcinha à minha frente, tomando sorvete diante da televisão, passando pra lá e pra cá de camiseta velha e rebolado estonteante. Isso me desconcentrava do papo com Kátia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Kátia, do outro lado do monitor, ria de bobagens que eu falava. Contava-me a vida que estava levando, as dificuldades do doutorado que estava enfrentando e finalmente deixou escapar um certo desentendimento com o marido. O suor escorreu pela minha fronte, um frio na barriga subiu. Mas me fiz de desentendido e me contive num simples: “por isso que eu não caso”. Ela pegou a deixa e disse que eu seria um ótimo marido, meus olhos se apertavam diante da tela, minhas presas cresciam, a saliva escorria no canto da boca. Meus instintos estavam tão voltados para o rosto de Kátia na janela do msn que nem percebi a aproximação de Márcia que engatinhava nua por debaixo da mesa. Tomei um susto quando ela abriu meu zíper. Fechei o computador num susto. Márcia também tomou um susto quando percebeu o quanto eu estava excitado e reclamou da minha cueca molhada. “É que eu to te vendo daqui, meu amor, é isso!”, ataquei, mas ela só fingiu que acreditou até se saciar e me questionar: “Não sabia que o trabalho te deixava excitado”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os dias foram passando, Kátia foi se entregando mais e os instintos de Márcia também foram evoluindo. Ela não sabia o que era, mas sabia que algo estava acontecendo, mesmo que eu não tivesse mudado em nada. Ou quase nada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O meu desejo particular por Kátia trouxe de volta o instinto de caça, nem ligava mais se a grana tava curta ou se eu tava prestes a ser demitido por aquele babaca do chefe. Por todo o dia e por toda a noite eu só pensava como eu ia armar o bote para Kátia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo 32: Nunca ame a sua comida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo 33: Coma apaixonadamente. Se entregue durante o ato, seja gentil e responsável pela sua presa, primeiro sacie a ela e só depois pense em você. Ligue no outro dia. Nunca dispense uma comida (não se sabe o dia de amanhã).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo 47: Mulheres em crise no casamento são uma das presas mais difíceis. A suposta facilidade esconde atrás de si a carência, um bicho que ficou acuado e que agora quer se soltar, e essa suposta liberdade sempre virá em altas intensidades.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Da frieza do computador, eu e Kátia passamos para as mensagens de textos no celular. Mas elas quase sempre chegavam na presença de Márcia, que já não se contentava quando eu dizia que era a operadora me oferecendo promoções. “Tens muita moral com essa operadora, hein. Ela não te deixa mais em paz”, desconfiava Kátia. Desliguei o aviso de mensagem e continuei me correspondendo. Até que chegou o dia de marcarmos um encontro. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu não andava, eu flutuava na expectativa de ter aquela mulher que há anos eu queria nos meus braços. Já sentia por antecipação os beijos daquela boca, os cheiros daquela pele. Mas antes de ir ao encontro, tinha que arranjar uma boa desculpa para Márcia que eu sabia que estaria em casa na hora que eu chegasse do trabalho. Resolvi não confrontar, de manhã, quando eu sai, já levei na mochila uma muda de roupa, ia descolar um lugar para tomar banho na rua mesmo. Nem me importei com o ônibus lotado naquele dia, o esfrega-esfrega do lotação amassava toda a minha roupa e me despenteava os cabelos, mas a esperança de reencontrar de novo aquela deusa era mais forte. Meu coração estava aos pulos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;À noite, depois que deixei o trabalho, tratei de ligar pra Márcia e inventar uma desculpa. Mas me ative em dizer somente que ia chegar tarde em casa, ela que me esperasse lá, pois aí eu também garantiria que ela não estaria na rua atrás de mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O banho foi na casa do Sales mesmo, ele inventou para a mulher dele que em casa tinha faltado água e me joguei no banheiro. Tomei um banho demorado, me perfumei com o que o Sales tinha e ainda passei minha roupa antes de deixar a casa do casal sob os olhares desconfiados da mulher dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Marquei com Kátia em um barzinho despintado, que eu nunca tinha ido, mas sabia que era limpeza. A Márcia jamais me procuraria ali.ninguém me procuraria ali, era um bar de play, de gente só estampa, dos nascido na década do nada, dos que gastam no som do carro para compensar o tamanho ínfimo do pau. Mas era um lugar com três ambientes e tinha um à meia luz para quem não quer ser descoberto. Foi pra lá que eu levei Kátia, assim que ela chegou, uma hora e meia atrasada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pedi um vinho, não seria a minha falta de grana que atrapalharia aquele momento, ela tomou, falou do passado, eu ouvi, falou do presente, eu ouvi, falou do futuro, eu ouvia, eu olhava, eu me admirava, eu participava, eu pensava, eu só pensava na hora do ataque, até aquele momento não tinha rolado nenhuma deixa, ela fala e falava e falava. E eu com o artigo 8º na cabeça. “Diante de mulheres carentes, seja um bom ouvinte. Mulheres adoram anunciar para as amigas que encontrou um homem delicado, educado, que escuta seus problemas e participa das soluções”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo 9º. “Afie seus instintos para perceber quando uma mulher quer desesperadamente ouvir mentirinhas agradáveis”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E ataquei. Já ia pela metade do vinho quando eu disse que eu estava esperando esse tempo toda por ela. Ela enrubesceu. Mas respondeu: não é o que eu ouço, sempre soube que você era um conquistar contumaz. Respondi, mas isso não se aplica a ti. Se eu fosse só um conquistador barato, eu já teria desencanado de ti (gosto de usar o verbo na terceira pessoa por que ele dá um clima de mais intimidade). Eu te vi casar, sofri com isso, e hoje eu te vi entrar nesse bar e fiquei gelado, não sinto isso por todas as mulheres, pode acreditar. Pra mim, tu não és só uma mulher, pra mim tu és uma paixão que me acende, que me devolve os instintos mais básicos da adolescência de um homem. Eu me sinto um menino do teu lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo 10º. Fale olhando no olho. Amacie sua voz, torne-a agradável. Diga uma sucessão de frases curtas contendo o que uma mulher deseja ouvir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Kátia calou. Baixou os olhos. Bebeu o resto do copo de vinho de uma única golada. Mexeu no cabelo. Pegou o lenço de papel e secou os lábios. (se ela mostrar inquietação é porque você está chegando muito perto. Está no caminho certo). Tu sabes que eu não deveria estar aqui né? (Outro indício que você está chegando perto é o movimento “espelho”, ela começa a falar com você na sua linguagem, o próximo passo será repetir os mesmos gestos). Mas é que minha vida, ela continuou, ta de cabeça pra baixo. Nem sei se fiz o certo vindo aqui, eu sabia que tu ias tentar me cantar. (sinal vermelho, mulheres casadas, confusas, podem se arrepender depois do ato e chorar no motel. É melhor recuar e deixar para ela os próximos passos.) &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Eu não estou dando em cima de ti, eu disse, só estou sendo sincero. Desculpa minha falta de jeito. Isso não vai mais se repetir, tentei encerrar o assunto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então Kátia fez o que todo ser humano faria quando precisa parecer importante para alguém e para si mesmo, puxou outros assuntos, mas caprichou no charme. Ela usava palavras que, ao dizer, tornavam a boca mais sexy, mexia no cabelo com delicadeza, usava gestuais claramente pensados para deixá-la mais atraente e fixava os olhos em mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O artigo 11º diz: “Se a mulher casada estiver sem muita confiança no que está prestes a fazer, seja a vítima. Deixe que ela se sinta tomando as rédeas da conquista. Encabule-se”. Acompanhei o livro. Eu desviar o olhar. A cada vez que o assunto poderia ter uma deixa para que eu entrasse com uma cantada eu me atinha em rir somente. Então ela não agüentou mais e deu sentido ao artigo 12º: “Ao ver você com um certo ar tímido, ela tomará uma atitude. Se ela não fizer isso, não vale a pena, guarde seus instintos pague a conta e saia com a certeza que evitou uma noite sofrível”. Mas Kátia não seria tão ingênua assim, ela queria ser amada, cortejada, mais que isso, ela merecia ser corteja e amada como uma mulher daquele porte exige, e quando menos eu esperava eu se aproximou de mim e disse: estou pronta pra correr atrás do tempo perdido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que se sucedeu a partir dessa frase? acho que eu não conseguiria traduzir em  palavras. Só sei dizer que foi o máximo, eu realmente nutria uma paixão por Kátia, tê-la na cama, disposta e disponível me dava a sensação de missão cumprida, negando um dos últimos artigos d’O Livro: “Nunca pense que você já comeu todas as mulheres que desejou. Sua vida acabará. É necessário sempre haver alguém mais para tornar a fazer sentido o instinto de caça. Se acaso você pensar assim estando com uma mulher, ou você está velho demais ou você finalmente se domesticou e esse livro não lhe servirá mais para nada. Passe-o adiante”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao olhar no espelho nossos corpos entrelaçados eu quase explodia de felicidade, ao testemunhar aquela mulher tendo um orgasmo meu peito pulsava em um ritmo nunca sentido. Realmente aquela mulher mexia comigo. Tanto, tanto, que nem sequer me preparei para gozar e quando percebi eu já estava ali gemendo, arfando agarrado àquele corpo, beijando aquela boca, envolto aos cabelos desgrenhados e suados de Kátia. Eu realmente tive um orgasmo. Meu corpo tremeu, eu me entreguei. Rasguei O Livro. “artigo 38º: Ao gozar, tente não perder totalmente os sentidos. É um momento bom para dizer palavras que deixe sua parceira orgulhosa de estar na cama com você. Emende palavras bonitas com palavras desconexas. Mostre a ela que você está orgulhoso e feliz de estar com ela”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Kátia me deixou na esquina de casa às 3hs. Entrei em casa rezando para que Márcia estive ido embora, eu queria curtir aquele momento do “pós” sozinho, deitado quieto, esperando o “descanso do guerreiro”. Mas não, Márcia estava lá, e acordada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Artigo 29º (para os casados): Em nenhuma guerra a frase “A melhor defesa é o ataque” se enquadra melhor do que na guerra conjugal. Se sua mulher reclamar de qualquer de suas ações suspeitas, magoe-se. Mostre-se ofendido. Reclame da falta de confiança da parceira. Não esmoreça. E sobretudo, lembre-se da primeira página: NEGUE. SEMPRE!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Foi o que fiz, o foi o que fez Márcia se acalmar e me deixar quieto. Armei uma rede na sala e deixei-a no quarto remoendo a falseta que acabara de fazer comigo. Adormeci pensando em Kátia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Cheguei cedo e disposto no trabalho. Sob os olhares ansiosos do Sales sentei na minha mesa e tamborilei um sambinha. Não demorou para que Sales metesse a cara por cima do computador. “me conta”, disse ele. Contei. Contei com brilho nos olhos, sorrisos nos lábios e gestos tão largos que chamou a atenção dos outros canalhas. O que ta acontecendo aí, O Fagundes perguntou se juntando a nós, O cara tá apaixonado, o Sales respondeu fazendo troça do meu companheirismo em contar.  Mas assumi, é isso. Isso mesmo, esse velho tigre está sob a sombra com um banquete ao alcance das patas. Isso vai dar merda, disse o Fagundes, sempre com um tom pessimista sobre as mulheres, se a Márcia descobrir tu estas morto. Isso era verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esperei bater as 10hs para mandar uma mensagem pelo celular para Kátia, ela não demorou a responder, em tom bem humorado. Ótimo, a noite valeu a pena para os dois. Artigo 53º: “A importância de ligar no “outro dia” não está em fazer ela achar que a noite foi importante, mas em você ter certeza de que sua performance foi boa. O tom e o nível de felicidade de sua presa é no que você tem que se ligar”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Minhas férias iam chegando, e achei que Márcia não precisava saber disso. Mas seria ótimo uma viagem de “negócios” com Kátia. Foi o que fiz, anunciei para Márcia que precisava passar uns dias fora para resolver coisas do escritório e combinei com Kátia três dias de felicidade no Arquipélago do Marajó. “que história é essa de viagem? Desde quando tu és escalado para viajar na tua empresa”, Márcia protestou sentindo cheiro de outra fêmea na savana. “Tu não estais percebendo,mas estou crescendo naquela empresa de merda. Meu chefe é um otário, mas ele não pode deixar de perceber que eu sou competente”, encerrei o assunto, arrumei as malas e fui ter meu pedaço de paraíso nesse plano espiritual. Kátia disse em casa que precisava fazer uma pesquisa para o doutorado. Na verdade eu não perguntava nada para Kátia sobre seu relacionamento, se ela quisesse que me dissesse, mas ela era uma dama, sempre reservada e fazia questão de não expor o marido para o amante, gostava disso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Três dias depois voltamos. Márcia não estava em casa, para ser sincero, nem senti falta, incorrendo no artigo 52º : A não ser que você esteja disposto a trocar de parceira, não deixe faltar afeto, atenção e sexo em casa. As mulheres sabem que isso só acontece por causa de outra e isso acende nelas o instinto de competição. Elas não agüentam achar que existe outra mulher melhor do que ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mais dois dias liguei para Márcia, ela atendeu fria, perguntou por que não liguei antes, e disse que acabei ficando por lá mais do que gostaria. Uma mentira fraca. Aliás, quando um homem está empolgado com outra mulher começa a achar que qualquer mentira que diga a sua companheira vai colar. Esse é um erro fatal. Artigo 50º: A mentira bem elaborada é um sinal de inteligência, que tende a enfraquecer pela paixão ou empolgação para com outra mulher. Lembre-se que o sinal de bom princípio de um canalha é deixar sua parceira sempre bem, para isso servem as mentiras, ou verdades inventadas, para melhor dizer. Não deixe dissabores para sua companheira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Márcia ligou o sinal de alerta total. Passou a escavacar meu computador, olhar meus bolsos, se ligar mais no meu cheiro e, sobretudo, no meu apetite sexual. Eu me encontrava quase todas as manhãs de minhas férias com Kátia, íamos a um motel, almoçávamos juntos e riamos de tudo como dois maconheiros idiotas. Era o céu. Eu pisava em nuvens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas um dia isso acabou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sem muita explicação, Kátia decidiu ficar cada vez mais sem tempo para nós. Um dia sem muita graça recebi um e-mail de Kátia explicando os motivos de seu afastamento e decretando nosso fim. Ela dizia estar muito envolvida comigo, que se preocupava de onde ia chegar aquela história, que estava confusa em jogar mesmo o casamento para o espaço e que gostaria de pensar sozinha. E que seria melhor não nos vermos mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fiquei de luto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fiquei puto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu estava sendo sincero mesmo com ela, havia jogado O Livro de lado. Estava me doando, queria viver aquilo intensamente. Não estava preparado para aquilo ter um fim tão abrupto. Adoeci de desejo. Tive até febre. O feitiço havia virado contra o feiticeiro, eu realmente havia voltado a ser criança.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Márcia chegou a se preocupar com minha falta de apetite com a vida. Me levava em bares, cinemas, mas tudo era realmente cinza ante os meus olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Minhas férias acabaram. Voltei para o trabalho com olheiras. Um leão ferido. O pessoal inquiriu o porquê, eu disse apenas que a praga do chefe tinha pegado e que eu passara todas as férias doente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas o tempo foi passando e sem notícias de Kátia, Márcia foi importante na minha recuperação. Voltei à vida. Voltei à Márcia, voltamos à vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Porém, como uma boa caçadora, Márcia ainda tinha assuntos para passar à limpo. E num lance de quem tem O Livro na cabeça, Márcia armou o bote.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Numa noite, ao chegar em casa, uma surpresa: mesa posta, velas, arranjos de panos sobre as paredes, um tapete vermelho desenha os passos que eu deveria dar e desenhava um caminho da porta de entrada até a cabeceira da mesa. Um cheiro olor de perfume se misturava ao cheiro de assado do prato que estava sobre a mesa. Uma música suave. Fui entrando, seguindo o tapete, larguei minha pasta no sofá e sentei à mesa. Márcia apareceu vestida com um provocante vestido branco com um decote que deixa seus seios fartos quase à mostra e que descia até o meio das pernas morenas e bem torneadas. Ela vinha trazendo uma garrafa de vinho nas mãos e abriu bem próximo de mim. “hoje você vai ter um banquete”, anunciou. Tentei pular em cima dela, mas ela pediu calma. “A comida da mesa pode esfriar, a comida aqui não esfria nunca”, disse com uma cara sem vergonha, movendo os lábios vermelhos delicadamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Comi afoito pensando na sobremesa. Bebemos vinhos. Rimos. “espera que vou buscar a sobremesa”, disse ela. Foi à geladeira pegou um sorvete depositou sobre a mesa. “Mas calma, não é para comer de colher”, avisou. Foi até o som, colocou uma música provocante, e fez um strip tease que quase me da uma congestão. Sobre o vestido uma combinação com calcinha branca quase me fez gozar só de assistir, enquanto eu estava sentado no sofá assistindo aquela deus se despir, ela pegou o sorvete e começou a passar no corpo, e finalmente, sentenciou: vem! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fizemos amor feito louco. Sim, fizemos amor. Eu gostava dela também, e ela me fazia sentir o peito tão abalado quanto Kátia. Nosso encaixe era perfeito e suas fantasias eram as mais ousadas, se eu não me concentrasse era capaz de ir primeiro que ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Finalmente quando nossos corpos suaram, se extasiaram, se cansaram, mas cansaram daquele jeito que o cérebro vira uma geléia, ela abriu a 110º página d’O Livro e declamou: “Sabe, eu te gosto tanto. Acho que nossa história é tão especial que nada abalaria o que a gente é.por que chega um tempo que sexo é importante, mas quando a gente pula essa fase a gente se depara com nós e com o outro, e com a percepção de que há muitas coisas nesse mundo que podem conflitar com um casal de companheiros. Tai, a gente é mais do que um casal, a gente é companheiro, no sentido mais profundo da palavra, e companheiro é isso, é sempre estar ao lado, agüentar firme as situações mais difíceis, mais dolorosas...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto ela falava eu alisava seu corpo moreno gostando de ouvir suas declarações, não pensava em absolutamente nada. Eu gostava de estar com ela e estava com ela, tinha passado por uma provação com Kátia, mas estava de novo com ela...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto isso ela discorria O Livro: pegou mais um copo de vinho e continuou: “...acho que o que a gente sente pelo outro suportaria até mesmo uma pulada de cerca. Porque sei que a gente sente desejos, não é por star com outro que a gente perde nossos instintos...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E eu estava tão frágil e tão feliz, que caí como um patinho. O pensamento em Kátia se tornou mais presente e mais presente também um certo sentimento de culpa, não por ter traído aquela mulher, por ter sentido que fui desleal com ela. E abre o jogo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olha, eu tenho uma coisa pra te dizer: ...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nunca mais vi Márcia. Nem Kátia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aprendi minha lição: Para se entender toda a história, é preciso saber que a primeira parte de um livro determinará o final.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-1843692194761496733?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/1843692194761496733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=1843692194761496733' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/1843692194761496733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/1843692194761496733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/10/um-tigre-nunca-perde-suas-listras.html' title='Um tigre nunca perde suas listras'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-3840397683201025292</id><published>2010-09-04T09:28:00.000-07:00</published><updated>2010-09-04T09:39:19.263-07:00</updated><title type='text'>tem coisas que só as imagens podem falar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ2EvrMz7I/AAAAAAAAADQ/V2AwFZQZSAE/s1600/IMGP4231.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ2EvrMz7I/AAAAAAAAADQ/V2AwFZQZSAE/s320/IMGP4231.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513098717744123826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ1YYbavOI/AAAAAAAAADI/uTVpSpSqw4s/s1600/IMGP4228.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ1YYbavOI/AAAAAAAAADI/uTVpSpSqw4s/s320/IMGP4228.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513097955589668066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;SABE DE ONDE TIRARAM O PERSONAGEM DO PALHAÇO DOS SIMPSONS??&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ01o9aNcI/AAAAAAAAADA/mLni8_gxXtE/s1600/IMGP4220.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ01o9aNcI/AAAAAAAAADA/mLni8_gxXtE/s320/IMGP4220.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513097358731785666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ0YUEbeII/AAAAAAAAAC4/BBg90GN0dUo/s1600/IMGP4227.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ0YUEbeII/AAAAAAAAAC4/BBg90GN0dUo/s320/IMGP4227.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513096854907877506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ERA SÓ UMA SEQUENCIA EM UM CIRCO. OLHA COMO A EQUIPE DE CÂMERA FOI.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-3840397683201025292?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/3840397683201025292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=3840397683201025292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/3840397683201025292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/3840397683201025292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/09/tem-coisas-que-so-as-imagens-podem.html' title='tem coisas que só as imagens podem falar'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TIJ2EvrMz7I/AAAAAAAAADQ/V2AwFZQZSAE/s72-c/IMGP4231.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-741998444726999770</id><published>2010-08-16T00:16:00.000-07:00</published><updated>2010-08-16T00:20:01.929-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjmgTJLR7I/AAAAAAAAACo/uXx4fZK89UQ/s1600/IMGP4147.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505903987029395378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjmgTJLR7I/AAAAAAAAACo/uXx4fZK89UQ/s320/IMGP4147.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjmDmxVbkI/AAAAAAAAACg/hsYwpIBuN6o/s1600/IMGP4148.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjl6Bx32aI/AAAAAAAAACY/5tmivgwTrQY/s1600/IMGP4123.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505903329533221282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjl6Bx32aI/AAAAAAAAACY/5tmivgwTrQY/s320/IMGP4123.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-741998444726999770?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/741998444726999770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=741998444726999770' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/741998444726999770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/741998444726999770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/blog-post.html' title=''/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjmgTJLR7I/AAAAAAAAACo/uXx4fZK89UQ/s72-c/IMGP4147.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-7434374667235711625</id><published>2010-08-16T00:10:00.000-07:00</published><updated>2010-08-16T00:15:05.585-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjlX_wtBjI/AAAAAAAAACQ/MmgVGgEmBBI/s1600/IMGP4130.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505902744875894322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjlX_wtBjI/AAAAAAAAACQ/MmgVGgEmBBI/s320/IMGP4130.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjlAUfMEJI/AAAAAAAAACI/i5UIIQh9m3E/s1600/IMGP4107.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5505902338122715282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjlAUfMEJI/AAAAAAAAACI/i5UIIQh9m3E/s320/IMGP4107.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje eu tenho muita coisa pra falar, esses dois dias em que passei sem foram muitos emocionantes e tão repletos que tive que dar um tempo para poder digerir, antes de relatar.&lt;br /&gt;Mas antes algumas explicações: algumas pessoas que tem freqüentado o blog andam reclamando que eu to escrevendo muito errado, que tenho salpicado vírgulas pelo texto e até mesmo que to usando muitos palavrões. Tudo bem, entendo as reclamações, mas gostaria também de contar com um pouco mais de paciência de vocês. Às vezes escrevo assim que chego do set, com mil palavras rondando minha mente, com as imagens frescas ainda nas minhas retinas e quero falar, falar e falar, e desse jeito vou inventando idiomas, desvirgulando frases, aÇassinando a gramática (agora foi uma brincadeira hein). Peço licença para errar meus caros leitores. Mas gosto das reclamações, postem seus comentário para eu sentir o feed back. Quanto ao palavrão, sei que ás vezes fica demais, mas outras vezes só um palavrão consegue conter a intensidade necessária da emoção do que quero dizer. Mas vou maneirar.&lt;br /&gt;HOJE FOI MAIS UM DIA DE AULAS DO MESTRE GERO CAMILO. Que facilidade que o cara tem de representar!!! Impressionante, e ter um diretor como o Beto Brant ajuda em muito a performance do ator, uma vez que ele deixa o caminho livre, cria junto, muda a cena, compõe a muitas mãos. Não me canso de elogiar a equipe. Lula Araújo também é um grande parceiro, entende o diretor, embarca na onda, e com sua alegria contagiante vai deixando o set cada vez mais leve. Esse filme é de ator. E pra ser um filme de ator, precisa ter um diretor competente e uma equipe sensível. É o que está acontecendo.&lt;br /&gt;Hoje foi o último dia do Gero Camilo no set. vai ter champanha no final. Tive que sair antes de terminar a diária hoje, não participarei da festinha. Mas já me sinto recompensado. Só de ver o Gero em cena é uma aula prática de como fazer cinema com personalidade. Esse filme ta ficando lindo.&lt;br /&gt;Na seqüências de hoje, Vicktor Laurence, próximo do seu suicídio resolve sacanear com Cauby ao mostrar as fotos nuas de Lavínia roubadas da casa do fotógrafo. No roteiro, a cena aconteceria em seu escritório. Mas nas mãos do Beto...&lt;br /&gt;Como a casa tem uma piscina seca, o Beto decidiu levar a cena pra lá. Pra ficar mais surreal, o Gero havia escrito um texto sobre a Lavínia, o Beto incluiu na cena, e a cena ficou escandalosa. Os dois fumam maconha dentro da piscina seca, enquanto Vicktor declama seu poema para Cauby, daí ele mostra o motivo de sua inspiração Cauby fica puto e preocupado, porque seu “segredo” está sendo descoberto e vai embora, e o Vickto/Gero termina a cena com a frase “Santa é a carne que peca”.&lt;br /&gt;A cena foi exaustivamente ensaiada. Chagamos no set ás 20hs, jantamos, e fomos ao ensaio. 21:30h começaram os ensaios, a cena só começou a ser rodada á 1h. cerca de oito takes depois, a cena terminava com todo o set aplaudindo a performance. Tiramos fotos de equipe e tudo.&lt;br /&gt;O Beto é o tipo de diretor que cuida de cada cena, quer sempre o melhor, não adianta o take meia boca. Cada take tem que ser sofisticado, um olho no trabalho dos atores, outro lho no movimento de câmera. 3:45m de plano seqüências, a cada take terminado o Lula Araújo saia estafado, pedia água e quando todos achavam que ele ia sentar um pouco, ele começa a dançar a dança do sapinho. (daqui a pouco eu conto o que é isso. Não, vou contar logo)&lt;br /&gt;O papai Lulinha, como ele é chamado, se juntou com o maluco do Akira e compuseram algumas músicas. A melhor, na minha opinião, é a Daca do sapinho. A letra é: “Eu tava no meu lugar/ veio uma moça me procurar/ a mamãe disse que isso tudo pode dar/ sapinho/ sapinho/ sapinho/ muitaquitã/ muiraquitã/ muiraquitã/ sapinho”, o Lula dançando isso é de cair no chão de tanto rir. Hoje acordei com essa música na cabeça. Hahahahahaha.&lt;br /&gt;Juntos, os compositores ainda fizeram uma música para lavinha (La vinha ela/ lá vinha ela...) Hilário!. Empolgante! É nesse clima que a gente trabalha. Que tal?.&lt;br /&gt;Voltando ao Gero.&lt;br /&gt;Anteontem rodamos a cena em que ele lê sua carta-testamento-crônica. Essa cena arrancou lágrimas da equipe. Vamos começar por aí. 17hs, o Beto ligou pro meu quarto e me convidou para ir ao ensaio. O set só abriria ás 20hs. Ensaiamos um pouco, mas rendeu pouco. O Beto confessou que estava com o raciocínio lento, que tinha dormido muito, e propôs jantar e depois continuarmos o ensaio. Depois do jantar ele esquentou. 21h e recomeçamos o ensaio, o Beto mandou toda a equipe voltar para o hotel, queria tempo, queria paz, queria distensionar. Ficamos a sós com o Gero e o Gustavo na cena. E era assim: o Beto provocava e o Gero ia. Na cena havia uma garrafa de absinto que deveria ser usada na cena, era absinto mesmo. O clima foi subindo. Beto e Gero estavam impossíveis. Na cena deveria ser dito alguns aforismos do Oscar Wide, mas não estavam se encaixando, então o Beto falou “Esse cara é um chato. Vamos esquecer ele. Vai falando o que vier à tua cabeça, Gero”. O que vinha á cabeça do Gero era poesia pura. Uma maluquice. 00h, o Beto mandou ligar para toda a equipe voltar ao set. uma hora de pré-light, e a cena recomeçava. Eram 8:45m de plano seqüências. Pauleira. Perdi as contas dos takes, o Lula suava em bicas, mas valente, pegava o Sted e mandava bala. Enfim, quando a cena ficou pronta, fomos revisar. Ao final, todos estavam com os olhos marejados, até o Gero. Aplausos. Euforia. Fechamos o set. fomos até a base e rolou muita cerveja, brindes. Alegria. Fomos direto ao café da manhã e depois um dia todo de sono.&lt;br /&gt;No sábado rodamos a cena que é passagem para o flash back que contará a história da Lavínia. A cena mostra Caubu andando bêbado pelas ruas escuras, ao passar por uma encruzilhada, um índio de MP3 sai do escuro e cruza com ele, Cauby nem sabe se é alucinação ou não, entra no breu da rua e cortamos para uma rua do Rio de Janeiro, o baixo meretrício para encontrar Lavínia drogada e prostituída.&lt;br /&gt;Cena simples de fazer, mas que o Beto transformou em mais um espetáculo.&lt;br /&gt;Espetáculo de generosidade.&lt;br /&gt;O índio que escolhemos para a cena é um da tribo dos Boraris, Poro. Essa tribo, e mais especificamente esse índio, estão numa luta ferrenha contra uns madeireiros e uma mineradora e mais o Governo Federal. Eles queres a redemarcação de sua terras, querem expulsar os madeireiros que estão destruindo o lugar e a mineradora que está invadindo mesmo suas terras.&lt;br /&gt;A cena estava marcada para acontecer na quinta-feira. Ás 15hs fiquei sabendo que o Poro não viria filmar. Estava em Altamira, numa reunião com o exército, só voltaria a Santarém na sexta. Fiquei em pânico, corri para produzir outro índio. Tinha mais dois em meu casting e mandei por e-mail para o Beto e o Renatão aprovarem. Ás 19hs, nenhuma resposta dos dois. Não sabia o que fazer, o set abriria em uma hora. Então foi falar com o Beto. E ele me deu mais uma aula:&lt;br /&gt;“Desculpa Adrianão, eu não consegui abrir mão do Poro. O cara ta lá, numa puta batalha pelas suas terras. O mínimo que eu posso fazer é colocar o cara no filme. Se ele não pode hoje, a gente derruba a seqüências. Vamos rodar quando ele puder”. Calei. Fiquei pensativo. Atordoado, sou de uma escola de cinema que foda-se o mundo, o plano é mais importante. E de repente, o plano muda por conta de um figurante. Jantei com esse choque. Compreendi. Achei perfeito. O máximo.&lt;br /&gt;Sexta-feira a produção pagou hotel para o Poro se hospedar, sábados fomos rodar a cena, na madrugada, o Poro curtiu, o Beto fez quatro takes até a cena ficar como ele queria.&lt;br /&gt;No início da noturna filmamos a cena de apresentação do Chico Chagas. Quando Cauby anda pelas ruas e encontra Chico Chagas com o carro no prego, e dá uma força a ele começando uma grande amizade.&lt;br /&gt;Armamos a cena em uma rua que estava tendo um aniversário, os 80 anos de Seu Diquito. Como fazer naquela barulheira? Simples. Nos misturamos a eles, fomos lá, parabenizamos o Seu Diquito e fizermos rapidamente um pacto: na hora de rodar, eles desligam o som, em troca eles assistem a cena. “Adoro quando acontece isso. O set aberto. Toda a equipe na frente do vídeo-assiste. Curtindo o que a gente ta fazendo.&lt;br /&gt;Esse é Beto Brant. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-7434374667235711625?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/7434374667235711625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=7434374667235711625' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/7434374667235711625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/7434374667235711625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/hoje-eu-tenho-muita-coisa-pra-falar.html' title=''/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGjlX_wtBjI/AAAAAAAAACQ/MmgVGgEmBBI/s72-c/IMGP4130.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-686985026713329425</id><published>2010-08-12T21:48:00.000-07:00</published><updated>2010-08-12T22:18:42.419-07:00</updated><title type='text'>Alucinações</title><content type='html'>Exatamente hoje lembrei que falta um mês para voltar pra casa. tenho saudades de minha casa, da minha baixinha, dos moleques. do meu quintal. ando meio macambuzio, é verdade. talvez o cansaço, talvez a distância mesmo de casa. pode parecer um contracenso, mas eu sou muito caseiro. não no sentido de ficar trancado em casa, mas no sentido de ter pra onde voltar. eu e monalisa temos olhado mais pra nossa casa. ajeitando, colocando coisinhas em seus lugares, imprimindo nossa personalidade na casa, um lugar onde os meninos curtem um bocado.&lt;br /&gt;Para se ter uma idéia da minha loucura, passei dois dias em alter do chão e quando retornei ao hotel, deitei na cama e pensei: finalmente to em casa.&lt;br /&gt;Depois da batalho dos 300 de ontem, o dia de hoje pode ser considerado light. rodamos uma alucinação do Cauby entre um grupo de carimbó. a sequencia é a continuação da de ontem. depois de ver Lavínia com o marido, Cauby vai a casa de seu amigo Vicktor Laurence e toma um porre de absinto, ao andar pelas ruas desertas, ele ouve um som de carimbó vindo ao longe e quando passa por um terreiro vê um grupo de carimbó evoluindo. a cena vai ser trabalhada na finalização para que tudo se confunda entre realidade e alucinação.&lt;br /&gt;Ah, sim. no início da noite, Camila Pitanga apareceu enquanto o grupo ensaiava (de verdade) para uma disputa que vai haver de manhã. advinha o que aconteceu? no inicio tava tranquilo, somente alguns curiosos, mas foi só um flash pipocar que começou o tumulto. o pessoal começou a avançar, e a Camila foi gentilmente convidada a deixar o set.&lt;br /&gt;Depois disso conseguimos limpar o set e deixar somente o grupo de carimbó. rodamos tres takes com Lula Araújo serpenteando com a penélope (câmera) entre as meninas, e que balançado. as meninas são umas diabas, dançam lindamente num balanço que parece a maresia do rio. a cena ficou linda mesmo.&lt;br /&gt;A sequencia e o alvoroço de ontem ainda estava na nossa memória. hoje no café da manhã, a Camila ainda comentava estupefata o que rolou ontem. no início levamos a sério, mas, claro, tudo virou sacanagem em nossos comentários, e cada um contava a sua versão do que tinha visto no tumulto de ontem. demos boas gargalhadas. a melhor veio da própria Camila. "Uma mocinha se aproximou de mim e disse, com convicção: um dia a gente ainda vai contracenar juntas. eu respondi: estou torcendo por isso, amiga. e ela começou a desfazer a cara de convicção e um choro foi transfigurando o rosto dela e ela saiu correndo no meio da praça" sensacional.&lt;br /&gt;No jantar, eu e o beto comentávamos a cena. eu estava preocupado se tinha salvado o plano, e ela me disse que o segundo take foi o melhor. ele me confesou que errou na estratégia, ficou meio agoniado e quase em pânico finalizou a sequencia. só relaxou mesmo hoje a tarde quando revisou o plano e percebeu que um take todo valeu. uma base de 3min de plano. que bom, eu pensei.&lt;br /&gt;foi a primeira vez que vi o beto preocupado com o resultado de uma sequencia rodada.&lt;br /&gt;agora estou só no hotel. na tv um cara com cara de nerd, diz que é artista plástico que pinta baratas. uma sucessão de baratas em close na Tv. em frente a Tv um chocolate mordido pela metade está cheio de formigas. tenho tentado transformar o meu quarto de hotel. preguei papeis na parede, um rolo de negativo, uma foto dos meninos. comprei uma orquídea na feira de artesanato. acho que ela não vai durar muito tempo.&lt;br /&gt;tá tudo estranho hoje&lt;br /&gt;muito estranho.&lt;br /&gt;vou beber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-686985026713329425?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/686985026713329425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=686985026713329425' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/686985026713329425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/686985026713329425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/alucinacoes.html' title='Alucinações'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-3837820095729400556</id><published>2010-08-11T20:42:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T22:16:23.060-07:00</updated><title type='text'>A batalha dos 300 -part 2</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGNuwS8_PqI/AAAAAAAAACA/DbPe-iweIow/s1600/IMGP4076.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGNuwS8_PqI/AAAAAAAAACA/DbPe-iweIow/s320/IMGP4076.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504364945577295522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, meu amigos. isso não é um show da Joelma, do Kalipso, é  só o final da batalha dos 300 de hoje a noite. Camila Pitanga causou histeria em santarém, e foi de uma hora pra outra. como diz a Dira "Tudo vai calma, basta um pra gritar e tudo vra histeria", foi o que a conteceu hoje. o resultado dessa batalha pra mim, foi o pé inchado, claro, muitos socos nas costas, arranhões, o já famoso "sai daí, negão" e algumas pessoas da galera feridas. uma loucura. a guerra que a gente tava esperando. mas isso foi só o final da batalha.&lt;br /&gt;desde as 14hs estava eu e Livea na base do elenco para receber a figuração, que pingava, pingava, pingava. cada pessoa que chegava a gente cadastrava, pegava a assinatura e mantinha-o na base. 15:35h pouco mais de 50 figurantes em nossa base. tudo começava a me preocupar.&lt;br /&gt;Enquanto eu estava no palco com a D. Onete e os musicos do Chico Malta, pelo rádio eu ouvia a Livea mandando contagens novas. "Nós não iamos chegar aos 300", faltava pouco menos de uma hora pra gente começar a rodar e nossa contagem não chegava a cem. o ônibus que a gente mandou para o pessoas co carimbó trazia apenas 60 pessoas das quase 100 que a gente contabilizava. fudeu-se. pensei. mas...&lt;br /&gt;enquanto isso na praça, muitos curiosos se aglomeravam. por varias vezes conversei com as pessoas sobre o que estava acontecendo ali. mas a noticia que a camila pitanga estaria naquela cena se espelhava. e se espalhava. e teve uma hora que tive que confirmar, mas pedi a compreensão de todos "Por favor sem fotos, nem autógrafos, voces todos estao convidados para a festa. vamos curtir".&lt;br /&gt;porra nenhuma. todos me enganaram. disseram: tudo bem, claro, por que não. Me fuderam.&lt;br /&gt;Na hora de rodar, a idéia era colocar nossa figuração proximo à Camila e o Zecarlo para "defende-la do assedio", qual o que. tudo se misturar. a gente tentou segurar o povão e trazer nossa figuração, mas virou uma cagada. todo mundo avançou, misturou tudo, e no primeiro take, todo mundo olhava pra câmera, olha pra ela, todo mundo espremia ela, a câmera não a encotrava naquele mar de cabeças. uma merda&lt;br /&gt;uma grande merda. Eu tava no video-assiste, eo beto olhou pra mim e disse: porque você colocou "aquele cara alto do lado da camila. ta uma merda isso". nem tentei me justificar. peguei o esporro calado, e corri pro lado da camila tentar organizar. Não adiantaria nada eu dizer que a galera avançou. a gente tava rodando na tal "hora mágica", no pôr do sol, e não tinhamos muito tempo de justificativas. tinhamos um tempo determinado pela natureza para fazer valer a cena.&lt;br /&gt;fomos por fuda-se. fui lá, organizei o pessoal, briguei com alguns, tirei as pessoas com maquinas fotograficas escondidas e dixei a Livea, minha assistente, abaixada dolado da camila para ir tirando a galera que ia chegando. a propria camila tambe´m ajudou, posicionando alguns figurantes, com toda a educação e charme.&lt;br /&gt;Rodamos tres takes, o ultimo foi legal. o sol ia se pondo, a luz caindo, o Lula Araujo entao decidiu abusar da luz que tinha e saiu serpenteando no meio do povo, usando todo o negativo, toda a luz que a natureza nos dava, atras da câmera o balé doa assistencia da direção, produção e minha era ridiculo, todo mundo se jogando no chao na hora que o Lula fazia um movimento brusco com o sted e virava em nossa direçao.&lt;br /&gt;enquanto isso, D. Onete arrebentava no palco, mandando ver bacanerrimo.&lt;br /&gt;A Luz caiu totalmente. o ultimo plano dá pra se salvar. camila dispensada.&lt;br /&gt;mas...&lt;br /&gt;houve um erro estratégico.&lt;br /&gt;ao inves dela sair em direção à nossa base, ela acabou ficando espremida em uma das barracas de lanche do outro lado da praça, e a multidao começou a se concentrar ali. como tirar ela de cena?&lt;br /&gt;à força! foi a resposta.&lt;br /&gt;lêdo engano, mas contei com a força do Aldão, o cara da elétrica, paraense também, que saiu abrindo caminho enquanto eu e alguns motoristas iamos tentando fazer um cordao ridiculo atras.&lt;br /&gt;peguei muito soco, arranhos, puxoes, chutes, etc ate chegarmos na base.&lt;br /&gt;ao chegarmos na base, ela entrou e eu fiquei tentando conter as pessoas, que choravam, imploravam pra vê-la, fotografá-la. porra nunca passei por isso. subi e fui ter com ela. ela tava mal, tambem nunca tinha passado por isso, não tava se sentindo bem com a situação. ela achava que estava destratando as pessoas, estava acuada, amuada. assustada. triste.&lt;br /&gt;De repente, o Beto e ela tem a idéia de ir até o palco, onde Chico Malta ainda tocava para agradecer o carinho do publico. "caralho que idéia genial" que merda. la ia eu me fuder de novo.&lt;br /&gt;e foi assim, ela foi para a sacada da base (uma casa altos e baixos) para ser fotografada e atrair o povo para o outro lado da van, que estava estacionada diante da casa, enquanto os policiais faziam um cordao pra ela sair.&lt;br /&gt;ela saiu, em meio aos empurrões histéricos.&lt;br /&gt;paramos a van ao lado do palco ela desceu. mais empurrões, socos, arranhos e ponta-pés. subiu no palco. mais histeria. todos queriam fotografa-las, eu e o pessoal do platô, mais motoristas tentamos conter a multidão, ela pegou o microfone, agradeceu, falou com o povo, em meio à explosões de flashes e tentativas de subir no palco. ela resolveu dançar carimbó ao som do chico malta e puxou algumas pessoas para dançar com ela. fudeu pra nós, todos queriam subir no palco. empurra-purra. a merda da policia só olhava, talvez extasiados com a beleza dela também, e comendo mosca. filhos-da-puta.&lt;br /&gt;por fim, acabou o show particular e à muito custo conseguimos colocá-la dentro da van e mandá-la pro hotel. o pessoal protestou, reclamou, me inquiriu, mas ainda tinhamos mais uma sequencia para rodar, na casa de vicktor laurence. o pessoal foi dispersando. fui sentar em um bar e contabilizar os ematomas do dia. pedi uma cerveja, duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESSE POST BEM QUE PODERIA SE CHAMAR "EU ODEIO CAMILA PITANGA"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-3837820095729400556?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/3837820095729400556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=3837820095729400556' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/3837820095729400556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/3837820095729400556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/batalha-dos-300-part-2.html' title='A batalha dos 300 -part 2'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/TGNuwS8_PqI/AAAAAAAAACA/DbPe-iweIow/s72-c/IMGP4076.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-9022228331610127703</id><published>2010-08-10T21:20:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T21:33:07.768-07:00</updated><title type='text'>Eu receberia... part 4</title><content type='html'>To Bêbado, antão vou escrever pouco... sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vimos o primeiro copião do filme. caralho. ca-ra-lho! todo o astral do beto, do renas, da equipe tá lá. vimos uma cópia telecinada dos tres primeiros dias, sem nenhum tratamento. e tá lindo. sério mesmo. toda a equipe vibrou. a exibição foi no cine Polozzi, toda a equipe tava lá, vibrando a cada cena, aplaudindo. a exibição (12 min) cortado já pela Simone Elias (assistente de direção) foi comemorada. todo mundo saiu de lá excitado. e uma parte foi pro quarto do Renas.&lt;br /&gt;Eu, Beto, renas, camila Pitanga, Gero camilo, ZeCarlos Machado, Bianca Vilar e Gustavo Machado, regatos a muita cerveja comentávamos o resultado do que foi telecinado e discutimos o que virá ainda. no meio da noitada, o Gero Camilo mostrou pra nós o que ele escreveu como uma espécie de carta testamento de seu personagem. caralho! o cara é foda! como o personagem dele é jornalista, e sabe do caso dos dois personagens principais, ele escreve uma crônica sobre o caso dos dois (que será responsável por incriminar de vez Cauby do assassinato do pastor) citando Gauguin, Verlaine, e toda a erudição de seu personagem (que também é dele). advinha o que aconteceu?&lt;br /&gt;O Beto meteu a mão no roteiro e derrubou a cena do cemitério. no roteiro original, o vicktor Laurence se suicida e deixa toda a sua biblioteca para a cidade. em seu enterro, os munícipes falam sobre a importancia daquele dândi. Mas o texto que o Gero leu hoje pra gente é tao mais interessante, fala tão mais do personagem, que o Beto decidiu mudar o roteiro, e, ao invés, de  mostrar aquela sequencia lógica do cemitério, o personagem fala sua carta-testamento-crônica para o espectador, direto para a câmera, amarra uma corda no pescoço e... corta.&lt;br /&gt;bem melhor.&lt;br /&gt;muito melhor.&lt;br /&gt;caíram os 30 figurantes que eu estou correndo pra produzir na sequencia de sexta feira. o filme ganhou mais, ficou mais lindo, o personagem do gero ficou mais profundo. o filme pulsa, meua s amigos, pulsa.&lt;br /&gt;du caralho, vão se fuder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-9022228331610127703?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/9022228331610127703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=9022228331610127703' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/9022228331610127703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/9022228331610127703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/eu-receberia-part-4.html' title='Eu receberia... part 4'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-1203419462636532766</id><published>2010-08-09T17:13:00.000-07:00</published><updated>2010-08-09T18:07:16.647-07:00</updated><title type='text'>Eu receberia... part 3 - 9-8-2010</title><content type='html'>A batalha dos 300.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o dia foi moleza pra mim. Fui destacado para acompanhar a D. Onete a Alter do Chão, desculpa aí. rsrsrsr. D. Onete foi escalada para o filme para fazer uma sequencia de um show que acontece na praça da cidade fictícia que estamos montando (através de recortes de santarém) onde Cauby vê Lavínia junto com o seu Marido, o pastor. morrendo de ciúmes vai a casa da Victor Laurence e toma uma porre.&lt;br /&gt;D. Onete foi escolhida por ser a mulher forte que é. produzi aqui em santarém uns músicos para acompanhá-la, o figuraça do Chico Malta, grande compositor de Alter do Chão. ela chegou a santarém na madrugada de ontem e hoje vim para Alter do Chão acompanhar os ensaios, que continuam amanhã pela manhã, á tarde voltaremos para Santarém e na quarta feira filmaremos a sequencia. sequencia que ficou conhecida por nós como a batalha dos 300.&lt;br /&gt;Batalha porque tive que produzir 300 figurantes para esta sequencia, uma missão nada fácil pois enfrentamos algumas muitas dificuldades. primeiro, por comando do Beto Brant não podemos divulgar na imprensa nada o que faremos por aqui, para não despertar a curiosidade das pessoas. as entrevistas só serão concedidas no meio deste mês. então meu trabalho teve que começar pelo boca a boca. primeiro entre os grupos de teatro da cidade, depois pelos dançarinos de carimbó, depois com os grupos de idosos e depois ainda através dos amigos que fizemos por aqui. foram momentos de tensão. eu e minha equipe passamos desde sexta feira correndo para produzir os 300 figurantes que ainda tinha que ter uma proporção entre homens e mulheres, jovens, adultos, maduros, etc.&lt;br /&gt;E mais um problema foi a pessima impressão que o Thainá 3 esta deixando na cidade. segundo alguns figurantes os caras destratam a galera da cidade. então todo mundo só vai pra figuração se for paga (que nao é o caso dessa festa, a idéia é pagar lanches, comidas tipicas etc por conta da produção). O que é uma pena, pois no filme que estamos fazendo, a proposta dos diretores e manter a digital da cidade. todos os figurantes são muito bem tratados. antes de cada cena, eu e Luciana Batista (asistente de direção) fazemos questão de ar o bom dia e explicar pormenorizadamente qual a sequencia que rolará naquele dia e o porquê deles terem sido escolhidos para fazer tal sequencia.&lt;br /&gt;Mas conseguimos vencer a batalha dos 300. Nosso cadastro de figuração ate a data de hoje ja chega a  385 pessoas. mas a guerra continua, já que eu e minha equipe teremos que organizar essa galera toda. e tudo tendo camila pitanga e gero camilo entre os mortais. toda a equipe está apreensivo por esta sequencia, que é, sem duvida a mais punk de todas. além dessa ainda teremos a camila pitanga andando entre as ruas comercio, uma manifestação no meio do rio arapiuns (serão 3 dias dormindo no barco para a equipe) e uma festa de casamento em itaituba, mas nada se compara a esta sequencia. estamos na torcida que dê tudo certo.&lt;br /&gt;Mas para me garantir tive que desobedecer a direção.&lt;br /&gt;Corri para arranjar stand-ins da camila pitanga, do gustavo machado, do zecarlo machado e do gero camilo. (stand-ins são atores que se parecem com os atores principais e trabalham na marcação de cena, luz etc. para não desgastar os atores principais) O Beto Brant ja havia dito que não queria isso, que sentia como se a gente estivesse enganando as pessoas da cidade. que era deselegante, um lorde. mas ainda assim, para me garantir, fui atras dessas pessoas sem ele saber. Porém ele mesmo já havia sentido o drama que é ter uma atriz com a popularidade da Camila Pitanga nas cenas em que fizemos em um foto no centro da cidade. Mesmo a sequencia sendo interna, uam multidão se espremeu do outro lado da rua para ver a camila. e eles sentiam, sei la como, quando o diretor cortava a câmera e ficavam gritando do outro lado da rua. "ô Camila, cadê você, eu vim aqui só pra te ver". Para acalmar os ânimos a camila teve que ir à rua várias vezes para deixar-se ser fortografada, deixando em polvorosa a produção de set, e, sobretudo, a mim, pois sou o responsável por ela no set. uma espécie de "segurança" como o pessoal da cidade me chama. faço o papel do chato que diz quando chega de tirar foto. o mesmo papel que fiz com a dira paes no ribeirinho do asfalto em belém. chato, logo eu o chato. hahahahah.&lt;br /&gt;Aliás, o Beto tem essa faculdade incrível de respeito às pessoas e mais ainda, de adequar o filme ao que a cidade apresenta. um belo exemplo disso se chama Magnólio.&lt;br /&gt;Magnólio é um cara que encontramos na cidade, ele é o palhaço de um circo incrível, que está ligado a um projeto de uma ong, o Saúde Alegria, que leva assistencia médica a ribeirinhso menos afortunados num navio que tem até U.T.I. o trabalho dele é, através das palhaçadas, ensinar noções de higiene pessoal às crianças. incrível.&lt;br /&gt;E o Magnólio é um cara incrível, primeiro na aparência. ele é branco queimado de sol, tem vitiligo pelo corpo todo, usa um cabelo esbranquiçado pelo tempo e que parece o bozo e tem uma voz que parece que fez traquiostomia.&lt;br /&gt;Quando o Beto conheceu esse cara e conheceu a história dele (o cara fez teatro em sao paulo na década de 70, trabalhou com grandes nomes como Paulo Autran, Ítalo Rossi, e muitos etcêteras, veio parar en satarém por motivos humanitários, viaja o mundo inteiro e é meio bruxo, maconheiro pra caralho também). quando o Beto se aproximou dele, acabou modificando um personagem do roteiro para caber nesse cara.&lt;br /&gt;Chico Chagas é um personagem que aparece no livro do Marçal Aquino como um matador de aluguel, que fica amigo do Cauby, e ,exatamente em nome dessa amizade, não aceita o "trabalho" que oferecem pra ele de matar o Cauby, acaba indo a casa do fotografo para avisá-lo que querem matá-lo e aconselha a ele a sair da cidade. O personagem, no filme, virou um palhaço de circo, o Cauby chega a participar de um dos números dele durante o filme (essa é mais uma sequencia que tive que produzir 200 figurantes crianças. rsrsr)&lt;br /&gt;mas não é du caralho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-1203419462636532766?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/1203419462636532766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=1203419462636532766' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/1203419462636532766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/1203419462636532766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/eu-receberia-part-3-9-8-2010.html' title='Eu receberia... part 3 - 9-8-2010'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-4631766612476239209</id><published>2010-08-08T09:37:00.000-07:00</published><updated>2010-08-08T10:02:04.821-07:00</updated><title type='text'>"Eu Receberia... part 2"</title><content type='html'>Hoje é domingo. só rodaremos à noite, uma madrugada longa pela frente nos espera. Hoje é Dia dos Pais então, pela primeira vez na vida dei importância ao dia, saudades dos meus filhos, falei com eles e caí destruído. e é meio destruídaço que escrevo agora, vão desculpando. ainda hà pouco, no café da manhã, encontrei Akira Goto (diretor de arte) e Lula Araújo (diretor de fotografia) que comentavam a mesma coisa. todos estão com saudades de casa, dos filhos. todos estavam com o coração entristecidos, o Lula falou que chorou logo cedo ao falar com os filhos, "Nem sabia que eu tinha tanta água dentro de mim", falou entre risos e choro ao lembrar da cena que tinha feito no quarto.&lt;br /&gt;Mas assim como todos estão com saudades de casa, todos também estão eufóricos pelo filme q ue estamos fazendo. cada plano é comemorado com entusiasmo. porque também cada plano é estudado nos mínimos detalhes, o Beto não gosta de refletores, bandeiras, essas parafernálias que a gente vê em set, ele gosta da luz natural, opta pela poesia, faz cinema com o coração, com o corpo, entregue. Vê o Beto e Renas no comando do filme é um presente. os caras são sutis, ao falarem com os atores, com a equipe. tudo é partilhado com todos, os caras fazem questão de ir até o maquinista que esta no caminhão e reafirma que o "filma ta ficando lindo. e tem o toque de cada um nele".&lt;br /&gt;Ontem, ao final de um dia rodando sequencias maravilhosas fomos a uma boate, a turma se esbaldou. Cisco Vasques, o maquiador de efeitos e também making of, pegou a guitarra e fez um showzaço de blues com os caras daqui de santarém, depois a Camila Pitanga e Luciana Batista (assistente de direção) ficaram com a direção da pista de dança e assumiram como Djs. foi maravilhoso.&lt;br /&gt;No dia de ontem rodamos as sequencias em que Lavínia se entrega a Cauby. foi um puta plano sequencia. Os dois faziam amor pela primeira vez e piraram dentro da casa, a sequencia começava na cama, como os dois trepando e seguia pela casa toda até o quintal, num banho de mangueira delicioso. aí Decião (Paulo Marrat) aparecia por sobre o muro para brechar, e rolava uma discussão. 5min e 15s de plano, que tal? du caralho. ensaiamos muito para poder rodar.&lt;br /&gt;Um adendo para os atores de Belém, Paulo Marrat mandou muito bem, leve na cena improvisou tranquilo com os atores (essa é a orientação do Beto: Jogo. ninguem nem pega o roteiro no set, os atores jogam o tempo todo e quando está bom fechamos a cena). Nos dia 5 e 6 Paulão estava aqui para rodar as cenas do Chang, um pedófilo dono de um foto onde Cauby encontra Lavínia. foi bacana a cena também. de Belém ainda virá Paulo Santana, para encarnar o Delegado, contraceno bastante com ele, pois juntos o meu personagem (Polozzi, investigador) vamos atras de saber quem matou o Pastor (Zecarlos Machado), marido de Lavínia.&lt;br /&gt;Hoje a noit o Gero Camilo estreia no set, ele faz um jornalista bisbilhoteiro que é o primeiro a saber que Cauby está comendo a Lavínia. o personagem do Gero é maravilhoso, é um dandi que vive por essas bandas, um cara culto com muita leitura, que está escrevendo o livro da sua vida, que de acordo com Beto Brant é "viagem a Andara", do Viente Cecim. o Beto pirou no livro.&lt;br /&gt;Aliás esse é o primeiro personagem que eu vejo o Gero fazer no cinema que respeita realmente quem é o Gero. o Cara é um multitalentoso, poeta, compositor, dramaturgo. o cara é uma sapiencia. acabou de gravar um disco lindo (levo cópias para belém) e conversar com o Gero é se alimentar de informações das mais várias. já era fã dele, imagina agora.&lt;br /&gt;bom por hj é só&lt;br /&gt;bora ver se amanha consigo postar mais&lt;br /&gt;alias hoje a noite chega a santarém a D. Onete que vai fazer um show pra gente no meio da praça. numa sequencia maluca que eu tive que produzir junto com meus assistentes 300 figurantes, vai ser na quarta feira. to em pânico. hahahah.&lt;br /&gt;devo levá-la para alter do chão amanhã para os ensaios com um grupo que a gente formou aqui.&lt;br /&gt;vou nessa. beijos a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-4631766612476239209?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/4631766612476239209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=4631766612476239209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/4631766612476239209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/4631766612476239209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/eu-receberia-part-2.html' title='&quot;Eu Receberia... part 2&quot;'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-5000944057698079018</id><published>2010-08-07T16:30:00.000-07:00</published><updated>2010-08-07T16:42:00.308-07:00</updated><title type='text'>EU RECEBERIA AS PIORES NOTICIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS PART 1.</title><content type='html'>Enfim começamos a rodar. Claro que logo nas primeiras seqüências a serem rodadas a natureza nos pregou uma peça. Morando há dois meses em Santarém experimentando um calorão do cão, embaixo de um céu azul da porra, hoje, logo hoje, amanheceu chovendo e nossa seqüências que começaria em Alter do Chão com uma fotografia linda, caiu. Corremos para garantir a diária e puxamos as seqüências da tarde para as 10hs da manhã.&lt;br /&gt;e às 10hs da manhã eu entrava em cena na pele do destemido investigados civil, Claudio Polozzi. a cena corria na seccional de santarém, quando Cauby (Gustavo Machado) vai fotografar tres indio presos pela cana dura.&lt;br /&gt;8 takes depois, a sequencia estava pronta. toda em um plano sequencia bacanerrimo.&lt;br /&gt;aliás, Beto Brant e Renato Ciasca gostam de plano sequencia, acreditam que o filme precisa pulsar, pensam no olho do espectador a toda hora, a câmera, uma sted linda (Penelope) vem deslizando em um movimento delicioso nas mãos de Lula Araújo, diretor de fotografia.&lt;br /&gt;O Filme conta a história de um fotografo que esta na região amazônia desenvolvendo um projeto de fotografar as amazônas, quando cruza com Lavínia (Camila Pitanga) e cai de quatro. (quem nao cairia?)&lt;br /&gt;Os dois começam a ter um tórrido romance, mas a mulher é casada com um Pastor de uma igreja evangêlica (Zecarlo Machado), que esta organizando um levante entre os fiés contra uma mineradora que esta atuando na região e fudendo geral a vida dos munícipes.&lt;br /&gt;Claro que a história desse romance vai dar em merda. o Pastor é assassinado e Cauby é acusado, pois toda a cidade ja sabe do ramance dos dois. daí em diante o cara cai em uma curva descendente da porra.&lt;br /&gt;mlheres!!! mulheres!!!&lt;br /&gt;o texto original é do Marçal Aquino, que também assina o roteiro junto com o Beto e o Renato.&lt;br /&gt;Fazer esse filme tem sido um puta do aprendizado, os diretores conseguiram montar uma equipe sensacional, todo mundo tem um astral lá em cima e trabalhamos realmente como equipe.&lt;br /&gt;nos dias 5 e 6 rodamos as cenas mais tórridas de Cauby e Lavinia fazendo amor em sua casa. Nooossaaa só plano lindo.&lt;br /&gt;ja viram que nao dá pra ser realmente um diário isso, ne.&lt;br /&gt;temos saidos do set destruídos.&lt;br /&gt;cansados.&lt;br /&gt;felizes.&lt;br /&gt;os dias tem começado às 5hs.&lt;br /&gt;mas amanhã começamos as noturnas, o set abrirá às 18hs e por isso, a galera organizar uma festa em uma boite da cidade. bagaceira&lt;br /&gt;aliás, estao com os motores ligados&lt;br /&gt;hora de diversão galera&lt;br /&gt;até terça feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-5000944057698079018?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/5000944057698079018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=5000944057698079018' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/5000944057698079018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/5000944057698079018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/08/eu-receberia-as-piores-noticias-dos.html' title='EU RECEBERIA AS PIORES NOTICIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS PART 1.'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-274011561836599320</id><published>2010-07-09T10:58:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T11:03:18.786-07:00</updated><title type='text'>ADORO</title><content type='html'>Encontrei uma amiga num bar outro dia, que me contou que recebeu uma cantada com frases desse humilde blog. po, perguntei logo se ela caiu, e ela disse que sim. Então meu caros leitores, o blog cumpriu sua missão que é de fazer gente comer gente. hahahaha.&lt;br /&gt;mas a série O tamanho de deus acabou&lt;br /&gt;e agora vou postar o diário de produção do longa metragem que estou fazendo em santarém com direção de Beto Brant e atuações de Camila Pitanga, Gero Camilo, Eu (claro), Gustavo Machado e Zecarlos machado.&lt;br /&gt;o diário começará no dia 04 de agosto. até lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-274011561836599320?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/274011561836599320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=274011561836599320' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/274011561836599320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/274011561836599320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/07/adoro.html' title='ADORO'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-8527358305597677014</id><published>2010-04-15T10:14:00.000-07:00</published><updated>2010-04-15T10:20:27.651-07:00</updated><title type='text'>Lolita</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CBarroso%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De todas as heranças malditas deixada pelo cristianismo, a pior é a culpa. Gostaria de prefirir Darwin, queria muito acreditar na seleção natural, na evolução, na perpetuação das espécies (no caso a dos canalhas). Mas essa praga do cristianismo achata nossa inteligência, fazendo-nos acreditar em um criador. Nós, ocidentais, somos uns perdidos. Só uma criatura perversa poderia criar o bem e o mal, o pecado e o perdão e a culpa, o sufocante e doloroso sentimento de culpa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Da primeira vez que a vi, jurei que ela não tinha nem quinze anos. Cheguei mesmo a desviar o olhar daquela boca sensual quando ela veio me fazer uma pergunta qualquer e abriu e fechou aqueles lábios carnudos movendo a língua lá dentro da boca para em seguida fechar, deixando-os entreabertos, onde se via levemente os dentes brancos. Eu ri e desconversei logo, mas ela disse “Ta rindo de quê?” fiz uma pergunta. E eu fiquei todo errado logo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando saí da sala coloquei imediatamente toda a culpa no idiota do dono do meu apartamento. Onde já se viu aumentar o aluguel que estava quietinho há três anos? Com o aluguel mais caro e com meu salário de merda eu tive que procurar uma renda extra, pois nada mais injusto que perder noitadas em bares por causa de dinheiro. Então corri para o cursinho de um amigo para dar aulas de literatura brasileira à noite, em troca da manutenção dos bares de Belém.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sala de aula de cursinho é um universo bem a parte da vida lá fora. Pega-se um cubículo, coloca-se um quadro em uma das paredes, põe-se um cara para falar de determinado assunto e enche-se o que sobrou de espaço dos mais variados tipos da fauna de uma cidade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em uma sala de cursinho não há classes sociais, as pessoas não são causas, são efeitos do que fizeram na vida escolar pregressa, e isso determina o comportamento de todos, da roupa que se está vestindo até o nível do interesse. De repente a imagem pode virar do paraíso de perninhas de fora em mini saias mínimas, para a quinta porta do inferno de Dante de “nerds” de cabelos arrepiados e óculos fundo de garrafa perguntando sem parar o que você acabou de explicar: "Eu disse que o Naturalismo aparece como os primeiros passos para o pensamento teórico evolucionista. E-VO-LU-CIONISTA, e não Revolucionista!! entendeu? Darwin, sacou?", para ouvir logo um "ahhhhhhh, agora entendi. O senhor precisa articular melhor as palavras". &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Odeio nerds. Não gosto de gordos que vivem suados, como cara que sentava bem na direção da minha mesa. Detesto bocas pintadas de vermelho mastigando chicletes com força, ladeada por um celular róseo, com a Bety Boop pendurada, como a moça do lado. “Larga esse celular, menina. Ta esperando ligação?” Odeio o dono do meu apartamento. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas dar aulas também tem compensações maravilhosas, todas depositadas naqueles rostinhos lindos e olhinhos brilhantes, buscando aprender o que nunca deu bola, só para conseguir alcançar o sonho de ter um diploma de médica, de advogada, de assistente social, de jornalista, de fisioterapeuta. E o professor é o macho alfa da sala de aula, aqueles que todos acreditam encerrar em si todo o conhecimento, e claro, elas adoram dar para professores, por acreditarem, talvez, que o conhecimento acontece por osmose. Adoro cursinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu abomino pedofilia, acho uma doença terrível. Mas aquela boquinha falando comigo me dava calafrios e vontade de ir para casa me chicotear as costas como dizem que fazia Carol Wojtyla, ao se sentir tentado. “O diabo tem várias faces”, fui atrás de minhas poucas aulas de catecismo com a professora Laura, uma morena gostosíssima, que falava em Deus com um charme, que era capaz de levar qualquer um para a cruz, e eu só pensava na santa ceia que seria aquele corpo desnudo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Qual a principal base do determinismo, professor?”, falou aquela boca maravilhosa, com o corpo se debruçando sobre a minha mesa. “O meio influencia o homem”, respondi seco, objetivo, duro, ereto, olhando para a classe toda. Mas foi só ela se afastar que baixei minha cabeça e a olhei como quem não quer nada. Que bunda! Meu deus, que bunda! Arrebitadinha e apertadíssima em uma calça jeans que deveria ser vestida a vácuo. Pernas roliças, e jeitinho de andar infantil. Ai, quando crescer vai dar um trabalho...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela tinha um charme encantador, cabelos à altura dos ombros,olhos negros agateados, boca carnuda, dentes terrivelmente brancos postos um ao lado do outro em harmonia infernal, a voz era rouca, suave, delicada, a fala era pausada, o olhar continha um delicioso charme infantil. Certamente, não devia ter nem 16 anos completos. Meu deus quantas chibatas eu merecia? Me dá uma resposta! Mas deus em sua infinita covardia se calava ante aquela tentação ambulante, falante, rebolante. Desconcertante, excitante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um dia me surpreendeu quando entrei na sala de aula e a encontrei em pé de costas conversando com outras meninas. Ela calçava uma sandália branca, adornando perfeitamente os pezinhos nus, morenos. Mais a cima do joelho, começava uma sainha preta de pregas, acompanhada de uma blusa branca, simples, colada, que quando ela virou de frente vi que estava sem sutiã e que apertava aqueles seios pequenos, redondos, duros deliciosos. Pedi licença e fui ao banheiro. Chutei a pia com a canela e voltei pra sala de aula mancando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Professor, não entendi porque o autor compara a Rita Baiana a uma cadela no cio”. “É pela sensualidade”, falei com pouco ar, ainda sentindo dores na canela. Cão no cio era eu!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E aí, para relaxar desandei a falar de como &lt;st1:personname productid="em O Corti￧o" st="on"&gt;em O Cortiço&lt;/st1:personname&gt; o autor desenvolve o processo de zoomorfismo, a transformação do homem &lt;st1:personname productid="em animal. Senti" st="on"&gt;em animal. Senti&lt;/st1:personname&gt; que eu babava enquanto falava, olhando para a sala inteira e evitando aqueles peitos acochados. Olhava para os nerds e via neles hienas repugnantes, olhava para a menina do chiclete e a via como um boi ruminante, as das sainhas curtas eram puramente vacas ou galinhas, o gordo da frente era um búfalo, e a minha Lolita era a Rita Baiana. E eu, eu era um pobre Jerônimo, que dei para beber cafés e reclamar da vida. Um cabra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Próximo ao vestibular começou os viradões. Minhas olheiras iam longe, trabalhava o dia inteiro naquele escritório infernal e a noite ia dar aulas no cursinho e depois, claro, ia purgar aquele desejo pedófilo no bar São Jorge, tendo o Veloso, o garçom, como única testemunha do meu silêncio mofino. “Que foi meu patrão, cadê a mulherada?”, perguntava o Veloso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Naquela noite, era sexta-feira, entre alguns alunos tínhamos combinado de relaxar no São Jorge depois das aulas, que a essa altura terminavam uma da manhã. Muitos alunos foram, gazetando a aula final de matemática, a matilha era grande e estava aberta a temporada de caça, escolhi a mais fácil para não ter que suar muito a camisa. E, em pouco tempo, já tava tudo engatilhado. Ia fazer muito barulho no meu apartamento para me vingar do meu locador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas jamais esperava que a Lolita aparecesse quase duas da manhã, segurando o caderno comprimido entre os seios e com aquela saia de pregas, dessa vez vinha adornada de tênis preto e meia branca até o joelho. “Minha nossa senhora das normalistas!!! É muita tentação!”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela entrou no bar acompanhada de outras amigas e vieram sentar exatamente na nossa mesa, que a essa altura era a mais animada, por conta das cervejas muitas depositadas na mesa. Ela sentou reclamando da aula de matemática, eu me calei, mas não conseguiu desgrudar os olhos dela. Esqueci a vaca fácil que eu pensava em levar pra casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Assim que ela chegou, alguns alunos começaram a dar mais atenção àquela boca entreaberta, que mostrava os dentes. Que ora sorria, ora se calava. Peguei um susto quando a vi beber uma cerveja. “Meu deus, será que o pai dela sabe que ela bebe? E eu estou na mesa, vou levar a culpa também”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O bar continuava lotando, toda hora chegava gente, os garçons já não davam conta de tantos pedidos. As cervejas da mesa cessaram, então me levantei e fui, meio cambaleante, ao balcão pedi mais duas. Me assustei ao ouvir a voz rouca, meiga e doce falar ao meu lado. “Mudou de mesa, professor?”. Tremi. Virei o rosto devagar, ajustei o olhar mais para baixo, para encontrar os dela. “Não, imagina, eu só estou ajudando o garçom”, enrolei a língua. “Eu sou tão baixinha perto do senhor”, ela disse. “Pára de me chamar de Senhor, eu me sinto um velho”, falei com um sorriso idiota na boca. “Então, como eu devo lhe chamar?” “de qualquer coisa, apenas me chama, que eu já vou achar ótimo”. Me arrependi imediatamente da fala canalha-clichê. Que merda, que é que eu to fazendo? Peguei as cervejas e corri pra mesa, dessa vez nem cambaleei. Pensei que eu precisava colocar uns espinhos naquele cinturão em que eu me autoflagelava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela percebeu que mexia comigo, tomou a iniciativa total. Puxou a cadeira e sentou ao meu lado. Gelei. Rindo e ligeiramente bêbada, ela puxou conversa com a amiga do lado e depositou a mão em minhas coxas em baixo da mesa. Esquentei. Fiquei sem jeito. Pensei no chicote com espinhos, minhas costas ensangüentadas e o vizinho do apartamento que batia na parede todas as noites “Pára de gritar, fresco!”, mal sabia ele o quanto eu me esforçava para manter minha integridade e minhas olheiras que cresciam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas aquela noite esquentava por baixo da mesa. Não resisti e passei a corresponder aos seus apelos, e depositei minhas mãos em suas coxas nuas, sob a saia. Enlouqueci. Virei um copo grande de cerveja para esquecer a culpa, me entregar àquela Lolita linda, ela se virou para falar comigo e ficamos frente a frente, nossas bocas quase se tocaram. E eu tremi. Era a porra da culpa cristã batendo em meu peito, brochando meus ímpetos. Era&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a praga da minha professora de catecismo, era a mão pesada de deus, me julgando e condenando, antes mesmo do ato. Me levantei da mesa, puxei uns trocados. Paguei minha conta e saí correndo dali.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não levei a vaca pra casa. Naquela noite decidi não usar o açoite, foi na mão mesmo. Queria me vingar de deus, da lolita, do meu locador. Esporrei nas paredes do banheiro, urrando alto, depois me ajoelhei e chorei a consciência do pecado *.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="border-style: none none solid; border-color: -moz-use-text-color -moz-use-text-color windowtext; border-width: medium medium 1.5pt; padding: 0cm 0cm 1pt;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="border: medium none ; padding: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;*nota: dias depois, olhando a ficha da lolita, descobri que ela tinha 22 anos. Nunca mais tive outra oportunidade: O Naturalismo provou sua razão, o homem é mesmo um animal. Nesse caso fui uma besta... quadrada. (...) naquele mês deixei atrasar o aluguel.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-8527358305597677014?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/8527358305597677014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=8527358305597677014' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/8527358305597677014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/8527358305597677014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2010/04/lolita.html' title='Lolita'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-6465355177800740164</id><published>2009-01-02T15:36:00.001-08:00</published><updated>2009-01-02T15:40:07.113-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>para os visitantes desse blog FELIZ ANO NOVO. mas como aqui não é lugar comum, o que desejo a vcs é muita arte pra comer gente.&lt;br /&gt;os posts novos estão aguardando a ressaca passar.&lt;br /&gt;quero começar a novela mas muitas cartas e e-mails pedem sempre mais uma histórieta da série O Tamanho de Deus e sabe como é, como é a minha filha e a minha mãe quem mandam essas cartas tenho que atender.&lt;br /&gt;beijos grandes a toda&lt;br /&gt;e um 2009 fuderoso para todos nós.&lt;br /&gt;vamos botar quente mermão.&lt;br /&gt;beijos.&lt;br /&gt;semana que vem tem post novo, prometo&lt;br /&gt;e também prometo nunca mais me embriagar de vinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-6465355177800740164?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/6465355177800740164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=6465355177800740164' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/6465355177800740164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/6465355177800740164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2009/01/para-os-visitantes-desse-blog-feliz-ano.html' title=''/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-101970989526845033</id><published>2008-12-15T13:17:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T13:18:21.057-08:00</updated><title type='text'>Ave Nelson</title><content type='html'>Mulher bonita gosta de papo besta. Muita elaboração vira tese, e ninguém quer ir para cama com um Phd em alguma porra que não seja o sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mayra era gostosa, mas levava uma vida marital com seu namorado chato. Mesmo com a pouca idade dos dois, eles acreditavam mesmo que deviam fidelidade absoluta um ao outro. Juntos, era um casal enojador, fazendo ceninhas de ciúmes em público e quase sempre deixando a mesa de bar antes de todos, em meio a porradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mayra era gostosa e bem de vida, pele boa, cabelo tratado, unhas sempre feitas, se vestia com personalidade. Todo mundo só esperava um dia pegar ela sem o namoradinho chato. Minha particular batalha com Mayra já durava quase um ano, como ela sempre sorria das minhas palhaçadas, eu aproveitava para jogar deixas para ela pegar. Um dia, cheguei mesmo a ser sincero, “Se eu não fosse acanhado, eu te diria que estou enamorado pr ti”.&lt;br /&gt;Mulher adora homens ingênuos e frases feitas. Quando eu descobri a palavra ‘enamorado” jamais usei de novo a palavra “apaixonado”, que essa dá um ar de compromisso. Enamorado é mais solto, e algumas delas, não sabem nem o que é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De tanto esperar, meu dia chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava rolando um festival de cinema na cidade, e alguns amigos programamos para ir. A turma, junta, somava umas seis pessoas, o número par só foi possível porque nesse dia, o namoradinho chato não foi, Mayra, sim. E eu estava disposto a cercar mais uma vez. “Faz um tempinho que encontro a Mayra sem o namorado por aí, será que terminaram?”, comentou com um certo veneno feminino Amanda, namorada de um amigo. Peguei a senha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Mayra chegou, sem o mala, fui logo mandando o recado: “não posso entrar nesse cinema contigo”, mandei. “Por quê?”, ela respondeu. “Cinema ter ar de romance, e como estás sozinha, não vou responder por mim”, cravei. Ela sorriu, me chamou de palhaço, mas também não decretou distância alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi como eu tinha pensado, sentado lado a lado, eu fazia comentários sobre o filme no ouvido de Mayra, que só respondia sorrindo. O filme já pouco me importava, era de graça mesmo, e eu estava mais interessado em mapear cada parte daquele coxão exposto que sobrava na sainha de Mayra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase no final do filme ela se virou e falou no meu ouvido: aquele papo de enamorado ainda está de cima?, quase amarelei, mas mantive a pose. “Não me entenda mal, você é uma pessoa adorável”, me finge de tímido. Ela também fingiu que acreditou, e logo, logo estávamos trocando longos beijos. Mas também acabou no cinema nosso romance. Fomos para o bar depois e mantivemos a distância, imposta por ela, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas confesso que fiquei empolgado e decidi realmente fazer a coisa certa. Na mesma semana saímos por duas vezes e foi somente beijos trocados. “Não quero que nossa história seja somente cama, quero que a gente se conheça melhor e tu tenhas certeza do que estas fazendo”, menti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre no carro dela, porque o meu já estava caindo aos pedaços e não comportava uma mulher como aquela, ela me deixava na esquina de casa acreditando ser a ativa na relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com os beijos cada vez mais quentes, chegou uma hora que não dava mais para segurar, o grande momento estava chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre preguei que a leitura é um instrumento maravilhoso para romper barreiras e tirar a gente de encrencar. É lá, nos livros, que estão os grandes ensinamentos da vida, sabedoria é colocá-los em prática na hora certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mayra havia sucumbido aos constantes assédios do ex-namorado, e me dito de maneira muito triste no telefone que havia reatado a merda do relacionamento dela. Para não perder por completo tirei um João Antônio da cartola e mantive a malandragem: “Tudo bem, para um homem como eu, o que vivemos já foi uma experiência extasiante”, e desliguei o telefone num Putaquepariu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que foi plantado naquele dia renderia frutos à frente. Mandei flores e um Neruda para sua casa, em uma despedida à lá Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois São Nelson me valeria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos todos no mesmo bar, a mesma turma, dessa vez em número ímpar, quando o casal nojo resolveu empreender mais uma briguinha, ele pegou o carro e foi embora e, eu, bom, eu elegantemente me retirei da mesa e fui beber no balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu certo, ela se aproximou e disse, “Dessa vez é para sempre”, e mais: “Me leva daqui, para onde quiseres”. Para onde eu quisesse valia bem mais do que me prometer vida eterna, entendem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio era que eu andava meio quebrado, gastando mais do que podia, e naquela noite, fazendo as contas rápido, pagando a despesa, me sobraria uns vinte paus. Era muito pouco pra tudo aquilo de mulher. Sorri um sorriso amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Me tira daqui, vai”, ela implorava. Tirei um Paulo Coelho da manga para ganhar tempo, e ataquei com pieguice: “A raiva nunca é a melhor conselheira”. “Raiva é o caralho, eu passei a noite inteira te olhando”, ela respondeu com a sinceridade de uma Hilda Hilst.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ta bom. Vamos nos dar ao desfrute”, era Ana Cristina César falando em mim. Mas... (lembrei da pouca gasolina, no meu carro fedorento, do carro dela confortável, da minha carteira magricela, mas aí me veio meu santo de cabeça. Nessas horas as mulheres gostam de homens de atitude).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa o teu carro aí e vem comigo. Ela sorriu. Peguei ela pelo braço e saímos andando pela rua, “Para onde tu estas me levando?”, ela questionou. “Se vai rolar algo entre a gente, vai ter que ser diferente. Uma história que seja só nossa”, continuei andando e falando, “freqüentas os lugares mais chiques, não é? Quero te fazer experimentar uma história diferente”, ela sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro quadras depois entramos no El Camiño, um hotel vagabundo no centro da cidade, que cobrava 15 paus duas horas. Ela entrou meio ressabiada, mas não desistiu. Pelos meus cálculos ainda sobraria 5 paus para colocar um litro de gasolina no meu caro até chegar em casa depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cama, sacramentei a jogada: “É que eu te acho nelsonrodriguiana, sabe, bonitinha, mas ordinária, quero contigo, mas só vai ser bom se for em um lugar brega como esse”. Ela adorou a declaração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda declarei muito Nelson Rodrigues naquele ouvidinho cheiroso. Sempre nos piores motéis da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma gatíssima à preço custo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave Nelson.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-101970989526845033?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/101970989526845033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=101970989526845033' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/101970989526845033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/101970989526845033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/12/ave-nelson.html' title='Ave Nelson'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-4717025384062650065</id><published>2008-12-01T11:19:00.001-08:00</published><updated>2008-12-01T11:20:30.892-08:00</updated><title type='text'>Blasfêmia</title><content type='html'>Blasfemar, trepar ou torcer por futebol só tem valia se for por transgressão. Quem blasfêma por ódio corre o risco de ser tão extremista quanto o fanático. Quem torce pelo seu time quieto, certamente não pode-se considerar um torcedor. Assim com quem trepa em, no máximo, três posições e goza baixinho jamais será uma pessoa plenamente realizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita de Cássia era o que poderia se chamar de uma coroa enxuta. De idade desconhecida, mas de corpo esbelto e todo durinho, casara ainda cedo e se empenhara na criação de seus filhos. Hoje, todos encaminhados, como ela gostava de dizer, resolveu “curtir a vida”. Arrumou malas, fez viagens, experimentou maconha, dançou em boates e se dedicou, com o espírito muitos quilos mais leve, à sua clínica de dermatologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas suas transgressões deveriam ir mais além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica experiente matou de cara quando entrei em seu consultório: “Isso é catapora!”. Porra, eu exclamei, pensei que fosse macumba, ela riu um sorriso lindo. “cuidado para não ir para o saco”, embarcou na brincadeira. “Tudo, menos o saco”, respondi com um sorriso em meu rosto monstruoso. “Catapora depois de velho é perigosa, hein”, disse. Daí até eu ficar sarado e nós nos encontrarmos e irmos para cama, foi uma sucessão de acontecimentos que nem eu saberia dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei dizer que no início Rita de Cássia só tirava a roupa no escuro, e tempos depois se transformaria na mais nova ninfomaníaca do meu caderninho. - Não entendam “caderninho” como uma forma cafajeste de me referir às mulheres. É que para um homem que já passou fome na vida como eu não, se pode dar ao luxo de dispensar ninguém – sabe lá se amanhã a dispensa esta vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, explicações dadas, Rita de Cássia entrou na minha vida com toda a fúria que só anos de repressão em um casamento falido pode explicar. Mesmo ela ainda mantendo o relacionamento com o marido, nós mantínhamos uma regularidade semanal na cama. Só havia um único mês em que ela recolhia sua fúria sexual e se dedicava a outros afazeres, digamos assim, mais puros. Assim era o mês de outubro, mês das festas de Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira dos paraenses. Católica convicta Rita de Cássia canalizava suas energias nessa época em organizar os promesseiros da padroeira. No entanto, o mês de novembro entrava exigindo cautela, porque não era fácil domar aquela mulher na cama, nem dentro do carro, a sua mais recente descoberta de aventura sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso dizer também que me tornei devoto de Rita de Cássia, a doutora. Desde os sacramentos iniciais, a missa com ela era longa. Acostumada com o velho testamento de seu marido, que não permitia certas audácias na cama, o novo testamento era todo escrito por ela, e em cada parábola, em cada versículo, a mulher se tornava menos santa, mais carnal e, talvez por isso, me fazia chegar cada vez mais próximo do céu a cada ritual realizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por Rita de Cássia que deixei de levar mulheres ao meu apartamento. Não porque tivesse me tornado um beato, apesar dos encontros religiosos, mas por que a mulher gritava como uma cabrita. Das vezes que estivemos lá, ela narrava gritando cada posição, cada sensação, cada orgasmos, feito um Galvão Bueno em um bacanal. Cheguei mesmo a ter vergonha do porteiro. “Tô aprendendo muito como senhor”, gracejou Seu Antônio, certo dia, quando eu descia para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mais de um ano de nossa profissão de fé, eu e Rita de Cássia resolvemos fazer um programa completamente diferente do que ela jamais imaginava. Fomos a um estádio de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogavam Clube do Remo e Ceará, um jogo pela segundona do brasileirão, o Remo precisava ganhar, mas era o Ceará que tomava conta do gramado. Desde que chegamos, ela parecia encantando com aquele bando de homens de shorts e tão focado no jogo, que poucos perceberam a bermuda branca de Rita de Cássia que chegava mesmo a aumentar sua bunda e deixava à mostra pernas roliças e bem torneadas. Com uma camisa azul, colocada exatamente para homenagear o Leão de Antônio Baena, Rita de Cássia desfilava sua graça e provava das delícias de um estádio de futebol, assando o seu próprio churrasquinho de gato e mandando ver na farofa com a colher comunitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de futebol mesmo, ela entendia pouco. Foi quando aquela santa descobriu o que somente discípulos do futebol mais abençoados entendem: a função da torcida. “A defesa dos caras estão cuns caralho!”, gritou um torcedor do nosso lado. “Porra, a bola não chega na área. Como é que os atacantes podem fazer gol, pô”, respondeu outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o primeiro quarto de jogo passou e o Leão começou a atacar mais, fazendo uma verdadeira pressão no time Alencarino. Em apenas cinco minutos de pressão total, o goleiro já tinha evitado três gols certos, com defesas sensacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita de Cássia vibrava. “Porra, não é para vibrar com a defesa, o lance é vibrar com o gol, porra”, eu gritei no ouvido dela. Mal calei a boca e, num contra-ataque rápido o time alvi-negro cearense abriu o placar. Rita de Cássia ainda tentou comemorar, mas dei um beliscão nela, e mantive sua bunda sentada na arquibancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro tempo acabou, com o Remo atrás no placar, mas jogando bem. Enquanto decorriam os quinze minutos de descanso dos jogadores, corremos para o churrasquinho e algumas cervejas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estádio do clube do Remo é um desses estádios modestos, com capacidade para no máximo 15 mil pessoas, o alambrado fica tão próximo dos jogadores que é possível cuspir nos adversários, quando iam bater lateral. E quando jogo era ruim, era essa a nossa diversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu não sabia que era tão animado um jogo de futebol”, falou Rita de Cássia. ‘Geralmente fica melhor quando o time de casa está ganhando. As vezes uma derrota dá merda para todo mundo”, disse, desconversando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os jogadores paraenses são meio lentos, os outros caras correm pra caramba”, continuou Rita de Cássia. “O problema são os sobrenomes”, disse eu. “O quê?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E acho mesmo que o problema do futebol brasileiro é esse tal de sobrenome. Jogador tem que ter apelido, porra. Tirando Ademir da Guia , que esse é Deus ( e não se brinca com Deus), o futebol antigamente tinha mais encanto porque os jogadores só tinham apelidos. O Brasil só é que é no futebol por causa dos apelidos. Zizinho, Garrincha, Pelé, Zico, Careca, isso sim são jogadores de futebol. Jamais escalaria no meu time de pelada um cara que se chamasse Carlos Queiroz, porra esse centroavante do Remo tem nome de advogado, porra, não podemos exigir que ele jogue bola. Se o nome dele fosse Carlinhos, Cacá ou até mesmo Querozene, esse jogo já tava 5 a 1. Desde que inventaram de colocar nome de gente em jogador, o futebol acabou. E depois veio essa merda de fair play, Futebol é jogo de malandro. Quem quiser ter sobrenome, que vá estudar, porra-.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo tempo começou sonolento. Mas logo o Leão tomou as rédeas e passou a pressionar, era tanto “uhhhhhh” da torcida que mais parecia uma homenagem ao modo como Rita de Cássia trepava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o primeiro gol do Leão não tardou a sair, na batida de uma falta da intermediária, a bola bateu na zaga e sobrou para o Carlos Queiroz empurrar para o gol. A galera veio a baixo, era tanta comemoração, tantos abraços em quem agente nem conhecia, que parecia hora da comunhão na missa das seis. Muitos neguinhos correram para abraçar Rita de Cássia. Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que bastou para que Rita de Cássia se encantasse totalmente pelo futebol. Apenas um gol separava o Leão de Antônio Baena da próxima fase da competição, e ainda faltavam 25 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o Ceará se fechou ainda mais depois do gol paraense, e o jogo ficou truncado. Faltava cinco minutos apenas para acabar o jogo, a torcida em polvorosa, os nervos à flor da pele suscitavam discussões entre os próprios torcedores, quando Rita de Cássia resolveu interceder à Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditando ter chegado o apocalipse, Rita de Cássia, abriu caminho naquele mar de torcedores e foi atrás de sua terra prometida: o alambrado, logo atrás de João Luís, o pobre goleiro cearense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Leão ia bater escanteio e esperava que o zagueiro do time alencarinho se recuperasse de uma suposta contusão, quando a voz de Rita de Cássia, talvez clamando aos céus por linhas tortas, se sobressaiu na multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ê goleiro filho da puta, enquanto tu ta jogando aqui, a tua mulher ta fudendo com outro cearense, filho da puta, corno, safado”, e as palavras que saiam daquela boca santa, pareciam ser tão verdadeiras que, pela primeira vez, o goleiro olhou de canto de olho para a direção que vinha aquela voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ney Dias correu para bater o escanteio, a bola veio aberta e ainda estava pipocando na área, quando Rita de Cássia levantou de novo sua voz. “aquelavacasafadatáatéotalocomapicanabucetaetuaquisegurandobola,otário,filho da puta,cearensecorno”, parecia uma mãe dando um conselho ao filho, de tão sincera que pareciam aquelas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o goleiro tentou buscar com o canto de olho a responsável pelo que parecia a abertura do terceiro segredo de Fátima, a bola aproveitou para beijar o fundo do barbante. Festa total dos paraenses. Olhos de incredulidade do pobre goleiro alvi-negro. Rita de Cássia foi levada às alturas pela torcida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo acabou com o Leão ascendendo no campeonato, assim como Rita de Cássia no gosto da torcida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não acredita em milagres, perdi Rita de Cássia para a torcida “Fé Azul”, que ela mesma fundou e preside até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ficaram seus ensinamentos: a verdadeira salvação divina está na transgressão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-4717025384062650065?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/4717025384062650065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=4717025384062650065' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/4717025384062650065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/4717025384062650065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/12/blasfmia.html' title='Blasfêmia'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-2386604824236510806</id><published>2008-11-20T06:59:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T07:00:36.061-08:00</updated><title type='text'>As estagiárias</title><content type='html'>Não existe um método 100% seguro para se comer uma estagiária. Bicho arisco, ao menor passo mal dado pode se entocar e nunca mais sair do buraco. Quando o assunto é estagiária, o caso requer estudo, observação diárias até conhecer os hábitos, os desejos, as aspirações, os trejeitos e, sobretudo, os pontos fracos. Só então é possível se montar uma estratégia. E mesmo assim é um tiro no escuro.&lt;br /&gt;Janaína e Tamara haviam entrado no escritório há pouco mais de seis meses, e nesse tempo, ninguém havia conseguido desentocá-las. As duas pareciam ter sido escolhida para agradar a todos os machos caçadores de um escritório em que 70% dos trabalhadores eram homens. Dos 30% de mulheres que restavam, 20% eram feias, 9% eram velhas demais e os 1% que sobravam ficavam por conta da secretária do chefe, que, claro, ele deveria estar comendo.&lt;br /&gt;Ainda lembro do primeiro dia em que Janaína e Tâmara chegaram no escritório. Com roupas sóbrias, uma vestia jeans e a outra uma saia preta, uma usava blusa de algodão e a outra usava um tailler. Era dois tipos distintos. Duas pedras preciosas que caíram em um limbo de machos estranhos, feios e famintos.&lt;br /&gt;Não deu outra. Na primeira semana, os candidatos a ajudar as duas beldades se multiplicavam pelo escritório. Vira e mexe se via um debruçado no computador de uma delas, claro, por sobre os ombros das meninas, tentando explicar o que até hoje ninguém compreendia direito. Números, números e mais números, percentagens, sub-totais e totais. Números, somente, nada de mais importante.&lt;br /&gt;Na hora sagrada do cafezinho, o exército de macharada ficava espreitando através do vidro, as duas moças, sentadas uma ao lado da outra. No máximo, Janaína levantando os olhos por cima da tela do computador para ter uma panorâmica daquele lugar triste. Seus olhos verdes movendo-se de um lado para o outro pareciam os de um jacaré na lagoa, atento aos predadores.&lt;br /&gt;Janaína tinha olhos verdes, Tamara negros. Janaína tinha cabelos falsamente loiros, Tamara negros. As duas tinham a pele branca, as duas estavam no último ano da faculdade, em meio a TCC’s, as duas experimentavam o primeiro emprego. As duas experimentavam a sensação de ser caça em uma savana de predadores. Janaína vez ou outra ria, Tamara nunca levantava os olhos do computador, chegava e saia e só se ouvia um sutil "bom dia" daquela boquinha avermelhada. As duas só tinham um pequeno-grande problema: havia nascido na década de ’80 e faziam aparte da geração do nada. Com vinte e poucos anos ninguém é confiável.&lt;br /&gt;A fome se expandia entre os predadores, que chegavam a travar verdadeiras lutas corporais para tentar se aproximar das presas. Janaína expandia amizade, Tâmara preferiu a distância.&lt;br /&gt;Depois do Fagundes ter levado o primeiro pau na testa, o Souza chegou na segunda-feira contando vantagem. Dizia que encontrou Janaína em uma festa e ela estava tomando todas e que tinha armado o seu bote. Sinal vermelho na savana. Ninguém em sã consciência iria perder para o Souza, que era desajeitado, mal cheiroso e puxa saco do chefe. Foi uma semana de batalhas, estratégias, alegrias e decepções.&lt;br /&gt;Há algumas estratégias possíveis para atrair uma caça normal –não estagiárias-. A primeira, e mais conhecida, e dar atenção total, ser gentil sempre e, em seguida, dar um gelo total, sem mais nem menos. Mas também não é com todas as estagiárias que isso dá certo; a segunda, é mostrar profissionalismo, retidão no trabalho e concentração no bem estar da empresa; e a terceira, e mais arriscada, e mirar o alvo e tentar abocanhar em um único bote. Nada disso deu certo para os pobres confrades caçadores do escritório.&lt;br /&gt;Mas, os deuses da caça estavam do meu lado. Ou quase.&lt;br /&gt;Naquela sexta-feira, passava das seis e meia da noite quando desliguei o meu computador. Pelos meus cálculos era o tempo de passar em casa, tomar um banho e ir ao encontro de Zilá para uma noite e tanta.&lt;br /&gt;Foi o que fiz. As dez da noite estava entrando em um bar com Zilá, uma deusa bronzeada de sol. Mas, quem disse que a vida é programável? Mal entrei no bar e dei de cara com um trio inusitado. Na mesa do canto, Fagundes, Tamara e Janaína conversavam animadamente. Quase morri de susto, inveja e raiva. Sentei distante, sem que eles me vissem, e, como um chacal, esperando o leão pegar a presa, fiquei de olho. Como Zilá era irrequieta e popularíssima, em pouco tempo estávamos pulando de mesa em mesa par falar com os amigos. Era o que eu precisava.&lt;br /&gt;Deixei Zilá em uma mesa com amigos e, "por pura coincidência", dei de cara com trio. A receptividade de Janaína foi total. Um sorriso largo e os olhos brilhando me destruíram na hora. Sentei à mesa e tomei uma cerveja com o trio que estava desde as seis horas no bar. Esperto, Fagundes bebia pouco, e deixava as meninas se exaltarem no álcool. Reconhecendo um lobo no ato da caça, percebi que o alvo era Tamara e que seria um favor se eu sumisse com Janaína dali. Entendi o recado, e aí se configurava ali, naquele bar apertado, a perfeita analogia de uma cadeia alimentar: eu precisava me livrar de minha predadora para pular em outra caça. Tinha que usar todo meu jogo de cintura.&lt;br /&gt;"Namorada?", Janaína perguntou de sopetão. "Eu... não... amiga", respondi, sem certeza. "Dificilmente um homem como tu sai com ‘amigas’". Janaína mostrava uma faceta distante daquela capa de estagiária comportada. Mais meia hora, e senti que tinha que dar satisfações a Zilá. Disse que ia ao banheiro, passei pela mesa dela, sentei afobado, numa agonia de dar dó e levantei novamente. Fui ao banheiro, dessa vez, de verdade. Fagundes me esperava por lá. "Cara, nunca esteve tão fácil. Como é que tu me apareces com uma namorada, porra", "Porra se não fosse a coincidência tu não ias me ligar", "É verdade, tentei arrastar as duas, mas vi que não vai dar certo. Dá uma desculpa e leva a Janaína contigo", "Como, porra?", "A Zilá nem vai perceber, daqui a pouco ela toma todas e vai vomitar em casa", "Bora voltar, a gente já ficou muito tempo aqui, vou pensar no que fazer".&lt;br /&gt;Voltei pra mesa de Zilá, me esquivando do beijo. Eu já suava frio. Zilá não era uma mulher que se desprezasse. Mas Janaína era carne nova, estagiária e o Fagundes, fatalmente, arrastaria Tamara. Não iria ter outra oportunidade tão boa tão cedo. Se ao menos ela não tivesse vinte e poucos anos, poderia entender que o importante é fazer pares, que nessa vida a experiência sexual conta muito em relação à postura de vida e blá blá blá. Mas não, ela era estagiária e havia nascido na década de ’80, a geração do nada. Deveria ser bobinha e nunca daria no primeiro encontro. Certamente teria que se sentir namorada minha para abrir as pernas, essas coisas dessa geração.&lt;br /&gt;A noite já ia alta, pelos meus cálculos a cerveja já estaria fazendo seus efeitos na defesa das presas.&lt;br /&gt;Voltei à mesa do trio, realmente a animação era maior. "És tão popular assim, que uma simples ida ao banheiro demora horas", Janaína me saldou com uma direta. Dei uma desculpa qualquer, engatei um papo e entrei na animação.&lt;br /&gt;Algumas horas depois, me lembrei de Zilá, dei mais uma desculpa e foi procurá-la. Qual o quê. A moça já tinha ido embora com todos na mesa em que ela estava. O garçom me entregou um bilhete: "Vê se não me liga, viu?", um minutinho para passar o susto e depois achei que tinha sido melhor assim, ia deixar a coisa esfriar e depois retomava o lance com ela. Voltei pra mesa do trio aliviado e sabendo que a hora do bote estava perto. "Pronto, agora garanto que não me levanto mais dessa mesa, a não ser por um bom convite", preparei o bote. "espero que tu estejas esperando que o convite venha dessa mesma mesa", Janaína respondeu ao chamado. "Claro, não esperava outra coisa dessa noite", mostrei as garras, e puxei minha cadeira para mais perto de Janaína.&lt;br /&gt;Apenas duas cervejas depois de um papo que já estava ao pé do ouvido, as duas informaram aos leões que iam ao banheiro. Assim que elas levantaram, eu e Fagundes passamos o plano à limpo. "Cara, vou arrastar agora. Como as duas moram em lados opostos da cidade, vou dizer que vou levar a Tamara de táxi e tu levas a Janaína. Agora é cada um por si", decretou o Fagundes. Eu concordei. Pedimos mais uma cerveja para brindar a farra que estava por vir.&lt;br /&gt;Acabamos a cerveja sem sinal das duas estagiárias. Em seguida, a música ao vivo acabou, sem sinal das estagiárias, mais um tempo e só restávamos nós naquele bar que agora parecia imenso. Nós, em silêncio, percebemos o duro golpe, pedimos a conta e ainda tive que levar o Fagundes em casa.&lt;br /&gt;Colocamos a culpa na idade das meninas.&lt;br /&gt;Não se pode confiar em quem nasceu na década de ’80. Não se pode confiar em estagiárias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-2386604824236510806?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/2386604824236510806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=2386604824236510806' title='45 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/2386604824236510806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/2386604824236510806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/11/as-estagirias.html' title='As estagiárias'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>45</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-7242955025551525864</id><published>2008-10-30T17:14:00.001-07:00</published><updated>2008-10-30T17:14:51.353-07:00</updated><title type='text'>Bola na área</title><content type='html'>É nas primeiras incursões nas quatro linhas que se aprende que um homem de área tem que ser catimbeiro. Se quiser ter uma carreira longa e ser respeitado, um homem de área precisa sempre estar bem colocado, ter jogo de cintura e coragem para encarar os mais monstruosos zagueiros.  Claro que a inteligência é um atributo que é necessário sempre, aonde quer que se esteja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bar da Vala era um lugar pra caçar. Dito cult por alguns, mesmo depois de ter saneado a vala que o nomeara, continuou carregando o status duvidoso de ser um bar descontraído, para “descolados” (sabe-se lá o que isso queria dizer), mas o fato é que muita gente ia para lá para ver e ser visto, e claro, arranjar parceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol bem que poderia ser uma matéria ensinado em sala de aula. É lá, no futebol, que tu podes entender um pouco sobre estratégias. E também sobre companheirismo. Saber se colocar na área é tão importante quanto saber se colocar em um bar. É meio caminho andando para que a caça seja farta. É necessário sentar sempre em uma cadeira que lhe permita ter uma visão panorâmica do lugar, para que nada, nada fuja ao seu controle. Quem entra em campo achando que já ganhou, geralmente se dá mal. O importante é se manter atento para atacar sem abrir a guarda para um eventual contra-ataque, e se colocar bem na área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O adversário também é importante. Jogar contra time ruim não dá emoção. Uma partida é tanto mais emocionante quanto melhor for a qualidade do adversário. Uma partida que termina em 10 a 0, não é mais emocionante que o gol da vitória aos 45 do segundo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como no futebol atuar em equipe não é tão simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite sai para encontrar um velho parceiro de farra. Atacante também. E esse é o perigo de se jogar com dois homens de área, o time fica mais ofensivo, mas às vezes falta espaço, e foi o que aconteceu. Como me atrasei, já encontrei o cara sentado na melhor mesa, e na melhor cadeira. Era um prenúncio que marcar um gol naquela partida não seria fácil. Mas também não sou de desistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para um atacante não pode existir bola perdida”, foram as palavras mais sábias que Seu Zuzu, meu técnico nas divisões de base do Paysandu, me ensinou e que levo para a vida inteira. “Um atacante não pode entrar em campo e deixar o placar em branco. Tem que lutar, ter garra, demonstrar vontade e prazer de estar em campo. Vale tudo, o importante é o gol. Gol de canela vale tanto quanto um gol de bicicleta”, ele continuava a preleção. O mesmo texto por anos. Jogo após jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei visivelmente contrariado para ouvir de cara as regras do jogo. “hoje tu vais cair um pouco mais pela esquerda”, o parceiro me disse. Caímos na gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papo ia bem quando entrou no bar Roberta e Ana Flávia. Roberta era uma moreninha tipo índia de parar o estádio. Ela também só jogava no ataque. Lábios carnudos, olhos amendoados, sobrancelhas grossas emoldurando um olhar maroto, cabelos lisos, com franjinha que ao balançar deixava transparecer escrito em sua testa: “Me coma!”. Ana Flávia era gorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentaram-se em uma mesa próxima, e pelo que pareceu, já chegaram no 2x5x3, esquema quase suicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu estava mal colocado na área. Roberta chegou esbanjando charme e jogando bola pro frente. Colocamos nosso time em campo e o parceiro pegou o flerte. Bola pra lá, bola pra cá, Ainda tentei tirar o cara da jogada com um escorão, mas há um acordo tácito entre os atacantes: cada um tem o seu pedaço da grande área. Joga em equipe não é fácil. O importante é não deixar o placar em branco, já dizia o Seu Zuzu. Deixei o parceiro jogando solto, enquanto procurava uma bola perdida para tentar um chute de fora da área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais algumas cervejas e parecia mesmo que o gol estava amadurecendo, para ele, claro. Para mim, nada de bola espirrada. Enganando a linha de impedimento, o parceiro lançou a bola para ele mesmo e pegou na frente: foi encontrar com Roberta enquanto ela ia pedir uma música no balcão. Eu desci para o meio de campo. Fui ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me espantei com a entrada do parceiro: “É seguinte, a Roberta ta afim, mas não vai deixar a amiga na mão. Rola?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhei para o jato de minha própria urina, depois fiquei buscando um ponto qualquer na parede, voltei àquele vestiário fétido do Paysandu, enquanto calçava o meião e ouvia a preleção de Seu Zuzu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo, levantei o meião, apertei o nó da chuteira e subi a escadaria do túnel: hoje rola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou deixar placar em branco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-7242955025551525864?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/7242955025551525864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=7242955025551525864' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/7242955025551525864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/7242955025551525864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/10/bola-na-rea.html' title='Bola na área'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-4526527556486690480</id><published>2008-10-23T19:40:00.001-07:00</published><updated>2008-10-23T19:40:37.358-07:00</updated><title type='text'>A secretária do chefe</title><content type='html'>Melhor do que comer a mulher do chefe é comer a secretária do chefe. Claro, desde que seja gostosa. Comer a mulher do chefe pode colocar em risco a sua própria vida, mas comer a secretária, não, é status, respeito, é como se você tivesse se servindo na cozinha da casa dele, abrindo a geladeira e sentando só de cueca no sofá. Não há nada melhor para atingir o chefe do que comer sua secretária, é uma desmoralização para o resto da vida, tem gosto de sexo, mas também tem gosto de vingança, de humilhação, de plenitude. É a vingança dos proletariados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inês não fugia á regra das secretárias brasileiras, morena, cabelo liso, escorrido até os ombros, boca carnuda, nariz afilado, olhos meio agateados e um corpo esculpido com esmero, entre ela e o bagulhão da mulher do chefe havia um verdadeiro grande cânion.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chefe também não fugia à regra dos patrões brasileiros. Era um cara que tinha a instrução básica, tinha ganho o cargo à custa de muito puxa saquismo, e tinha um humor feroz. Aliás foi colocado naquele cargo exatamente para não deixar ninguém trabalhar com prazer. Não dava bom dia, não reunia com os funcionários, não deixava sua mesa nem para desejar feliz natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um funcionário só entrava no aquariozinho em que ele vivia para ser humilhado. Somente a dona Inês entrava no aquário dele incólume. Por razões óbvias. Mas para nós, reles mortais, a cena era sempre a mesma. Para entrar no aquário do chefe, todos tinham que passar pela saleta de dona Inês, a pergunta era sempre a mesma: “Como ele está hoje”, e a resposta não era diferente: “Com a macaca”, o pobre infeliz voltava da sala do chefe destroçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para assumir a cadeira de chefe também é importante alguns truques. Na mesa, há sempre alguns papeis espalhados, um lap top que ele navega ao léu ao falar com os funcionários, jornais do dia e um telefone. À frente de sua mesa é preciso colocar duas cadeiras estrategicamente desconfortáveis, assim, quando o pobre infeliz for chamado para sentar na cadeira vai perceber que aquilo ali não é o seu lugar e a cada esporro, vai diminuindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, importante também: um chefe nunca, nunca olha nos olhos do funcionário, a não ser em pé, para deixar claro a hierarquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitos meses chegou a minha vez de entrar no aquário com o tubarão. Passei pela sala de dona Inês e não fiz pergunta alguma. Enquanto rolava o chá de cadeira, puxei o jornal e fiquei lendo animadamente. Tudo truque. Meu cu estava apertadíssimo. Mas, mais valia fazer o tipo na frente de dona Inês do que tentar amaciar o chefe. Enquanto passava os olhos nas figuras do jornal eu ficava tentando experimentar uma cara para sair de lá depois da mijada demonstrando para dona Inês que eu não tinha medo de perder o meu emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher bonita não gosta de muito respeito. Se um homem a olhar como quem olha para uma pessoa qualquer, elas se ofendem. Elas precisam ser olhadas com olhos de fome para comentar depois com as amigas num tom de reprimenda: “Aquele cara é um porco. Ele me olha como se tivesse tirando a minha roupa”. É o jeito delas gozarem também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usei com a dona Inês a velha estratégia do “Não me interesso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrei na sala do chefe, a cena era igual a de todos os esporros. Ele ali, de cabeça baixa, balançando a caneta por entre os dedos, mandou eu sentar e ficou alguns segundos calado, terminando de olhar o jornal. Na verdade também faz parte da estratégia dele, o silêncio cria um suspense e instala o terror no pobre coitado que tenta se segurar na cadeira escorregadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abriu a boca, o chefe começou a grunir coisas incompreensíveis e monocórdias. Era uma mijada, com certeza. Eu nunca sei aonde colar meus olhos numa hora dessas, não sei se baixo a vista e deixo ele gozar com minha covardia, ou se o encaro, mostrando que não tenho medo. Ele grunindo e eu no ahan, foi o que consegui fazer, enquanto amargava o insucesso de querer parecer intocável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída, dona Inês estava em pé, me esperando. ‘e aí?’, ela perguntou. Eu tentando o meu sorriso tranqüilo, respondi “o de sempre, ele só queria provar que era chefe me mostrando o quanto sou incapaz”. Ela sorriu, e aí tudo se iluminou. Aquela boca cheia de dentes parecia ter luz própria, quase eu derrapo e tiro a roupa dela com o meu olhar, mas me controlei. “è isso”, eu disse. “Tenha um bom dia, dona Inês”, passei por ela segurando o meu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois foi a vez de dona Inês experimentar o terror do aquário. Dava para ouvir de longe o esporro, sabe-se que era por causa de uma correspondência sumida. O patrão comeu o cu do meu chefe e o chefe precisava comer o cu de alguém. É a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dona Inês não estava preparada para essa dura realidade, acostumada com os cortejos, não agüentou os impropérios e desatou a chorar na copa, e na minha frente, santa hora do cafezinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um homem que quer comer uma mulher a encontra fragilizada, é preciso ter tato, senão joga tudo a perder. O melhor caminho é sempre ser somente um bom ouvido, nada de querer dar conselhos, ou usar frases feitas como “você é maior que isso”, não. O lance é se mostrar solidário, até chegar àquela hora dela se jogar nos teus braços em busca de acolhimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Inês chorava de soluçar, e eu, absolutamente encantado com aqueles pares de seios que pululavam dentro do decote a cada soluço. O nariz dela escorrendo e eu só via aquela boquinha linda, falando indignações e xingando até a oitava geração do chefe. A bolsa dos olhos já levemente inchada e finalmente jogo o primeiro valete na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“a senhora vai me perdoar, mas até chorando a senhora é linda”. Usei uma tática arriscada, a de tentar desviar o assunto para acabar com aquela porra de chororôrô chato. Ela tomou um susto. E disse, ainda indignada: “Eu aqui sofrendo, e o senhor vem com papo furado”, isso era bom, o importante é desequilibrar, a fúria é mais fácil de controlar do que o sangue frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“não me entenda errado. Sou solidário a sua dor. Mas para quê prolongar o infortúnio? O importante é virar o jogo. Sentir dor é o que o chefe quer que você sinta, mas se você der a volta por cima, vai devolver o câncer para ele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela calou. Isso era bom. Ficou olhando para o vazio, tentando raciocinar as coisas sem sentidos que acabava de falar. Aí, voltei a blefar, descartei o rei de ouro para pegar a dama de copas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei as costas e fui me servir de mais café. Ela foi para a água. Bebeu de um gole só um copo inteiro de água, balançou aquele cabelo lindo, limpou os olhos e descartou: “você tem razão”. “obrigado pelo esforço de me compreender”, eu disse pegando o descarte dela. “você é um cara legal, pena a gente não ter tido tempo de conversar outras vezes”. Aí bati o jogo. “quer saber. Hoje deve ser um dia de transgressões. O que tu achas de fugir e fazer um dia diferente?”, “grande idéia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais o chefe me olhou com desprezo. Agora eu tenho respeito daquele filho da puta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-4526527556486690480?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/4526527556486690480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=4526527556486690480' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/4526527556486690480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/4526527556486690480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/10/secretria-do-chefe.html' title='A secretária do chefe'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-6906758705006130357</id><published>2008-10-22T13:37:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T13:38:24.795-07:00</updated><title type='text'>A  princesinha estava morta</title><content type='html'>Metrônomo é um instrumento que serve para regular os andamentos musicais. Apesar de nem toda música se prezar, ele é utilizado em todos os estúdios de gravações, é por obra e graça da marcação do metrônomo que o músico não perde o compasso e pode levar o andamento da música até o final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que horas são?”, eu perguntei. “Quase quatro”, ela disse, limpando o suor do rosto. A porra da música alta, e ela não parava de dançar. Eu já estava pregado. Pedi um tempo e fui ao balcão pedir mais uma cerveja. De lá dava pra ver, vez ou outra, a cabeça dela, pulando no meio de uma multidão, acompanhando o bate-estaca da música que parecia ser sempre a mesma, sem variações, somente sons incidentais e o mesmo ritmo e andamento. Detesto música eletrônica e seus DJ’s com roupa extravagante e sorriso besta na cara, óculos escuro em plena noite e cabelo colorido. Odeio os seus gestos de “tô doidão” e o balanço mecânico do corpo. Não sou daqui, eu pensava. Mas o que não se faz por uma buceta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magaly era uma típica princesinha da noite. Popularíssima aonde quer que fosse, gente boa, risonha e bom papo, sempre animada, acompanhar o seu ritmo não era fácil. Já tinha esbarrado com ela em vários bares pela cidade, mas nunca fiquei tão perto. Magaly gostava mesmo era de meninas. Essa porra dessa moda de mulher com mulher, e o pior é que a grande maioria não quer um homem por perto. Realizar as fantasias sexuais no mundo de hoje, não está fácil. Como a gente involuiu. Viva os gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pelo que parecia, naquela noite, Magaly queria realizar minhas fantasias. Entre as desvantagens de Magaly tinha a necessidade de ser sempre vista como a descolada, sem amarras, medos ou preconceitos, mas na intimidade, eu sabia, ela era outra coisa, insegura, instável e deprimida às vezes. Mas como meus motivos em sair com ela passava longe da nobreza de estudá-la, pouco me importava seus problemas, só pensava mesmo era nas vantagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E aí, cansou?”, ela disse me agarrando por trás. Virei e ficamos frente a frente, nem pensei duas vezes, tasquei-lhe um beijo na boca. Era o nosso primeiro beijo naquela noite. Meu investimento já contava com mais de seis horas e quase duzentos reais entre táxi e uísques, já que era eu quem estava bancando tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valia a pena. Magaly era uma mulher de capa de revista. Loira falsa, um corpo escultural, roupinha transadíssima, sorriso com covinhas e gestos largos. Mas gostava de mulher e eu era o primeiro homem que eu tinha notícia que saía com ela.  Ser visto ao lado dela valia os reais que estavam indo. E mais, coloca-la no topo do currículo ainda era uma batalha a superar naquela noite. Pelo compasso dos amassos, já estava chegando perto do gran finale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo beijo de Magaly dava para antever aquela mulher na cama. Era só ter calma e mais alguns reais para outras doses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais meia hora de papo e lá estávamos nós na rua, esperando um táxi na frente do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem perguntei, dei as coordenadas para o motorista e lá fomos nós a caminho do motel mais próximo, escolhido exatamente por ser o mais próximo, uma vez que o taxímetro de Magaly era sempre bandeira 2. A última parte do trajeto fizemos num longo beijo. Pedi um apartamento e entramos no quarto às gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi só trancar a porta atrás de mim que Magaly mudou totalmente de figura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se na cama de peito para cima e ficou mirando o espelho do teto. Eu animado, e ainda sem perceber o que se passava, deitei sobre ela e colamos em mais beijos. Tirei-lhe a blusa, me deliciei naqueles seios lindos e fartos, desabotoei a saia, deslizei a língua por aquela barriga lisa, desci a calcinha e mergulhei naquele mar de maravilhas, totalmente ensopada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                 &lt;br /&gt;Enquanto sorvia aquelas delícias, eu, de joelhos ao pé da cama, dava um jeito de me livrar do tênis, da calça e da cueca, sem parar de me lambuzar naquela gruta molhada. Quando consegui, subi de novo para outro beijo, foi quando eu constatei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princesinha estava morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“com tudo que sei acendi uma vela, abri a janela e pasmei../ alguns edifícios explodiam/ pessoas corriam, eu disse bom dia/ ignorei...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma maneira que deitou na cama, ela permanecia. Os olhos grudados no espelho do teto. Achei que fosse uma tara. Vesti a camisinha e fui entrando sem pedir licença, mas devagar. Ela então deu sinal de vida deixando o ar escapar por entre os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um gemido estranho e compassado, ela acompanhava as estocadas começando a marcar o tempo simétrico da trepada com um hum-hum que parecia base de uma música lenta qualquer. Me senti em um estúdio de gravação com o metrônomo se movendo à minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dependendo de meus movimentos naquele papai-e-mamãe necrófilo ela mudava o ritmo. Começou a ficar interessante. Enquanto ela revirava os olhos na direção do teto eu trocava a melodia. “quero ouvir um bolero agora”, eu pensava, e passava a fazer movimentos circulares, seguidos de estocadas mais forte, e ela respondia com os huns-huns boleriando o seu tesão na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“vamos voltar a bossa nova”, e lá ia ela. “agora um pagodinho suingado”, o hum-hum-hum vinha junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gozou no forrozinho, e eu quase eu grito: “Luís respeita Januário, moleque!”. Ela se recuperou na MPB e seguiu para um breguinha, passamos pelo calipso, cumbia e gozamos juntos no batecum da música eletrônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei para o lado, ela se refez, levantou aquele corpinho lindo e ressureito vestiu a roupa e me abraçou bem apertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu hoje me embriagando de uísque com guaraná, dei pra lembrar de Magaly,... são dois pra lá, dois pra cá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-6906758705006130357?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/6906758705006130357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=6906758705006130357' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/6906758705006130357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/6906758705006130357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/10/princesinha-estava-morta.html' title='A  princesinha estava morta'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-129996592578967038</id><published>2008-10-07T15:24:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T15:25:31.085-07:00</updated><title type='text'>A Gargalhada de deus.</title><content type='html'>Durante muito tempo eu duvidei. De quase tudo. De tudo.&lt;br /&gt;Então duvidei de minha mãe, do meu pai, das namoradas, do lateral direito do botafogo, se homem havia mesmo chegado à lua e de deus. Sempre.&lt;br /&gt;Fervorosamente, eu duvidei de deus. Mas chega um tempo em que é preciso ter certezas também. E assim eu hoje posso afirmar com absoluta certeza que deus existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é o seu senso de humor. Também, se metade da bíblia for verdade, a vida de deus deve ser um saco, e – segundo a minha mãe diz- como cabeça vazia é o playgroud do diabo, Ele deve passar o seu tempo maquinando pequenas sacanagens com o seu pequeno laboratório de gentes que é o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus existe. E tem humores. E se diverte sacaneando os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carmem foi a mulher mais interessante que eu já encontrei na minha vida. Não era mulher para uma noite somente, era mulher pra viver junto. Para sonhar junto. Para cuidar e ser cuidado. Para dividir, partilhar, multiplicar, doar-se. A única mulher que me fez arriscar uns poeminhas. Olha só aonde eu fui parar: cometendo poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, exatamente no momento em que eu me preparava para experimentar “conjugar o verbo amar”, deus resolveu me dar provas de sua existência. Mais ainda, Ele resolveu me dar provas de seu senso de humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela noite já era a sexagésima sexta noite de seca total. Não chovia na minha horta. Nada dava certo, nem as cantadas mais canalhas nem as mais elaboradas, nem as flores, nem os telefonemas sacanas. Tava uma situação séria. Tão séria que na falta do que fazer, fui ao teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de teatro. Não gosto de atores gritando no meu ouvindo e se cuspindo em cena e ainda mais querendo que eu pense! Porra, já não basta pagar o ingresso e ainda tenho que pensar? Já é demais. E como alguém pode pensar com outro alguém gritando feito louco, tufando a veia e olhando pra tua cara com cara de raiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas queria sofrer. Fui ao teatro. Mas foi exatamente lá, na fila do teatro, que o mundo se fez à minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encabeçando a fila estava A mulher. A mais bela, a mais adorada. Impaciente, ela olhava para trás a toda revelando aquele rosto angelical emoldurado com o negror de cabelos lisos que iam até um pouco a baixo da orelha. Olhos negros ressaltados por sobrancelhas igualmente negras e equivalentes. Perfeitamente equivalentes. O nariz afilado ajudava a compor um rosto claro, sem nenhuma marca, mais perfeito que muito photoshop por aí. A boca era uma atração à parte. Lábios nem grossos, nem finos cuidadosamente pintados de vermelhos. Na medida certa. Que dava àquele rosto um matiz de pintura renascentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha visto aquele rosto em algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espetáculo se propunha a ser diferente. Dois atores somente em um palco tipo arena. Quando as portas se abriram procurei o meu lugar, e qual foi minha surpresa quando levantei a cabeça e percebi que havia sentado bem em frente àquela musa. Enquanto as luzes se apagavam eu a olhei bem no fundo dos olhos negros. Ela retribuiu com desdém.&lt;br /&gt;Como minha auto-estima estava baixa mesmo resolvi assistir ao espetáculo. Mas era o que pensei. Na terceira frase o meu ouvido já estava doendo, e quando menos percebi estava de novo mergulhado naquele rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na metade do espetáculo Deus sorriu. Ela passou a retribuir o olhar, dessa com vez mais charme, com mais aceitação. Estava adorando aquele espetáculo. E foi assim até o final. Ficamos um no olho do outro. Deus se fazia presente, com toda a sua força na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resisti. Assim que acabou o espetáculo, atravessei o palco, com os atores ainda recebendo os cumprimentos e disse a ela:&lt;br /&gt;_ Estás me devendo um espetáculo.&lt;br /&gt;_ Por quê?, ela respondeu.&lt;br /&gt;_ Não consegui desgrudar o olho de ti.&lt;br /&gt;_ Eu percebi.&lt;br /&gt;_ Me dá o teu telefone?&lt;br /&gt;Mandei assim, de cara, sem medo de errar. E, para minha surpresa, ela respondeu:&lt;br /&gt;_ É melhor tu me dares o teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a melhor resposta que um homem como eu poderia arrancar de uma mulher como ela. Saí do teatro nas nuvens. Ela se perdeu no meio da pequena multidão que ia cumprimentar os atores. Eu já havia ganho o dia e fui pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos dias se sucederam até o meu telefone tocar? Nem sei dizer. Os dias ora se arrastavam, ora voavam. Não fazia mais nada a não ser olhar para o celular. Fiquei dependente total. Dormia e acordava com o celular ao lado. Mas finalmente ele tocou. E era ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente por telefone falamos cerca de duas semanas até o nosso primeiro encontro. Me sentia um adolescente... um bobo... um amante. Sonhava com ela. Tinha a impressão de que ela estava vendo meus atos nas ruas, no trabalho, no meu apartamento. Decorei falas para dizer e impressionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso primeiro encontro foi em um final de tarde. Levei-a para um bar com piano e boa bebida. Enquanto ela falava, eu só conseguia ver a boca se movendo, era um sonho. Ela mexia no cabelo, ela se virava, ela me contava de sua vida, encostava a boca no copo de vinho e me olhava enquanto sorvia o néctar dos deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi lá que ela me disse que estava em meio a um casamento fracassado, mas que não queria ferir ninguém, por isso hesitou em telefonar. Que só aceitou sair comigo porque eu era um cara que sabia ouvir e sabia o que falar na hora certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me sentia totalmente estranho. Ao seu lado eu não salivava como sempre, eu só sentia o coração palpitar, disparado. No nosso primeiro beijo, eu senti frio na barriga, porra, eu senti frio na barriga! Estava provando da babaquice que é o amor. “Deus, o senhor é bom para mim!”, eu pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos do bar e fomos andar no centro velho da cidade. Assim, de mãos dadas, rindo feito dois idiotas maconheiros. Eu estava nas nuvens. Depois que cansamos, que comemos cachorro-quente na esquina, eu fui deixá-la na esquina de sua casa. Nos despedimos só com olhares, para não dar o que falar. Eu senti vontade de descer do carro e correr pela cidade, como fazia quando era criança. E eu era de novo criança. Deus é bom! Deus é pai!.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deus tem humores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por duas semanas nos encontramos todos os dias, todos os fins de tarde. Ia buscá-la na saída do trabalho e íamos ver o rio, trocando beijos. Não, não pensava em sexo. Queria que isso acontecesse naturalmente, no momento certo. Na hora certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, tínhamos combinado de passar a tarde juntos. Nenhum compromisso poderia nos separar. E foi assim. Às duas da tarde estávamos entrando em um motel, como ela sugeriu, após se negar em ir ao meu apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo estava perfeito. Ela, o seu perfume, o seu vestido, o seu cabelo, os seus olhos, o seu arfar. Mal entramos no quarto e já nos grudamos em um beijo ardente. A sua língua percorrendo a minha boca, as minhas mãos percorrendo as suas costas. Ela arrancou minha blusa e eu o seu vestido. Me livrei da calça e do sapato, enquanto olhava aquele corpo branco deitado nas cobertas vermelhas da cama redonda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui devagar. Provando cada pedaço do seu corpo com a minha língua. Quando tirei carinhosamente a calcinha, subiu um delicioso odor de mulher no cio. Subi em seu corpo para um beijo longo. Segurei o seu rosto entre minhas mãos e olhei fixamente em seus olhos, me lembrei da onde eu conhecia aquele rosto. Ela era a cara da Juliet Binoche no filme “A Liberdade é Azul”. Porra, morria de tesão pela Juliete Binoche. Vi esse filme uma centena de vezes só por causa dela. E, de repente eu estava na cama com a Juliete, sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez isso também tenha sido demais para mim, e o que nunca havia acontecido, aconteceu. Brochei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei mesmo a ouvir as gargalhadas de deus nessa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tentei ficar mais algum tempo nas preliminares, enquanto ela gemia: vem! vem!, e eu pensava: como? como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tomou posse da situação e veio para cima de mim. Colocou o meu pau na boca, e ele, finalmente, deu o ar da graça. Imediatamente reassumi o comando e quando ia penetrar, ela faliu: a camisinha. Não esquece a camisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu ia colocar a camisinha em um pau meiote?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei. Peguei a camisinha no console da cama e vesti o bicho de tal maneira que parecia mais uma trouxa de roupa suja. Não deu certo. Desisti. Queria propôs ficarmos apenas nas preliminares, mas não tive coragem. Não tive coragem também de dizer o que estava acontecendo. Joguei a camisinha pro lado e tentei enrolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, insatisfeita e achando que eu havia colocado a camisinha, voltou a pular sobre mim e, assim, meiote, a penetrei. Três cavalgadas sobre mim foram o suficiente para o coitado sair de dentro. Quando ela pegou nele para colocá-lo novamente percebeu que estava sem camisinha e aí o negócio pegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Estas sem camisinha?, ela disse furiosa.&lt;br /&gt;_ Eu... Eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, ela fez o que qualquer garota inteligente faz quando percebe que está com o homem errado: chora no motel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto deus gargalhava, ela chorava copiosamente, repetindo: tu não! Tu não!&lt;br /&gt;Tremi nas bases, será que ela estava infectada? Caralho, eu marquei uma touca dessas. Me fudi. Acabou para mim. Ao mesmo tempo em que eu a consolava e tentava me consolar também. Estava quase entrando em desespero quando ela parou de chorar e disse que estava fazendo uma loucura, que precisa voltar com o marido, rever sua vida, seus filhos, sua história. Me pediu desculpas, foi vestindo a roupa e me empurrando para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais eu vi Carmem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os telefonemas cessaram. Minha vida cessou. Não dormia, nem comia. Ainda tentei ligar, mas ela nunca voltou a atender ao telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus dias de enamorado haviam acabado de maneira ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que chovia bastante naquele dia em que eu tentava me conformar. Os trovões soavam como gargalhadas, grandes gargalhadas. Enfim, deus estava se divertindo.&lt;br /&gt;É justo.&lt;br /&gt;A piada foi dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-129996592578967038?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/129996592578967038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=129996592578967038' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/129996592578967038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/129996592578967038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/10/gargalhada-de-deus.html' title='A Gargalhada de deus.'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-7587959783963228745</id><published>2008-09-27T13:29:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T13:30:02.864-07:00</updated><title type='text'>Esse é um país que vai pra frente!</title><content type='html'>Saí do cinema enojado. Meio raivoso. As imagens de presos políticos sendo torturados estavam vivas em minha frente. Como o nosso país pode ser tão cruel ? um povo tão simpático não merecia ser tratado com tamanha brutalidade. O Brasil é uma merda! Um país de poucas oportunidades, não foi somente na ditadura militar que se sofreu desse jeito. Ainda hoje centenas de pessoas são relegadas a viver em condições desumanas por pura falta de compromisso desses porras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquela época o governo não escondia sua covardia, hoje em dia é tudo maquiado. Nem sei o que é pior. O Brasil é um país de merda! A democracia é uma mentira!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava pela calçada com a cara meio fechada, com raiva mesmo. Nem sei porque entrei naquele cinema, eu tava tão bem e agora... o lance é tomar uma cerveja no primeiro bar que aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei naquele bar só porque estava seco por uma cervejinha. Não era a minha cara, nada naquele bar me fazia sentir à vontade. Cheio de patricinhas e playboizinhos querendo parecer populares uns para os outros. Muita gente gritando e muita gente gesticulando. Isso me deixa tonto. Chamei o garçom e pedi uma cerveja, assim de cabeça baixa, enquanto o filme voltava á minha memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei o primeiro gole de cerveja no gargalo mesmo. Era uma daquelas garrafinhas, que os mais plays chamam de long neck, ou coisa parecida. Fico puto com esses estrangeirismo na nossa língua, mas o Brasil é um país que não se preza. Ninguém quer saber da nossa língua. Tem que ter um certo limite pra esses gringos no nosso país, não sou nacionalista, quero mais é que o país se foda. Ainda mais sabendo que a tortura ainda é um expediente muito utilizado ns nossas delegacias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na descida do gole, dei de cara com a única coisa que poderia me tirar daquela fossa. Horas depois a coisa ganhou um nome: Zilá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zilá era uma daquelas mulheres que se pode chamar de gostosa. Cabelos leves, olhos amendoados, boca carnuda, pele lisa e branca, quadris largo, bundão e batatas das pernas grossas. De família rica, estudada – falava três idiomas – viajava para onde quisesse, na hora em que quisesse, não precisava trabalhar e podia comer quem quisesse, na hora em que quisesse, e na falta do que fazer... sofria de depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estava de bem com a vida, era a figura mais interessante que se podia ter ao lado. Descolada, louca, dançava como ninguém e bebia até perfume se alguém desse sopa, no meio da noitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando estava deprimida poderia levar um para o buraco. Não o dela, mas aquele mesmo há sete palmos debaixo do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informações tão precisas foram dadas a mim pelo garçom, após a oitava dessas cervejinhas ridículas. Ficamos quase íntimos quando perguntei por Zilá.&lt;br /&gt;Habitué do bar, o garçom conhecia ela talvez mais do que o seu próprio pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia Zilá estava de bem com a vida. Sem fazer esforço, a loiraça era a própria dona da festa. Mais popular que ela, ninguém se atrevia, pelo menos naquela noite. Bebia vodka como quem bebia água. O bar inteiro parecia ser a extensão de sua casa tamanha era a intimidade que tinha com absolutamente todos os que estavam no bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos eu, um total estranho no ninho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho para mim, estranho para ela também. Parecia que houve uma certa indignação por parte de Zilá de eu estar em sua sala de estar, sem conhecê-la. Mais umas doses de vodka e ela sentou em minha mesa, disposta a se apresentar e pedir satisfações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi a todo o questionário, e ,parece, passei com louvores, falei do filme, falei do país, falei de um monte de coisas. Depois me lembrei de um velho ensinamento: com mulher você tem que ouvir mais do que falar. Elas adoram esses caras que são bons ouvintes, e calei. Ela falou. Falou e falou. E falou tanto que o bar foi ficando meio vazio, assim, sem o consentimento dela. Quando ela se percebeu, foi dar o troco. Me pegou pelo braço e falou: gostei de ti, vamos sair daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espelho do motel eu via minha canela magra ao lado daquele coxão roliço. Enquanto eu bombava aquela bunda lisa e branca eu pensava: como o Brasil é um país de oportunidades! Como é bom viver em um lugar em que um magricelas, preto, pobre, pode comer uma loiraça gostosa e cheia da grana. Eu adoro meu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela colocou a metade do meu pau naquela boca vermelha eu quase me senti culpado, eu quase chorei de emoção. Porra o Brasil é um país genial. A democracia é do caralho! Do caralho!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-7587959783963228745?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/7587959783963228745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=7587959783963228745' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/7587959783963228745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/7587959783963228745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/09/esse-um-pas-que-vai-pra-frente.html' title='Esse é um país que vai pra frente!'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-8592389196172530480</id><published>2008-08-19T19:44:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T19:45:14.328-07:00</updated><title type='text'>a arte de conduzir "máquinas"</title><content type='html'>Dirigir é um exercício sexual. Para estar por trás do volante de um carro é necessário conduzir e nunca apenas dirigir. E conduzir significa nem sempre estar no comando. Eu gosto de carros com câmbio manuais. Carros com câmbio automáticos é como trepar com putas, a gente não precisa fazer esforço nenhum, não precisa se preocupar em fazer ela gozar. A gente já pagou e pronto, só quer chegar aonde a gente quer.&lt;br /&gt;Carros com câmbios manuais, não. É necessário sentir o carro, ouvir o motor, sentir o momento em que ele pede a marcha certa e ganha mais força ou diminuir à medida que queremos ou que somos obrigados.&lt;br /&gt;Laydiane era um desses carros populares 1.0, com motor AP, que mesmo com uma quilometragem respeitada respondia bem quando a gente assava. Nenhuma fórmula mágica, apenas fazia revisão no momento certo e trocava o óleo regularmente. Aditivada então, Laydiane era uma máquina que ganhava qualquer racha.&lt;br /&gt;E eis que chegou o dia em que fui convocado para conduzir Laydiane. Convocado, sim. Pois Laydiane, como a maioria dos carros semi-novos, escolheu o seu condutor. E o teste drive não poderia ter sido em lugar melhor. Um tapete. Estrada tipo high way.&lt;br /&gt;Não vou me envergonha à essa altura em me gabar de dizer que sou um motorista acima da média. Mas por um motivo, que acho que faz a diferença. Antes de ligar o motor tenho que ter na cabeça exatamente o itinerário que tomarei, isso evita muitas surpresas que geralmente os motoristas mais desatentos tem.&lt;br /&gt;Desde o momento em que bebericamos alguns drinks já repassava na minha cabeça os destinos que faria no corpo maduro e cheio de curvas de Laydiane. Quando entramos em sua casa, já senti o peso e as ranhuras da chave do carro em minhas mãos. Mais algumas abastecidas para o tanque ficar cheio e finalmente o volante estava em minhas mãos. É claro que, como um bom condutor de veículos eu segurei o volume de álcool que eu ingeria e deixei para aquela máquina as maiores doses de álcool no motor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, Laydiane me agarrou a boca e liguei o motor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo molhado, quente, doce, exalando um cheiro bom, um cheiro de sexo... o motor roncou bonito. Bastou algumas aceleradas e aquele som melodioso enchia o ar, era música aos ouvidos.&lt;br /&gt;Primeira marcha: desabotoei a blusa e desci minha boca sobre aquele colo cheiroso, enquanto sentia o carro se mover devagar, numa perfeita sintonia de condutor e conduzido. Não foi difícil me livrar do sutiã e mergulhar a boca naqueles seios fartos e firmes.&lt;br /&gt;O motor logo pediu que eu passasse a segunda, e lá se foram minha camisa, a saia, minha calça, a calcinha, minha cueca...&lt;br /&gt;Como o motor era de responsa, quase que imediatamente passei a terceira e acelerei, ela respondeu. O corpo sinuoso exigia atenções especiais do condutor. Comecei a traçar o itinerário que havia pré-estebelecido e pisei fundo.&lt;br /&gt;A quarta exigia ainda mais atenção, pois, apesar da estrada ser um tapete, é sempre bom ficar atento às possíveis surpresas, afinal estava em uma estrada e com o velocímetro que só subia.&lt;br /&gt;Para um condutor é sempre bom também estar atento ao painel do carro, lá estão sinais importantes, códigos que ajudam a interpretar o carro, a maneira que ele está respondendo aos nossos comandos. Apesar do marcador de temperatura estar subindo, tudo estava sob controle, nenhuma luz de alerta. O som estava ligado e o relógio marcava duas da manhã.&lt;br /&gt;Laydiane arfava, era uma loba, uma mulher experiente que sabe buscar prazer e dar prazer a um homem na medida certa. Já estava na quinta, pisando fundo, com o motor respondendo bem. Eu, completamente absorto pela paisagem, pela velocidade, pela estrada que parecia interminável, pelas curvas sinuosas, por aquela cabeleira que voava alto, resolvi diminuir.&lt;br /&gt;Desencaixei nossos corpos e passei a dar um banho de língua em Laydiane, voltei à quarta marcha, tirei o pé do acelerador e deixei o carro deslizar, só ia baixando... até chegar na terceira.&lt;br /&gt;O carro ia deslizando pela estrada. Com um designer projetado para ter a mínima resistência ao ar, o carro ia ganhando aquela imensidão, mergulhando na paisagem, sem atrito, como se tivesse sido fabricado para aquele lugar, para aquela hora, para aquele encontro.&lt;br /&gt;Voltei a exigir do motor. Ainda acelerei bastante e voltei à quinta marcha, até o destino final, sem atropelos, sem atritos maiores, encaixado até estacionar novamente.&lt;br /&gt;Desci do carro como um vencedor. Fiquei imaginando o pódio, o banho de champanha, enquanto estávamos em silêncio, quase ouvia o hino nacional.&lt;br /&gt;Na despedida, após longos beijos no elevador do prédio dela, eu poderia jurar que estive em uma Ferrari, em uma disputa ferrenha. Quando ela me disse com aquela vozinha doce para a gente se encontrar outras vezes, eu sentia que tinha deixado Proust’s, Berguer’s, Shumacher’s e Piquet’s para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei um táxi e falei ao motorista: Apenas dirija!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-8592389196172530480?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/8592389196172530480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=8592389196172530480' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/8592389196172530480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/8592389196172530480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/08/arte-de-conduzir-mquinas.html' title='a arte de conduzir &quot;máquinas&quot;'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-2205971703511231532</id><published>2008-08-11T17:04:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T19:06:56.125-07:00</updated><title type='text'>Diário</title><content type='html'>Vanessa é nome de mulher gostosa. Gabriela, Carla, Isabela, Rafaela, a maioria que termina com -Ela é gostosa. Érica é nome de mulher meiga. Paula é gostosa. Maria não fede nem cheira, mas às vezes surpreende. Regina varia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto de olhar para cara das pessoas e adivinhar o nome delas, geralmente as pessoas tem o nome grafado no rosto. Mas as mulheres, não. Eu tenho que olhar o corpo todo pra dizer o nome. O nome das mulheres tá no corpo, não tá na cara. Mulher com bunda grande, seios fartos e boca carnuda tem que ter um nome forte, a língua tem que enrolar, dar uma volta e repousar na boca. Tem que ser um exercício sexual, só de chamá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem todo mundo pensa assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela tarde eu tinha que visitar um amigo, no hospital. Ele tinha quebrado as duas pernas quando ia atravessar a rua e caiu num bueiro aberto.&lt;br /&gt;_Nossa cidade anda um caos. Eu disse.&lt;br /&gt;_Um caos anda minha vida, ele disse, Bati o carro na garagem de casa, minha mulher quer me largar, meu filho tá se drogando. E, eu, fui comprar umas flores pra fazer as pazes e olha onde eu tô.&lt;br /&gt;_Deve ser o inferno astral, tentei brincar.&lt;br /&gt;_Inferno astral é o caralho. Todo ano perto do meu aniversário, todo mundo vem com esse papo. Eu quero saber se existe o paraíso astral, porra. Cadê ele?&lt;br /&gt;Pensei em sair naquela mesma hora, mas a entrada da médica me demoveu a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Como está hoje, meu paciente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vozinha rouca, grave, gestos leves, olhar sincero e um sorriso cheio de dentes na boca. Nem ouvi a conversa deles, fiquei olhando a pele dela, tentando dar-lhe um nome, mas o jaleco branco não me deixava ler direito aquele corpo. Assim como ela entrou ela saiu, sem dar conta da minha presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Sabe que eu acho que tu estás no paraíso e não te deste conta.&lt;br /&gt;_Paraíso por que seu babaca? Vem ficar aqui no meu lugar com as duas pernas quebradas e uma puta dor na bacia, tomando remédio feito um filha da puta, pra ver se é bom.&lt;br /&gt;_Desculpa, eu tava tentando brincar.&lt;br /&gt;_Vai brincar com o caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincar com o caralho. Foi isso que me deu vontade de fazer. Correr pra casa e brincar com o meu caralho pensando naquela doutora. Encerrei a visita ainda com a imagem daquela deusa. Meu amigo ainda me mandou tomar no cu umas três vezes antes de eu sair, e saí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta do hospital acendi um cigarro, pra ver se aquele tesão passava. Mas tava difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Isso ainda vai te matar.&lt;br /&gt;Ouvi aquela mesma voz rouca atrás de mim. Virei rápido. Não deu outra. Era ela, linda, sem o jaleco e ainda toda de branco. A pureza em pessoa.&lt;br /&gt;_Eu vou parar, mas depois de uma puxada dessas, eu preciso de um cigarro.&lt;br /&gt;Era a amiga falando.&lt;br /&gt;_Tens um cigarro pra me dar, a amiga me pediu.&lt;br /&gt;_Sim, claro. Eu respondi.&lt;br /&gt;_Eu não entendo o ser humano. Sabe dos malefícios do cigarro e ainda assim fuma. Aquela voz rouca, linda, falava enquanto eu puxava do maço um cigarro para dar para a amiga.&lt;br /&gt;_É que eles põem muita química. Viciam a gente. Eu disse.&lt;br /&gt;_Mais um motivo pra parar. Vocês sabem que estão sendo usados.&lt;br /&gt;_Mas, pelo menos, eu não fumo aquele da impotência. Falei rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas ficaram séria me olhando. Que merda que eu falei. Como é que pude ser tão grosseiro, pensei em pedir desculpas, mas já era tarde. Tinha feito a merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Bom eu vou pegar um táxi, quer uma carona? Falou a doutora pra amiga, me relegando à condição de inutilidade total, me jogando na merda, a mesma merda que eu tirei aquela porra daquela piada grosseira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Eu tô de carro, posso dar uma carona pra vocês. Me meti na conversa, de uma maneira muito sem graça. A doutora riu e virou de costas como que procurando um táxi, então pude ver sua bunda e ler o seu nome. E ataquei certeiro:&lt;br /&gt;_Vanessa!&lt;br /&gt;_Como? Ela respondeu.&lt;br /&gt;_É uma brincadeira que tenho comigo, olho no rosto das pessoas e adivinho o nome. Não erro uma.&lt;br /&gt;Ela me olhou por uns segundos, com os olhos meio admirados e devolveu:&lt;br /&gt;_Juliana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pegou o táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juliana é nome de mulher gostosa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-2205971703511231532?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/2205971703511231532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=2205971703511231532' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/2205971703511231532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/2205971703511231532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/08/dirio.html' title='Diário'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-1051057530538577110</id><published>2008-08-04T16:34:00.001-07:00</published><updated>2008-08-04T16:34:49.476-07:00</updated><title type='text'>Ana Cristina</title><content type='html'>...Adeus.&lt;br /&gt;Dentro da casa ficou o eco da batida seca da porta. Nenhum outro som se ouvia, nem soluços, nem pragas, nem gemidos, nem ofegância, nem nada. Nada.&lt;br /&gt;O sol se esvaindo desenhava os contornos da janela no chão de taco amarelo. O sofá, a televisão, a mesa de centro, o tapete verde, a mesa com quatro cadeiras, o quadro na parede, a mesinha do telefone, o telefone. Imóveis. Ana Cristina no canto, no chão, olhar parado no nada, cabelos desgrenhados, a vida passando-lhe diante dos olhos. Não era assim. Não era assim que imaginava. Para ela as histórias nunca teriam fim, nunca.&lt;br /&gt;Levantou-se. Andou pela casa, lentamente, como que reconhecendo aquela casa mais-que-conhecida. Nunca lhe ocorrera antes que são preciso doze passos para ir da sala ao quarto, nunca lhe ocorrera que as paredes do corredor estavam marcadas com as mais variadas manchas.&lt;br /&gt;No quarto, a cama. O guarda-roupa com as portas abertas. Muito espaço. Agora havia gavetas livres, o cabideiro, as gavetas de roupas íntimas, a cama por completo, espaço na sapateira, na penteadeira. Olhou o guarda-roupa com estranheza. Precisava comprar roupas novas, pensou.&lt;br /&gt;Voltou a contar os passos. Do quarto ao escritório. Seis. Deteu-se á porta. Olhou com distanciamento as prateleiras de livros, agora semi vazias, quanto espaço. Na parede as marcas de um quadro arrancado às pressas, ela foi até lá. Ficou de pé diante da mancha amarelada. Só então ela percebeu o que dizia o quadro, seus olhos podiam ver com riqueza de detalhes o que havia habitado ali por muitos anos, seus lábios quase sorriram ou lembrar que Cleópatra cercada de homens, morara em sua casa tanto tempo e ela só a reconheceu quando ela se foi. Olhou em volta. Quanto espaço!&lt;br /&gt;Atravessando o corredor chegou ao banheiro, jamais podera crer que ocupava tão pouco lugar por sobre o móvel da pia. Um batom, uma caixinha com lápis de olho, um creme anti-rugas, um hidratante, perfume, sua escova de dentes e a pasta, irritantemente amassada no meio, sentiu falta do desodorante, mas logo em seguida lembrou que o desodorante era partilhado e se fora com a outra metade. O chão do banheiro estava molhado. Enxugou-o, calmamente. Fechou a porta e se dirigiu ao quarto de hóspede, que seria de hóspede até a chegada de seu bebê. Que nunca veio. Ela tinha planos para um filho. Mas o tempo foi passando. Ainda havia coisas que não eram suas para serem retirados de lá. Imaginou o quarto sem aquelas tralhas todas. Quanto espaço sobraria. Sentou na cama, imaginou como seria o quarto do filho e com os lhos inventou uma rápida arrumação, naquele canto ficaria o seu guarda-roupas, o berço seria aqui onde está essa cama, colocaria também sinos de vento, e quase poderia ouvir o som sereno do sino. Ficou lá por algum tempo, sentada na cama, olhos fechados ouvindo os sinos tocarem.&lt;br /&gt;Foi sentindo uma dor no peito. Coisa que nunca havia sentido, nada parecido com as dores que ultimamente sentia. Correu para a cozinha, abriu a geladeira, pegou água, foi ao armário pegou um frasco de remédio, tirou uma pílula pequena e colocou-a sob a sua língua. Tomou a água, com cuidado para não engolir a pílula. A dor não cessara. Foi à sala, abriu a janela e debruçou-se sobre ela. Alguns pingos de chuva tocaram-lhe o rosto, só então percebeu que chovia forte. Com a mudança dos ventos os pingos lhe alcançaram com maior intensidade, fechou os olhos, queria preencher aquele vazio com a água que caía do céu. Lembrou de seus banhos de chuva na infância e da gripe que sempre chegara após as delícias da chuva.&lt;br /&gt;Entrou. Deixou a janela aberta. Pela primeira vez não se preocupou com a chuva molhando o tapeta da sala. Sentou no sofá. Lembrou-se de chorar, mas a vontade não vinha. achou que devia emagrecer mais um pouco, achou que deveria pintar o cabelo, achou que deveria comprar aquele vestido que há meses ensaiava sua compra, achou que a estampa do sofá não a agradava tanto, nem o tapete, tão pouco a mesa de centro.&lt;br /&gt;Decidiu que amanhã voltaria a fumar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-1051057530538577110?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/1051057530538577110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=1051057530538577110' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/1051057530538577110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/1051057530538577110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/08/ana-cristina.html' title='Ana Cristina'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-874033903391369386</id><published>2008-07-28T17:44:00.000-07:00</published><updated>2008-07-28T18:12:40.982-07:00</updated><title type='text'>O Tamanho de deus</title><content type='html'>Ela tinha peitos enormes e uma língua gelada que entrava e saia da minha boca. Eu era um menino recém entrado na puberdade, aquilo tudo me assustava e me excitava, me sufocava e me acendia. Quando ela largava minha boca eu tinha vontade de correr e de ficar lá.&lt;br /&gt;Foi no dia que fiz quinze anos. Tá, tá certo, eu também acho que foi tardio, mas será que diminui minha culpa se eu disser que a punheta era desde os doze? Aliás, a punheta foi um outro ponto meio nebuloso na minha vida. Eu venho de uma família muito católica, minha mãe não chegava a ser uma beata, mas passava raspando. Como eu sou o último filho de uma família de cinco, que já não eram lá muitos chegados à religião, eu sofri menos a pressão de andar, e pensar, de acordo com os desígnios bíblicos. Mas o pouco que sobrou para mim era assustador. Até os quinze anos a imagem que eu tinha de deus era monstruosa, apesar de minha mãe repetir de meia em meia hora que deus era bom, eu só conseguia vê-lo com a cara fechada, sentado em seu trono de nuvens, jogando raios em cima de quem desobedecia suas leis. Mal sabia eu que, no fundo, eu era um perfeito cristão, temente. Temente a deus. Temente a tudo. Com pavor de ser castigado. Minha mãe dizia que cada palavrão que eu chamava era uma chaga que eu abria em Jesus, e como eu me sentia culpado por fazê-lo sangrar tanto.&lt;br /&gt;Hoje em dia, coitado, o pobre de Jesus na cruz tá precisando mais que uma transfusão de sangue. Essa história de religião é engraçada. Eu , por exemplo, não tenho nenhum problema com Deus, mas acredito que o principal problema de deus é ser onipresente. É,  esse é o maior problema. Pensa bem: é até legal tu teres um deus onipotente, até mesmo onisciente, isso dá um certo ar de super herói de quadrinhos, não é? Mas tu teres um Deus onipresente é que é foda, porque significa que não dá pra fazer nada sem os olhos vigilantes dele. Isso inclui, era o meu principal problema, bater punheta no banheiro.&lt;br /&gt;Na minha pré – adolescência eu até que tinha uma vida legal. Minha casa tinha dois andares e dois banheiroS e, como meus irmão passavam o dia todo trabalhando, eu podia me utilizar de um o dia inteiro, sem Ter hora para sair ou sem Ter ninguém batendo à porta pra me perturbar. O único problema eram os olhos vigilantes de deus que não me deixavam me concentrar nas revistas, então meu pau ora entumecia ao ver os pelinhos loiros que desenhavam um caminho perfeito do umbigo à boceta da moça da revista, ora murchava a imaginar que deus estava preparando um raio todinho para mim. Não era fácil. Mas como nunca fui de desistir tão facilmente eu fechava os olhos com força, apressava o ritmo, limpava tudo rapidamente, pedia desculpas e saia correndo do banheiro, com a certeza de que estava escrito na minha testa: pu-nhe-tei-ro.&lt;br /&gt;Mas voltemos a Luciene. Esse era o nome da minha feitora. Eu não sei ao certo como é que tudo isso começou, até porque, olhando pras minhas fotos de adolescente, eu até que era uma figura bem desinteressante. Meio apagada sabe? Mas me lembro que ela encasquetou que queria namorar comigo, eu sei lá porque. Pra mim era tudo muito chato, eu só pensava em jogar bola. Nem um menino da minha turma do colégio tinha namorada, e eu, logo eu, tinha que Ter uma. Isso era um problema pra mim porque na hora do recreio todos corriam para a quadra pra jogar uma partidinha de quinze minutos, o tempo do recreio, e eu tinha que ficar ali, do lado da Luciene, ouvindo um monte de papo furado das amigas dela. E o pior, antes de entrar em sala, eu tinha que dar um beijinho nela. Que merda, eu morria de vergonha. Dava um beijo rapidinho e corria pra sala, pra ouvir as encarnações da galera que dizia que eu não jogava mais porque tava namorando. Mal sabiam eles o quanto era difícil pra mim vê-los ali, jogando bola na quadra, enquanto eu ficava sentado ao lado da Luciene. Teve uma época que eu nem queria ir pro colégio pra não Ter que encarar a Luciene, minha mãe ficava uma arara e me chamava de preguiçoso e dizia que eu ia ficar burro e dizia que quem não estudava ia puxar carroça na rua.&lt;br /&gt;Isso também me assustava, eu não queria ficar igual ao o Pega-burra, o carroceiro que sempre passava na rua de casa, e que a gente assustava o cavalo dele só pra ver ele em bundas em cima da carroça, à toda velocidade numa rua cheia de buracos. Quase sempre ele caia, e voltava pra atirar pedras na gente. Era uma festa, como a gente se divertia com o Pega-burra. Mas eu não queria ficar assim. Mas poderia ser o castigo que deus estava preparando para mim, então eu, muito à contra gosto, ia pro o colégio.&lt;br /&gt;A Luciene era mais velha que eu uns dois ou três anos, mas tava atrasada no colégio, ela ainda tava na Sexta série, enquanto eu, que ainda repeti um ano, tava na sétima. Eu não sei da onde ela tirou essa história de namorar, mas dizia pra todo mundo que namorava comigo. Um dia, eu tava voltando pra casa com o uniforme da Educação Física, ela me atalhou na esquina, disse um monte de coisas e foi metendo a língua fria dela dentro da minha boca, eu abri a boca porque não tinha outro jeito, mas só imaginava que era uma lesma que  tava entrando na minha boca, eu não suportei, mas meu pau endureceu e mais tarde, no banheiro, achei aquilo legal.&lt;br /&gt;Eu morava perto da escola, ela sabia, e de noite apareceu em casa. Quase morri de vergonha quando o meu irmão veio dizer que tinha uma menina me chamando lá fora, quando eu saí não era menina que nada, era a Luciene que me esperava, a gente sentou num  banquinho de madeira embaixo de uma árvore que ficava na frente da minha casa e ficamos conversando. Conversando, não. ela ficou falando e eu, contrariado, fiquei admirando meus amigos brincando de polícia e ladrão na rua, até que sentia a mão dela na minha coxa, e antes que eu pudesse dizer alguma coisa a mão pulou para o meu pau e, de novo, ela meteu a língua na minha boca, a mesma língua fria, mas dessa vez tinha uma mão quente segurando o meu pau que tava pra explodir. Eu me lembro que quando eu fui mijar, antes de dormir, meu pau tava todo melado. Fiquei com um pouco de medo que não fosse um castigo. Corri pro quarto rezei rápido e tentei dormir, mas só me lembrava da mão da Luciene no meu pau. Nessa noite eu rezei umas três vezes, até desmaiar de sono.&lt;br /&gt;Mas eu não só pensava em futebol ou em deus, não. eu tinha um amor. Platônico, claro. Mara. Todos nós tínhamos lugar marcado em sala de aula, e o meu era exatamente no canto oposto ao dela, três cadeira atrás, para que eu podesse vê-la perfeitamente (nem lembro direito do rosto dela, mas das costas...) . Nas aulas chatas de matemática, com o professor Vantuir, eu ficava o tempo todo admirando os cabelos loiros dela, a pele branca, a marca da blusinha que ela usava por debaixo da bata e, claro a bunda dela dentro da  saia ou da calça jeans. Nunca troquei uma palavra com ela, mas sonhava com as mãozinhas delicadas dela tocando o meu pau. Na Segunda vez que a Luciene meteu a língua na minha boca eu tentei imaginar a Mara, mas duvido muito que ela teria aquela língua gelada e melada da Luciene.&lt;br /&gt;Era Abril, o dia do meu aniversário tava chegando, todo mundo do colégio encarnava em mim porque com essa idade, diziam eles, eu já poderia entrar no Ópera, pra ver aqueles filmes pornôs que tanto a gente imaginava quando passava em frente ao cinema. Eu acreditei por alguns dias, mas meus irmão logo acabaram com os meus sonhos dizendo que era só com dezoito anos que dava pra assistir a esses filmes. Bom, na verdade o pessoal do colégio tava de olho era na festinha do meu aniversário, que meu pai já havia me adiantado que não daria para Ter, porque não tinha dinheiro. Por mim, tudo bem. Meu irmão já havia me prometido uma camisa oficial do Paisandu de aniversário, e isso pra mim já era um bom motivo pra comemorar.&lt;br /&gt;Mas a Luciene parecia muito mais ansiosa pelo dia do meu aniversário do que eu, isso me intrigava. Será que ela ia dizer pra minha mãe que a gente tava namorando? Isso eu não ia perdoar ela nunca.&lt;br /&gt;Nessa época eu ainda pensava que no dia do aniversário da gente era um dia especial, diferente. E acordei naquele trinta de abril acreditando que tudo tava diferente. Minha mãe me acordou, me abraçou, me beijou, me desejou feliz aniversário, colocou meu café na mesa, todos me desejaram feliz aniversário. Eu já estava esperando a camisa novinha do Papão, mas meu irmão nada falou sobre o assunto, meu pai me deu uma nota de cinco cruzeiros e eu fui para o colégio.&lt;br /&gt;Nessa época a gente ainda cantava o hino nacional antes de entrar em sala de aula. Eu, como sempre, me coloquei bem ao lado da Mara, mas como sempre ela nem olhou pro lado, ela cantava forte o hino, isso me impressionava. Era como se aquelas palavras todas fossem dela, como se ela estivesse criando aquilo na hora, de improviso. E eu, como sempre, me atrapalhava todinho na Segunda parte do hino, eu só mexia a boca, isso me encabulava. Mas era dia do meu aniversário, ela tinha que entender. No final do hino a Luciene passou por mim e disse: feliz aniversário, meu amor. Meu amor? Eu rezei pra que ninguém tivesse ouvido aquilo, quase me enterrei. Baixei a cabeça e olhei pra Mara, ela continuava ereta, impassível. Como se estivesse esperando os aplausos pelo seu improviso.&lt;br /&gt;Na hora do recreio, eu saí de sala feito um louco, correndo e tirando a bata do colégio pra pegar lugar no time, a Luciene me barrou a passagem. “eu tenho um presente pra te dar”, ela falou. Eu disse legal, na hora da saída tu me das, mas ela não desistiu, fez eu vestir a bata de novo e foi me levando para trás das salas de aula, eu tentava argumentar, dizer pra ela que todo dia do meu aniversário eu precisava fazer um gol, como um presente pra mim mesmo, sei lá. Mas ela não deu ouvidos, foi me empurrando para perto do muro desabado do colégio e num segundo eu já estava fora da escola, sendo puxado em direção à minha casa. Ela sabia que de manhã só ficava a mamãe em casa, isso eu tinha falado pra ela.&lt;br /&gt;Quando eu entrei em casa, sei lá porque, eu tentei avisar a mamãe que eu tava lá, mas a Luciene não deixou, perguntou onde era o meu quarto e eu disse, então ela falou: me leva lá pra eu te dar o presente. Eu não entendia porque ela não podia me dar aquilo no colégio mesmo, mas levei ela até o meu quarto, eu não sei se eu já disse que a minha casa era de dois andares. Mas era, e lá em cima ficava os nossos quartos. Só eram dois pra nós cinco, os homens em um e as mulheres no outro. Não tinha ninguém no quarto dos homens, só eu e a Luciene que não queria deixar eu comemorar o meu aniversário fazendo um gol. Eu tava puto. Ela fechou a porta bem devagarzinho e falou. O que eu vou te dar eu nunca dei pra ninguém, e tirou a bata do colégio. Caralho! Pulou dois peitões de dentro da farda, que eu só tinha visto em revista, eu me lembro que eu tava encostado na rede, perto da cama. Fiquei Paralisado. Ela veio, esfregou aqueles peitões na minha cara e meteu a língua na minha boca, eu me lembro que dessa vez a língua dela tava quente. Depois ela me deitou na cama e se jogou em cima de mim, eu, estático, sentia umas tremedeiras que eu nuca havia sentido e que me deixavam assustados, mas eu não queria parar, nem queria que ela parasse.&lt;br /&gt;Eu nem me lembro se eu gozei. Acho que devo Ter gozado quando vi os peitões dela, sei lá. Também não me lembro como ela foi embora, nem se eu voltei pro colégio naquele dia, nem se eu fiz algum gol, muito menos se eu ganhei a camisa do Papão.&lt;br /&gt;Mas deus parecia bem menor depois da Luciene.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-874033903391369386?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/874033903391369386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=874033903391369386' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/874033903391369386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/874033903391369386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/07/o-tamanho-de-deus.html' title='O Tamanho de deus'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-5325961737885916372</id><published>2008-06-04T20:32:00.000-07:00</published><updated>2008-06-04T20:36:40.041-07:00</updated><title type='text'>diário de montagem</title><content type='html'>nobre amigos, sobretudo o nobilíssimo amigo J. Bosco.&lt;br /&gt;é verdade que passei um tempo sem atualizar o blog, por pura falta de tempo.&lt;br /&gt;mas não ha de ser nada.&lt;br /&gt;vamos lá.&lt;br /&gt;para os que acompanham o blog estarei nesse mês de junho em SAntarém para a finalização da montagem de Macbeth, de Shakespeare.&lt;br /&gt;o diário de toda a montagem está postado aqui. paralelamente, a feitura dos novos episódios do filme A Onda Festa na POroroca, que virará uma série de TV também.&lt;br /&gt;começaremos os trabalhos em julho, mas o roteiro está saindo e vou postar aqui para ouvir criticas e sugestões.&lt;br /&gt;e mais: o quintal/boteco do barrosao está saindo.&lt;br /&gt;em breve.&lt;br /&gt;hahahaha.&lt;br /&gt;beijos a todos.&lt;br /&gt;nos vemos em SAntarém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-5325961737885916372?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/5325961737885916372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=5325961737885916372' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/5325961737885916372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/5325961737885916372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/06/dirio-de-montagem.html' title='diário de montagem'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-11417908485270673</id><published>2008-05-18T08:07:00.000-07:00</published><updated>2008-05-18T08:18:43.126-07:00</updated><title type='text'>Comédia dos ERros</title><content type='html'>A Comédia dos erros, dirigida por mim com a Companhia Nós Outros continua em cartaz, todo o final de semana de maio (até 01 de junho) sempre (e sempre mesmo) às 20hs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na segunda semana de apresentação, no sábado foi um daqueles dias iluminados. até pareceu que o teatro de belém tinha voltado aos bons tempos. o volume de espectadores que aguardavam para ver o espetáculo, me dava a sensação que teatro é um programa aguardado pelo habitantes de Belém. e se o espetáculo é bom, cria-se se o hábito.&lt;br /&gt;acho que conseguimos isso, ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de uma bruta e chata chuva, que durou até dez minutos antes do espetáculos, abrimos as portas ccom a casa completamente lotada. (tivemos que colocar 30 cadeiras extras) e, tenho certeza, que quem estava lá, saiu satisfeito com a escolha de enfrentar um possível chuva durante o espetáculo. graças a Nazica isso não aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem confetes. mas o grupo está respondendo muito bem ao que a montagem pede.&lt;br /&gt;A resposta, o resultado disso, é um público que se diverte do início ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e aí, é o bacana do fazer teatral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ver o público com os olhinhos brilhando, como que pedindo, me emocione! me emocione! e isso acontecer, é uma sensação deliciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isso acredito no teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando as coisas estão bem. quando temos artistas responsáveis com o seu ofício no palco, a relação se dá de maneira deliciosa e duradoura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-11417908485270673?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/11417908485270673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=11417908485270673' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/11417908485270673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/11417908485270673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/05/comdia-dos-erros.html' title='Comédia dos ERros'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-2771146313168990856</id><published>2008-04-12T14:38:00.000-07:00</published><updated>2008-04-12T14:39:40.069-07:00</updated><title type='text'>como fazer roda girar</title><content type='html'>Adriano Barroso&lt;br /&gt;Ator e Dramaturgo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mercado de trabalho, o profissional de teatro ainda é uma realidade distante no Pará. No mês passado, o mundo comemorou o Dia Mundial do Teatro (27 de março). No Pará, a comemoração foi tão tímida quanto é o entendimento da profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do que muitos pensam, ser ator não é um hobby. Ao contrário, um ator responsável sabe que sua arte é quase um sacerdócio. O ator se alimenta do que vive, e sua matéria de trabalho é tudo. Tudo mesmo, porque sua arte é filtrar o sentimentos humanos para colocar em sua representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ator é um ser político na essência. Aquele que age sobre um tablado precisa ter uma visão global sobre as pessoas que o cercam, sobre o mundo e sobre si mesmo. É isso que faz do ator um ser político. E ser político, nesse caso, é ser humano aos extremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa que o ator é um semideus impassível e intocável está errado. E quem sobe em um palco com este pensamento, boa coisa não vai fazer. O mais encantador na arte de representar é exatamente se dar ao luxo de sentir na pele toda a humanidade que o personagem nos requer. Lançar mãos das referências que colecionamos ao longo de nossas vidas, filtrá-las e construir a interpretação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso o Teatro se torna uma profissão tão envolvente para aqueles que ousam subir a um palco. Por isso é tão fascinante assistir – da segurança da escuridão da platéia - a um ator ser aquilo que negamos em nós. Rir como nunca riríamos, sofrer como jamais nos permitiríamos. E não estou falando de catarse, mas de diálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é exatamente no diálogo, que estamos pecando ultimamente. Já faz um tempo que o fazer teatral no estado pouco ultrapassa o romantismo do artista. Pouco há de movimentação financeira nas produções locais. São poucos os investimentos e muito os gastos. Fazer teatro (ao menos as produções responsáveis) sai caro e, quase sempre, os grupos têm que se espremer nas poucas pautas disponíveis nos poucos teatros paraenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quase sempre, amargar um público pingado. A pouca audiência nos teatros paraenses tem um fundo de postura política, tanto do poder público quanto dos grupos teatrais. Não terei espaço suficiente para destrinchar a questão nessa coluna, mas, ao menos, poderemos suscitar a discussão, que já é grande coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de termos um teatro bem conceituado fora do Estado, dentro dele, não conseguimos atingir uma das pontas fundamentais que sustentam o fazer teatral: o público. Culpa de quem? De ninguém, e de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das pragas da modernidade foi a invenção da tal nomenclatura "marketing cultural". Um negócio criado para confundir tanto, tanto, que ninguém sabe o que é. Aliás, juntar duas palavras tão díspares só pode ser uma jogada para confundir mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tal marketing cultural já é complicado nos grandes centros, imagina no Pará, em que o poder público, de maneira geral, não quer entender a importância de investimentos culturais. E não estou falando de paternalismo, mas que as secretarias de culturas municipais e estadual, cumpra a missão para que foram criadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não dá para pensarmos em teatro profissional no Pará (estou falando de viver disso, não de qualidade, que isso a gente já tem). As agencias de publicidades não têm estofo para entender o trabalho do ator, o cinema ainda está engatinhando no Estado, os empresários..., bem, para falar sobre a visão empresarial no Estado seria preciso um espaço bem maior do que tenho aqui nessa revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dá para começar a fazer a roda girar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de qualquer coisa, é necessário formação, investimentos na qualificação do futuro profissional, para que assim seja tratado. Isso deve ser um movimento dele (artista) e do poder público. Afinal, Cultura também tira crianças das ruas, da marginalidade. Criar políticas públicas para aliar o teatro à educação nas escolas de ensino fundamental e médio é uma saída boa para todos. Levar teatro aos bairros, facilitar o acesso às artes cênicas melhora a qualidade de vida das comunidades e emprega o artista. É possível fazer a roda girar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-2771146313168990856?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/2771146313168990856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=2771146313168990856' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/2771146313168990856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/2771146313168990856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2008/04/como-fazer-roda-girar.html' title='como fazer roda girar'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1245921301486074016.post-6980923698976794078</id><published>2007-12-29T05:57:00.000-08:00</published><updated>2007-12-29T06:01:11.645-08:00</updated><title type='text'>A arte do ator em Belém e em qualquer lugar do mundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;A cada espetáculo novo, em cartaz na cidade, vemos surgir novos atores. Mas será que estão realmente preparados para encarar o palco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Acredito que o grande trabalho do ator é a inquietação. Nunca há um método 100% seguro para que o ator esteja em cena. Nem deve ter. Atuar é a arte de correr riscos. Pode parecer somente uma frase de efeito, mas quem está sobre o palco com responsabilidade sabe do que estou falando; se um ator se sente totalmente seguro diante de seu personagem, é preciso ligar o sinal de alerta. Não há fôrmas nem fórmulas. Há trabalho. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Existem muitas teorias e métodos de mestres teatrais sobre a arte do ator, ao longo dos tempos eles têm concordado e discordado em muitos princípios, mas, pelo Menos, para Stanislavski, Grotowski e Chaikin, Atuar é dividir-se, é dar a luz, trazer a público o que é velado no indivíduo. A representação é um testemunho do ator, que deve fazer um teatro com coisas que façam sentido para ele e para quem o assiste. O trabalho do ator começa com um estudo de sua própria natureza e não, como é comum para os iniciantes, distanciando-se de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho do ator é um exercício de entrega. Não vou aqui defender algum método de construção de personagem, não. Quero discutir, ou pelo menos, iniciar uma discussão sobre a qualidade e a preparação do ator que freqüenta os palcos de Belém. Como e por quê poderemos formar atores conscientes e responsáveis de seu ofício.&lt;br /&gt;O teatro moderno trouxe para junto do encenador e do ator a figura do dramaturgista, aquele que é responsável por ajudar a “traduzir” o texto literário para a obra cênica. &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Em Belém poucos grupos se utilizam dessa figura (um ou outro), isso não significa necessariamente um demérito para quem não a usa. Mas deve significar, necessariamente, mais um atributo para o ator na busca pela perfeita representação do que lhe é proposto. A dramaturgia do texto, da cena, da luz, do corpo do ator é necessária ser compartilhada por todos os que se associaram para edificar um espetáculo.&lt;br /&gt;Não acredito em ator parasita. Aquele que só se alimenta do que lhe é posto na boca, e já mastigado, não é um ator.&lt;br /&gt;O ator é aquele que é treinado para observar, absorver, digerir, experimentar em seu próprio corpo, e representar a realidade que está ao seu redor. A matéria de que se alimenta o ator é tudo. Tudo mesmo. Por isso um ator precisa estar “ligado” 24 horas por dia, atento a todas as informações que lhe chegam por via dos olhos, ouvidos, nariz, boca, extremidades, ou seja lá mais como for. Um trabalhador de teatro não é mais um na multidão - Nem que ele queira - É um ser atento, um observador contumaz, um crítico... um ator.&lt;br /&gt;Para tanto é preciso exercício. Não por acaso repeti tanto a palavra ATOR nos parágrafos acima. Quero chamar a atenção ao significado da palavra, aquele que atua, age. Ou, como diz com mais propriedade Patrice Pavis em seu Dicionário de Teatro: “O ator situa-se no próprio cerne do acontecimento teatral. Ele é o vínculo vivo entre o texto do autor, as diretrizes de atuação do encenador e o olhar e a audição do espectador.” Mas os atores não estão só no palco. Todos nós, de uma maneira ou de outra, atuamos.&lt;br /&gt;Se tu ligaste a afirmação acima a aplicar uma mentirinha, ou fingir, de vez em quando, em benefício próprio, estás errado. Redondamente enganado. No teatro, é pecado mortal mentir ao público, uma falta de respeito. Uma atrocidade. Imperdoável!. E, infelizmente, esse tem sido o principal engano de muitos novos atores em nossos teatros (tô falando de Belém mesmo).&lt;br /&gt;Muita gente acredita que um bom ator se mede pela sua capacidade de fazer com que os outros acreditem em suas mentiras. Mentira e teatro não rimam. Outros ainda creditam ao ator a chamada “pegação de santo”, alguma entidade, sabe-deus-da-onde, baixa sobre a consciência do infeliz e o joga, durante uma hora e tantos, num estágio de inconsciência sobrenatural levando-o a desempenhar sua função na trama.&lt;br /&gt;Se fosse só isso. Se fosse só decorar um texto, rezar para um santo baixar e subir no palco, não precisaríamos de tanto estudo sobre a arte do ator. A literatura sobre essa matéria é vastíssima, e é dever dos que entram nessa arte a busca pelo combate da ignorância.&lt;br /&gt;A questão mais preocupante que vemos nos últimos tempos é a quantidade de pessoas mal preparadas subindo em nossos palcos. Nem bem se aprende a falar e lá estão eles azucrinando nossos ouvidos a gritar seus textos com a cara vermelha e a jugular estufada. Alguns poucos até vão bem neste ou naquele espetáculo, mas ninguém pode enganar todo mundo todo o tempo. É preciso preparação para estar no palco. Trilhar fase por fase. É uma grande responsabilidade. Ou alguém faz uma operação no primeiro ano de medicina?&lt;br /&gt;Não se pode pular etapas. Um ator se faz passo a passo e dia após dia, ele precisa tomar consciência da expressividade do seu corpo, do registro de sua voz, da qualidade de suas emoções. O trabalho teatral é sobretudo o da cooperação, um diretor precisa ter estofo para encabeçar a direção de uma peça e um ator precisa ter um bom repertório para representá-la.&lt;br /&gt;A primeira tarefa para quem deseja entrar nessa arte tão fascinante é procurar um bom orientador. Um ator sem boa formação é tão criminoso quanto um médico sem moral. Não estou aqui para apontar esse ou aquele profissional em Belém como bom ou ruim. Porém, não é tão difícil distinguir o joio do trigo. Qualquer profissional, de qualquer área, se mede pela conduta.&lt;br /&gt;Tenho tido a oportunidade de assistir algumas peças de teatro ultimamente, e mais, tenho tido a oportunidade de conversar com muitos atores da nova safra. E, invariavelmente, tenho tido a oportunidade de me surpreender ante a tanta empáfia aliada à ignorância (essas duas rimam).&lt;br /&gt;Todos querem negar. Todos optam pela experimentação, pela transgressão. Mas sem conhecimento da regra, como vão transgredir?. Transgredir o quê?. Negar o quê?. Arrisco-me a dizer que 80% dessa nova geração de “atores” paraenses nunca leu Stanislavski. E pior, muitos o chamam de ultrapassado. O chamam assim porque só ouviram falar, de muito longe, “naquele negócio de memória emotiva”. Mas nem sabem que o mestre russo nos deixou uma trilogia de livros sobre a arte do ator belíssima.&lt;br /&gt;Se a tragédia grega é chata, Shakespeare já foi muito montado, Brecht já deu o que tinha que dar, Artaud nunca ouvi falar, Grotowski idem, Chaikin ibidem, Barba não me satisfaz; ou vivemos um momento mágico dos pós-modernismo, onde estamos próximo de encontrar uma dramaturgia totalmente nova e singular, ou estamos vivendo um momento de puro ócio infértil no teatro paraense (eu fico com a segunda).&lt;br /&gt;Nossa profissão é um negócio muito complicado. Assim como há muita gente responsável e se esmerando mesmo para fazer um teatro competente, há outros tantos aventureiros se utilizando desse veículo atrás de benefício próprio. E no meio dessas duas pontas está uma carrada de pessoas tentando dizer algo através do teatro.&lt;br /&gt;Não é fácil. Nem moleza. Ser ator é quase um sacerdócio (para manter meu tom exagerado) Nem sei porque tanta gente quer ir ao palco no meio de tanta dificuldade que é fazer teatro em Belém. Mas uma coisa é certa, se escolherem o teatro para falar, sejam inteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de informação, aqui vão algumas ferramentas importantes para o ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro e seu duplo, Antonin Artaud.&lt;br /&gt;É uma obra decisiva para a renovação do teatro contemporâneo. Nesse livro, o autor, que também era ator, cenógrafo e encenador, defende um teatro dinâmico, vivo, em busca de uma arte autônoma, repudiando o teatro psicológico ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Teatro e seu espaço, Peter Brook.&lt;br /&gt;Brook distingue a palavra teatro em 4 diferentes significados: teatro morto, teatro sagrado, teatro rústico e teatro imediato. O livro é uma verdadeira aula que ajuda a distinguir o que faz o acontecimento teatral tornar-se algo vivo ou morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em busca de um teatro pobre, Jerzy Grotowski.&lt;br /&gt;Aqui tu vais encontrar uma série de artigos, entrevistas e comentários de encenações. É um livro muito ilustrado que ajudam a entender os exercícios desenvolvidos no seu método de treinamento do ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem da encenação teatral, Jean-Jacques Roubine.&lt;br /&gt;O autor interpreta o fazer teatral setorizando a criação cênica; aqui poderás encontrar capítulo a capítulo o trabalho de cada elemento que compões uma obra cênica, do encenador ao ator, passando pela arquitetura teatral, posição do texto dramático, evolução do espaço cênico, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Improvisação para o ator, Viola Spolin&lt;br /&gt;É a exposição do sistema de ensino da autora. É uma abordagem da dramatização proposta em forma de problemas a serem desenvolvidos no palco e solucionados durante a atuação. Em seu valor pedagógico dos jogos e as técnicas, utilizados tanto na atividade teatral quanto em várias outras áreas, se assemelha (em importância) ao Teatro do Oprimido de Augusto Boal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparação do ator, a construção da personagem, a preparação de um papel e Minha vida na arte de Constantin Stanislavski.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses quatro livros pode-se Ter um panorama dos pensamentos e das técnicas de um dos maiores atores e encenador e mestres do teatro mundial. Leituras obrigatórias para quem deseja ser ator. Mesmo que seja para depois negá-lo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1245921301486074016-6980923698976794078?l=barrosaoblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/feeds/6980923698976794078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1245921301486074016&amp;postID=6980923698976794078' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/6980923698976794078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1245921301486074016/posts/default/6980923698976794078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barrosaoblog.blogspot.com/2007/12/arte-do-ator-em-belm-e-em-qualquer.html' title='A arte do ator em Belém e em qualquer lugar do mundo'/><author><name>ADRIANO BARROSO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18096934754473142092</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_5A8FGF36u6g/SQp1V-rA8vI/AAAAAAAAABI/wmMvYTdLDWM/S220/sem+t%C3%ADtulo.bmp'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
